sexta-feira, 17 de março de 2017

FRANCISCO DE ASSIS E DE JESUS

Francisco é o cristão canonizado com o maior acervo bibliográfico. Este livro propõe mostrar Francisco de Assis como uma testemunha qualificada de conformidade a Jesus Cristo. Para Francisco, o Evangelho não é um livro de leitura e consulta, mas uma aventura na qual entramos. É “Vem, e segue-me!” e não "Toma e lê!”. Francisco está inteirinho nesta diferença.

O livro quer mostrar como Francisco revela a humanidade de Jesus Cristo. O autor é um frade capuchinho, ex-provincial de sua Ordem. Mostra com clareza o espírito franciscano e convida-nos a compreender o que deve ser a preocupação com a exclusão, qualquer que seja a forma. O autor nos mostra que o Evangelho de Jesus Cristo é um apelo, em nome de Deus que é o “Pai de toda humanidade”, a instaurar um novo tipo de relações humanas, mais do que viver a pobreza.

Um livro necessário para a Espiritualidade! Leia: Francisco de Assis e de Jesus, de Marie-Abdon Santaner, Edições Loyola, São Paulo, 1984

FREI VITÓRIO MAZZUCO 

terça-feira, 7 de março de 2017

São Francisco e as mulheres que marcaram sua vida



Para o Dia da Mulher, umas palavras a partir da experiência de São Francisco. Ele tem uma aguçada sensibilidade muito própria da sua personalidade e espiritualidade. Colocou em sua vida, numa medida exata, o equilíbrio necessário da incessante busca de ser um humano forte. Nele, o masculino e o feminino fraternizam-se. Há a presença histórica de mulheres em sua vida.

Falemos de sua mãe, Jeanne de Boulermont, a mulher que veio da região francesa da Picardia, por isso mesmo conhecida em Assis como Dona Picà, a mulher que veio da distante região dos nobres e cavaleiros. Nela Francisco viveu a intensidade do Amor de Mãe. O amor do cuidado, da compreensão, da prece, da preocupação, das canções ensinadas, da língua francesa, da cortesia, da fineza, da ternura e das múltiplas virtudes. O seu pai era homem de negócios e saiu para trazer para a família a sobrevivência. Sua mãe, mulher da educação e da casa, moldou nele a convivência. Deixou no filho as marcas da nobreza, da fé em Deus, do amor ao próximo, da generosidade, da pureza e mansidão, uma qualificada consanguinidade biológica.


Falemos de Clara de Assis, sua seguidora a partir do Esposo Amado, sua companheira e fundadora do jeito terno e claustral, contemplativo e  acolhedor mosteiro clariano franciscano, raiz de uma exuberante floração. Com ela, Francisco aprendeu a forte presença da busca da perfeição. Entre os dois há troca de projetos comuns, encontros para falar do coração em chama, santa intenção e o cuidado eterno para com a Cruz de São Damião, o lugar da inspiração. Entre os dois um sagrado Amor de contemplação, esponsalício místico, expressão feminina e masculina do Evangelho, oração contínua, comunhão perene, uma transformadora consanguinidade espiritual.

Falemos de sua amiga, Jacoba de Settesoli, com quem viveu a relação da profunda amizade. Jacoba era nobre, rica e caridosa. Dividia virtudes e bens. A grande amizade nas horas da vida esteve presente na hora do Trânsito de Francisco para a eternidade. Na celebração deste maravilhoso rito de passagem não podia faltar a figura desta mulher que trouxe seu doce preferido, o “mostaciolli”, que providenciou também a túnica e os panos que prepararam o sepultamento do amigo. Viu suas chagas e o aconchegou em seus braços na agonia. Uma leiga que viu de perto o mistério e maravilhas realizados pelo Senhor naquele Poverello e depois em sua Ordem. Entre eles, uma fecunda consanguinidade afetiva.

A mãe, Clara e Jacoba deram a sua sonhada Fraternidade o jeito materno de ser, a irmandade e a amizade. São virtudes encarnadas, nascidas de personagens reais. No Dia da Mulher, aprendamos com Francisco que o ser humano masculino e feminino vive na mãe, na esposa, na irmã, e no sonho de colocar sob as asas da proteção e do amoroso cuidado todos os que formavam e formam a sua bela família, a consanguinidade fraterna. Que São Francisco e Santa Clara abençoem todas as Mulheres em seu merecido e celebrativo dia!

FREI VITORIO MAZZUCO FILHO

terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

FRANCISCO DE ASSIS, O SEU “EU”, E ELE EM MIM

Na contracapa da obra estão estas palavras do autor: "Fui tentado a intitular este volume 'o meu Francisco' e teria sido por certo mais exato. Mas prevaleceu em mim o desejo de ouvir dele”. Um grande encontro de grandes “Eus” este belo livro: Eu, Francisco, de Carlo Carretto, Paulus, São Paulo, 1910. 

Esta obra faz de Francisco de Assis o biógrafo de si mesmo, revela seu estado de espírito e seus sentimentos. Nesta obra aparece o Santo como o Arauto da Paz, um profeta da não-violência, um defensor da força do amor. Mostra a Pobreza como força libertadora. Francisco e seus primeiros companheiros sabiam que o distanciamento absoluto em relação às coisas lhes permitiria viverem mais próximo de Deus. Pontua um amor pela Igreja, enfraquecida em tantos que pretendiam a sua renovação.
Este é um livro onde todos podem encontrar, na continua queda dos mitos, uma convocação ou um convite aos sentimentos perenes, humanos e cristãos, que tornam jovem e mais aceitável a vida.

Estas páginas, convincentes como um romance, provocatórias como uma ofensa à nossa mediocridade, estimulantes como uma meditação, mostram São Francisco de Assis como o tipo ideal do cristão para a nossa época.

FREI VITÓRIO MAZZUCO

terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

NA ESTRADA COM SÃO FRANCISCO DE ASSIS

Quer saber detalhes interessantes dos lugares onde São Francisco de Assis viveu, pregou e construiu suas Fraternidades? Leia esta boa obra de Linda Bird Francke, Na estrada com São Francisco de Assis- Uma viagem pela Úmbria e pela Toscana, Record, Rio de Janeiro, 2008.

É um cativante diário de duas viagens paralelas: a de Francisco de Assis e seu caminho rumo à santidade no século XIII e da autora do livro, Linda Bird Francke, que refez os passos do Santo pela Itália até o Egito. É a história contada de olho nos lugares e nos textos medievais. Ela não faz uma viagem de natureza espiritual, mas sim para elucidar ainda mais a admiração que causa Francisco de Assis ao inspirar e fascinar milhões de pessoas. Partindo de Assis, uma pequena cidade da Úmbria, que  atrai dois milhões de visitantes por ano, a segunda cidade italiana mais visitada depois de Roma, a autora percorreu cidades como Siena, Bologna, Veneza, Gúbio e Roma. Foi aos eremitérios escondidos nas montanhas, no Alverne, nas Celle de Cortona, na Toscana e no Vale de Rieti.

No livro, a autora discorre sobre a relação de Francisco com Clara, seus milagres, os cenários que inspiraram um grande amor pela natureza e por todas as coisas vivas. Com uma proposta original, Na estrada com São Francisco de Assis traz à luz o espírito e a personalidade de um ser legendário e constitui um guia inusitado para as belas e atemporais paisagens, lugares sagrados e cozinha italiana. Leia! Deguste!

FREI VITÓRIO MAZZUCO



quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

FRANCISCO DE ASSIS, O POBRE DE DEUS

Este é um dos mais famosos romances sobre a vida de São Francisco de Assis escrito por um grande mestre, Nikos Kazantzakis, um militante político que teve a literatura como a sua vocação maior. É autor de “Zorba, o Grego”, uma obra levada ao cinema com sucesso mundial. Seus romances figuram entre os preferidos do público leitor do mundo todo. Nesta obra, uma versão da vida de Francisco de Assis, encontramos uma arte sensível e comovente, um hino os valores básicos da fé e da fraternidade humanas. Leia O Pobre de Deus, de Nikos Kazantzakis, Círculo do Livro- Nova Fronteira, São Paulo, 1974.

Este romance é narrado por Frei Leão, e logo no prólogo ele diz: "Tu te lembras, Pai Francisco? Este indigno que hoje pega a pena a fim de narrar a tua crônica era humilde e feio mendigo no dia de nosso primeiro encontro. Humilde e feio, cabeludo da nuca às sobrancelhas, tinha a fisionomia coberta de pelos e olhar amedrontado. Em vez de falar, balia feito carneiro, e tu, para ridicularizar minha feiúra e humildade, me apelidaste de Irmão Leão. Porém, quando te contei a minha vida, começaste a chorar e, acolhendo-me em teus braços, disseste: 'Perdoa-me a zombaria. Agora vejo que és realmente um leão, pois só um leão ousaria pretender o que pretendes. (...). De tanto perguntar, minha garganta secou. De tanto caminhar, meus pés incharam. Cansei de bater às portas, mendigando a princípio pão, depois uma palavra amiga e finalmente a salvação. Todo mundo fazia troça e me tratava como débil mental. Era empurrado, escorraçado, estava farto. Aprendi a blasfemar. Afinal de contas, sou humano, sentia-me exausto de andar, passar fome e frio, suplicar ao céu sem nunca obter resposta. Uma noite, no auge do desespero, Deus tomou minha mão. E também a tua, Pai Francisco. Assim nos encontramos”.

FREI VITÓRIO MAZZUCO

segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

FRANCISCO DE ASSIS, HISTÓRIA E HERANÇA


Esta é uma obra que faltava no Brasil para ampliar ainda mais o nosso conhecimento sobre Francisco de Assis. É uma obra de vários autores, que na primeira parte mostra a História de Francisco e na segunda parte a herança de Francisco. A nova forma de vida de Francisco gradualmente se cristalizou após um período em que viveu como eremita fora de Assis, restaurando igrejas em ruínas, corrigindo seus erros, apoiando a sua vida nas escrituras. Enfim um caminho de maturidade espiritual. Vive o estilo da igreja primitiva e dos apóstolos. Era muito consciente da total presença divina, fazendo com que todo o mundo fosse um anfiteatro para o louvor ao Criador.

Seu ideal teve um grande apelo para uma ampla variedade de pessoas de várias origens, seus seguidores também onipresentes, levaram sua mensagem de penitência e renovação com força missionária. Sua Regra de Vida é uma força vital e vinculativa. Este livro concentra-se no fundador e no primeiro século da vida e do apostolado de seus primeiros discípulos. O último capítulo fala da era moderna e ao mundo do ecumenismo, ao qual Francisco é uma figura atraente.

Imperdível esta obra! Leiam: Francisco de Assis, História e Herança, Michael J.P. Robson ( Org.), Editora Santuário, Aparecida,SP,2012.

FREI VITÓRIO MAZZUCO

terça-feira, 24 de janeiro de 2017

FRANCISCO DE ASSIS, EM BUSCA DE DEUS

“Nada se improvisa na vida de uma pessoa. O ser humano é sempre filho de uma época e de um ambiente, como as árvores e as plantas. Um abeto não cresce nas selvas tropicais nem um baobá nas alturas nevadas. Se um alto expoente humano surge na cadeia das gerações, podemos estar certos de que não brota de improviso como os cogumelos nas montanhas".

"Nossa alma se recria à imagem e semelhança das ideias que gravitam ao nosso redor, e nossas raízes se alimentam, como que por osmose e sem que o percebamos, da atmosfera de ideias que nos envolve. Para sabermos quem é o ser humano, temos que olhar ao seu redor. É o que chamamos de contorno vital.
Quando entrou no mundo pela janela de sua juventude, o filho de Pedro Bernardone deparou com um quadro de luzes e sombras. As chamas da guerra e os estandartes da paz, os desejos de reforma e a sede de dinheiro, tudo estava misturado na mais contraditória fusão. Se quisermos desvelar o mistério de Francisco de Assis, pelo menos alguns segmentos, é essa a pretensão deste livro, comecemos observando o que acontece ao seu redor”.

Com estas palavras do autor, apresento esta obra indispensável: O Irmão de Assis, de  Inácio Larrañaga, Paulinas, São Paulo,2000.

FREI VITORIO MAZZUCO

sexta-feira, 13 de janeiro de 2017

FRANCISCO DE ASSIS E O SENTIMENTO ESTÉTICO CHEIO DE VIRTUDES

Uma das obras mais lidas no mundo franciscano é a biografia São Francisco de Assis, de Maria Sticco, Vozes, Petrópolis, 2001. É uma obra escrita por alguém que amou profundamente São Francisco de Assis. A autora nasceu em Perugia, aos 23 de Novembro de 1891 e faleceu em Assis no dia 18 de março de 1981, aos 90 anos. Uma mulher de literatura e espiritualidade e que muito contribuiu para a espiritualidade franciscana. Tornou-se uma leiga intelectual consagrada. Uniu estudo, silêncio, oração, pesquisa e mística. Ela não escreveu sobre ele, ela deixou-se moldar pelo ideal franciscano. Viveu no mundo como uma mulher das letras e mestra do espírito e vida franciscana. Agostinho Gemelli, OFM, no prefácio da obra sintetizou bem o que o livro traduz:

Baseado diretamente nas Fontes Franciscanas, chega, através da meditação, à compreensão da humanidade e sobrenaturalidade de Francisco de Assis, numa fusão do elemento humano e divino. A obra quer apresentá-lo através dos fatos, de um modo muito vivo e muito próximo, para que o leitor tenha em sua frente a imagem e a identidade de Francisco. É mostrar através de Francisco uma consciência e um modo de ser cristão. É uma narração religiosa e artística ao mesmo tempo. É um livro sereno, escrito com amor, por um coração franciscano.

Diz Maria Sticco: “O amor de Deus o leva a encontrar alegria em tudo, mas especialmente na dor perfeita, e eis a conclusão de que a vida é boa e tanto melhor quanto mais dolorosa; faz-lhe abraçar a morte como irmã, e eis que, se outros poetas haviam entendido que o amor é morte, São Francisco afirma que a morte é amor, compreendendo-o Dante e compreendendo-o todos aqueles que na vida não encontram amor e que, à palavra do santo, o esperam firmemente na agonia”. Se alguém quiser entender os princípios cavalheirescos que inspiraram o caminho de Francisco de Assis, leia esta obra!

FREI VITÓRIO MAZZUCO

quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

FRANCISCO DE ASSIS, UM SONHO CULTURAL E ESPIRITUAL DA HUMANIDADE

Vou ao prefácio da obra que quero comentar para tirar as ideias principais desta crônica. Não existe santo a respeito do qual se tenha escrito tanto como de São Francisco de Assis. As publicações dedicadas a ele ultrapassam o quadro da literatura devocional.  Ele é uma fonte inesgotável de informação e emoção. Francisco é dessas figuras das quais a humanidade sempre sentirá orgulho. Suas qualidades forçam a simpatia; seus defeitos, se os tem, são atraentes; sua santidade nada tem de afetado ou ameaçador; seus dons naturais suscitam total admiração; e seus ensinamentos exalam o frescor, poesia e serenidade, que mesmo espíritos embotados podem encontrar neles razões para amar a vida e para crer na bondade divina. A todos cativa por sua nobreza, seu desinteresse e sua bondade.

Este homem cavalheiroso avança sempre nobremente para os elevados objetivos que se propôs. Ignora pensamentos medíocres, as mentiras piedosas, pensamentos mesquinhos. Se respeita todas as elites, se obedece de boa vontade não apenas aos superiores, mas também aos iguais e aos inferiores. Não é por nenhum servilismo lisonjeiro, próprio de aduladores e de escravos. Realmente ele nasceu príncipe. E que razões teria ele para lisonjear, se não procura de forma alguma vantagens temporais? Deixa as honras para os outros, esquiva-se das polêmicas, não se preocupa com o amanhã. Quando tem dinheiro, o dá a quem lhe pede; quando não tem, vai aos mendigos para dar-lhes suas vestes. Todos os irmãos desfrutam da sua afeição. Em primeiro lugar os leprosos. Em seguida, os salteadores dos caminhos e os demais pecadores, pelos quais transborda de indulgência e ternura. Pois não julga a ninguém. Inclina-se obsequioso ao menor dos semelhantes, trata a todos com respeito, fala a todos com gentileza e cortesia.

Quer saber mais? Leia a bela biografia: Vida de São Francisco de Assis, de Omer Englebert, EST Edições, Porto Alegre, 2004.  Obra indispensável! Uma primorosa tradução de Frei Adelino G. Pilonetto.

FREI VITORIO MAZZUCO

terça-feira, 3 de janeiro de 2017

FRANCISCO DE ASSIS: O LEIGO E O RELIGIOSO

Indico o livro Francisco de Assis, de Jacques Le Goff, Record, Rio de Janeiro, 2007. O autor, consagrado historiador e medievalista, foi presidente da célebre Escola de Altos Estudos de Ciências Sociais, na França. Como todo bom estudioso e pesquisador do período medieval, Jacques Le Goff, não deixa de interessar-se por São Francisco de Assis. Ele mostra Francisco como personagem histórico, leigo e religioso, que sacudiu a religião, a civilização e a sociedade de então. Nas cidades em pleno desenvolvimento, nas estradas, nos solitários retiros em cavernas e florestas, com a nova prática da pobreza, da humildade e da palavra. Indo por um caminho, às vezes diferente da eclesiologia da época, mas sem cair na heresia. Francisco desempenhou um papel decisivo no impulso de novas ordens mendicantes, difundindo um apostolado voltado para a nova sociedade cristã, e enriqueceu a espiritualidade com uma dimensão ecológica que fez dele o criador de um sentimento medieval da natureza expresso na religião, na literatura e na arte.

Jacques Le Goff, nesta obra, destaca Francisco como modelo de um novo tipo de santidade centrado sobre Cristo, a ponto de se identificar com ele como o primeiro homem a receber os estigmas. Foi um dos personagens mais importantes de seu tempo e, até hoje, da história medieval. Um santo sempre moderno. Ecologista na sua fascinação pela natureza, anticonsumista na radical opção pela simplicidade, defensor da liberdade de espírito, da alegria, da vida comunitária, do feminino, uma história total que sempre abalou as estruturas do poder. Em Francisco de Assis, a vida e as virtudes são o essencial. Em vida e depois da morte, este santo, seduziu e contribuiu muito para impor um modelo de santidade em que a imitação cristológica tem grande parte e em que predominam a humildade, a pobreza e a simplicidade.

FREI VITÓRIO MAZZUCO