segunda-feira, 3 de setembro de 2012

ITINERÁRIO A ASSIS – 6

Sobre a casa de Pedro Bernardone, pai de Francisco, foi construída uma igreja, chamada Igreja Nova; dentro dela há o quarto onde, o pai que não entendia os projetos do filho, prendeu-o naquele reduzido espaço. Francisco, em Foligno, desfez-se também dos bens de seus pais vendendo o cavalo e tecidos para distribuir o dinheiro aos pobres. Não se prende um sonho; quanto mais os projetos de Deus para uma vida. Sobre o quarto prisão nasce um templo.


O pai acreditava que seu filho era louco; não havia loucura em Francisco, mas sim excesso de energia, excesso de amor. Há beleza nos mármores que revestem o lugar como que a recordar Francisco, que se despojou do material para viver apenas a riqueza essencial: o Amor em seu coração. Esta igreja tem cinco cúpulas e entendidos dizem que são para lembrar as cinco chagas do Crucificado que, mais tarde, vão marcar também o corpo de Francisco. O amor sempre toma forma e deixa marcas num corpo.

Quando chegamos a Via Giorgietti encontramos a casa de Bernardo de Quintavalle, um dos primeiros companheiros, amigo e seguidor de Francisco de Assis. No início Bernardo sente uma certa insegurança. É verdadeiro o que está acontecendo com Francisco, ou é apenas um delírio de um jovem não satisfeito com a sua vida de novo rico e herdeiro dos negócios do pai? Talvez, Bernardo de Quintavalle esteja em crise consigo mesmo.

Seguir o projeto de Francisco significa mudar de lugar, mudar de status, mudar de costumes, mudar valores. Bernardo trabalhou com o pai de Francisco e fez muita amizade com aquele jovem já portador de surpreendentes virtudes. O melhor modo de conhecer alguém é convidá-lo para a casa. Francisco vai dormir na casa de Bernardo. Dormir? Em meio a noite e de modo discreto, Francisco levanta-se e ajoelhado num canto passa a noite orando: “Meu Deus e meu Tudo!” Bernardo vê, escuta e sente. No dia seguinte, vão juntos à Missa e o Evangelho evoca que o caminho da perfeição é dar tudo o que se tem, de preferência aos pobres.

Agora os dois, com o coração em chamas, vão experimentando que o melhor de ter é a capacidade de dar. No exercício de dar esmola aos pobres vão tecendo uma paciente e difícil conversão, um caminho de realização e de liberdade. Bernardo vai compreendendo que Francisco não roubou seu pai Bernardone, como foi julgado, mas sim foi a Foligno vender mercadorias para conseguir dinheiro para dar ao sacerdote responsável pelas ruínas de São Damião, para que ali, leprosos tivessem o que comer e vestir, e a lâmpada acesa ao lado da cruz não se apagasse nunca. Com Bernardo de Quintavalle nasce a sonhada fraternidade de Francisco: unir-se para partilhar! Com Francisco e Bernardo, entre escândalos e virtudes, começa uma revolução de amor, num sonho sonhado juntos.   Acompanhe nossa viagem!

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