terça-feira, 22 de agosto de 2017

É preciso voltar a Assis - II

NÃO PODE HAVER FRATERNIDADE SEM MISERICÓRDIA


Há obediência em ouvir uma voz e vir. Há forte energia da presença fraterna. Há renovação de promessas e sentir a presença de sentir-se pertença. Há uma virtude vivida por Deus e seu Filho que nos inspira: a Misericórdia! Colocar o coração nos limites da fragilidade humana para descobrir a força de amar e cuidar. Não pode haver Fraternidade sem Misericórdia, diante dos desafios éticos e humanísticos do mundo contemporâneo.

Quando aconteceram os primeiros Capítulos das Esteiras, o momento celebrativo era Pentecostes e o fogo que estava nas cabeças vinha do incandescente amor que estava no coração. Não era fácil para eles em tempos de mudanças do feudalismo para a comuna, da eclesiologia decadente para a força dos Movimentos Penitenciais, um sentimento novo de Cortesia e Cordialidade em tempos rudes de guerras. Assis não era só videiras e girassóis, havia o expectro da guerra entre nobres e plebeus, entre o papa e o imperador entre a avareza e a desambição.

Mas hoje Assis é aqui, em tempos de guerras, tensões, violência urbana, governo paralelo do tráfico e um atentado moral que é o desgoverno ao qual estamos sujeitos. Assis é aqui em meio a surpreendentes atentados terroristas, depressão ganhando espaço como uma grande síndrome moderna;  a alienante busca de felicidade por meio das drogas; uma eclesiologia de freio de mão puxado, mas que começa a soltar-se aos poucos. Há 800 anos, um mendigo chamado Francisco,  adentra a estrutura eclesial e vai fazer um Papa sonhar; e hoje um Papa Francisco faz toda uma Igreja sonhar e anda soltando as amarras.

O Ano da Misericórdia, em 2016, nos provocou com uma rara onda positiva para repensar, viver e levar a Misericórdia. E do século XIII ao século XXI há segmentos do tempo que lembram para nós que todo tempo é tempo de salvação, e lembram para nós um tempo propício onde a salvação age com mais intensidade. Este é o nosso tempo! Viver a misericórdia é derramar qualidade num tempo de dramáticas desesperanças.

Voltar a Assis, no tempo de Clara e Francisco, é retomar o tempo de humanizar um Deus e divinizar o humano. Se não, como se apaixonar pela Encarnação? Vamos voltar como peregrinação, conversão e indulgência, levando a Misericórdia. Peregrinação andar pelos campos da realidade. Conversão como mudança de lugar. Indulgência como perdono, perdonare, per+dono, através dos dons, devolver os dons, apresentar-se com qualidade. Mais comunhão de vida. Não existe intercessão sem comunhão.

CONTINUAÇÃO DOS APONTAMENTOS DA PALESTRA NO CAPÍTULO DAS ESTEIRAS DA FAMÍLIA FRANCISCANA DO BRASIL - APARECIDA - AGOSTO 2017

FREI VITÓRIO MAZZUCO

sexta-feira, 18 de agosto de 2017

“É preciso voltar a Assis!”


Não podemos voltar ao passado, mas podemos trazê-lo de volta até nós e atualizá-lo. Francisco de Assis e Clara de Assis não são santos do passado, mas sim do presente. Eles puxam a nossa história para a frente e apontam um futuro de esperança. Eles são santos da utopia e sonhos não envelhecem. Falta de esperança e desencanto no mundo não fazem parte da nossa proposta franciscana e clariana.

O Espelho da Misericórdia é olhar o mundo e sonhar, propor e concretizar uma humanidade possível, um mundo possível e um Deus possível. Assis, mais do que uma cidade é um lugar onde os espíritos sadios se encontram. Assis é aqui no Capítulo das Esteiras onde o ontem e o hoje se encontram para tecer propostas urgentes agora e para o amanhã de certezas.

Vamos voltar a Assis como Capítulo das Esteiras, vamos refazer I Fioretti 18, que narra para nós a inspiração do fato: “Grandes coisas prometemos, maiores nos são prometidas”. A palavra Capítulo tem sua raiz latina “caput”, isto é, cabeça. Mas num sentindo mais amplo, o que está na totalidade do nosso corpo, mente, espírito, alma e coração. “Caput” é o que está no mais alto dos nossos anseios, o que está em nosso centro, núcleo, no lugar mais elevado, naquilo que está acima, no mais importante.

Temos que dizer como o apóstolo Paulo que Cristo é a cabeça do Corpo Místico.  Caput, Capítulo, Capitão, Capital, a cidade mais importante, cabeceira, o lugar da nascente, um manancial forte e inesgotável. Caput, Capítulo, o que está nas nossas cabeças? Quem é a cabeça do grupo? Para São Francisco o Espírito Santo era a cabeça, o Ministro Geral da Ordem; para Clara, o Espelho era a fusão entre a Amada e o Amado; para a Fraternidade Primitiva, o Capítulo sabia gerar adequadamente obediência, pobreza e pureza de coração na medida certa, esta coisa linda de ter a cabeça afiadíssima com o Evangelho. Então, vamos voltar a Assis, a Santa Maria dos Anjos, e reunir milhares no mesmo espírito, sem falar banalidades, mas contar as maravilhas que o Senhor anda realizando através da força do comum. Como buscar inspiração? O que move um encontro assim? O que atrai para um encontro assim? A lógica da pobreza e da simplicidade justifica as Esteiras.

APONTAMENTOS DA PALESTRA NO CAPÍTULO DAS ESTEIRAS DA FAMÍLIA FRANCISCANA DO BRASIL - APARECIDA - AGOSTO 2017

continua

FREI VITÓRIO MAZZUCO

segunda-feira, 14 de agosto de 2017

FRANCISCO DE ASSIS, NOSSO IRMÃO


Quero apresentar este livro com vários autores: Costa Freitas, David Azevedo, Adelino Pereira, Gama Caeiro Cerqueira Gonçalves, Carreira das Neves e João Lourenço,  Francisco de Assis Nosso Irmão, Problemas de Ontem e de Hoje, Editorial Franciscana, Braga, Portugal, 1995. É uma coletânea da homenagem feita a Província Portuguesa da Ordem Franciscana, na passagem do primeiro centenário da sua restauração.

O livro relata em vários artigos a Fraternidade que Francisco viveu com alma ao longo de seu caminho e dela impregnando todos os seus comportamentos, a oração, a pobreza, a pregação, a itinerância, o cuidado dos irmãos, a relação com a Igreja, a promoção da paz, a reconciliação  e todas as formas do seu relacionamento com as pessoas e com a natureza, a solidariedade, o sofrimento e o Cântico das Criaturas.

A Fraternidade é o que se vê primeiro em Francisco, como se ela fosse a esperança menina que adormecida tem no coração e que a figura do Santo faz despertar e sorrir, como luz matinal dum sol que por fim há de irradiar triunfante sobre o mundo.

No livro, os autores, levantam questões que fazem sofrer e inquietar a humanidade hoje e aí projetar o sentir franciscano.  Mais que mensagem proclamada, a Fraternidade é um diálogo que escuta o sofrer humano e procura dele participar e sobre ele dizer o que sente uma alma franciscana. A experiência de Deus, a vivência religiosa, o problema do mal, a paz e a ecologia são algumas destas questões.

FREI VITÓRIO MAZZUCO

sexta-feira, 11 de agosto de 2017

DIA DOS PAIS


Pais são histórias que atravessam anos. Encarnam valores tais como confiança, força, liderança, sustento, objetividade, proteção. Pais são ideais transformados em projeto de vida, são cuidadores da mulher e dos filhos, do biológico ao espiritual, do afetivo ao material estão ali. Têm um papel determinado na família e na sociedade. Pais são aqueles com quem primeiro brincamos na infância, com quem fizemos o dever de casa; eles repassaram segredos, disseram verdades, repreenderam com o olhar, e fizeram deles os nossos objetivos.

Pais são discretos, hábeis e ousados. Antecipam nossas intenções e guardam bugigangas úteis. Têm tino comercial e compreensão rápida. Buscam incansavelmente o bem dos filhos. Pais entendem os filhos em seus mundos; alegram-se e apoiam tudo o que de bom acontecem aos filhos, e trazem ideias para facilitar caminhos. Pais amam as mães. Pais deixam fluir coisas positivas, dão ânimo, mesmo nas dificuldades. Pais são necessários demais para moldar em nós o melhor de nós!

FELIZ DIA DOS PAIS!

FREI VITÓRIO MAZZUCO FILHO

quinta-feira, 27 de julho de 2017

O jeito franciscano de não ter cargo de mando


Nas Crônicas de Salimbene de Parma temos o relato: “Também Frei João de Parma, sendo Ministro Geral, quando se tocava o sino para limpar os legumes ou verduras, ia aos grupos de trabalho do convento e trabalhava como os outros irmãos, como muitas vezes vi com meus olhos. E porque me era familiar, eu lhe dizia: “Pai, vós fazeis o que ensinou o Senhor: Quem é o maior entre vós faça-se o menor, e o que precede como quem serve” (Lc 22,26). E ele respondia: “Assim devemos cumprir toda justiça, isto é, a perfeita humildade”. Também participava do ofício eclesiástico dia e noite, principalmente das Matinas, das Vésperas e da missa conventual. Tudo o que o cantor lhe pedia, fazia-o imediatamente, iniciando as antífonas, cantando as leituras e responsórios e rezando as missas conventuais” (Slb 44).

Num mundo onde existe competição, excesso de status hierárquico, sedução do poder, domínio e ostentação do cargo de mando, vale este jeito franciscano de servir. Ter um cargo não é ter poder, mas serviço. Serviço como a ação generosa de se dar, uma ação esplendorosa de disponibilidade humilde, generosa, cheia de cordialidade. Fazer na pura gratuidade, no modo de doar-se livremente, voluntariamente, na oferenda do fenômeno chamado amor.

Não é ter cargo de mando, mas estar na ação espontânea de ser útil, ser capaz de estar à altura de uma grande ou pequena ação feita na boa vontade. É aquele que tem no servir o espírito do serviço. Servir é eliminar a superioridade. Não é ser maior ou melhor, mas é dar-se sem conotação de domínio, de imposição, de exploração e de poder. É a original doação do simples, capaz de um trabalho humilde.

FREI VITÓRIO MAZZUCO

quarta-feira, 12 de julho de 2017

Francisco de Assis, visitado pelo Senhor


Diz a Legenda dos Três Companheiros: “Quando, já refeitos, saíram de casa e os companheiros todos juntos o precediam, indo pela cidade a cantar, ele, levando o báculo na mão como senhor, ia um pouco atrás deles, não cantado, mas meditando com mais diligência. E eis que subitamente é visitado pelo Senhor, seu coração fica repleto de tão grande doçura que ele não podia falar, sentir nem se mover, e nada mais conseguia sentir ou ouvir, a não ser aquela doçura que de tal modo o alienara dos sentidos corporais que, - como ele disse posteriormente – se naquele momento tivesse sido todo cortado em pedaços, não teria podido mover-se do lugar” ( 3Comp III, 3-4 ).

Em muitos e muitos momentos de sua vida, Francisco de Assis entrou num recolhimento necessário. Saiu dos tumultos do mundo para concentrar-se em estar mais perto do seu  Senhor. Numa busca fervorosa, as respostas vão tornando-se mais claras. É uma passagem mística! E a passagem mística significa de uma experiência que se tem escolher com mais intensidade, escolher o melhor, escolher com exatidão o que é o Espírito do Senhor e o seu santo modo de operar e recolher-se mais na exatidão do que o Espírito do Senhor está pedindo. É o instante de intimidade que irrompe no coração.

Ser visitado pelo Senhor, ser visitado pela inspiração, ser visitado pelo amor. É aquele momento que instaura uma vontade de existir na doçura do Senhor. A partir de então, Francisco de Assis fala com a suavidade do Senhor. Doçura é contraste com a aridez, doçura é contrário de vazio, do sem sentido. Ao encontrar o instante da graça que toma conta de todo ser, Francisco de Assis procura não perder este momento, e guarda o suave, hospeda a calma e, na serenidade, tem as melhores palavras, atos e presença. Na paz que isto traz percebe melhor a verdade de todas as coisas. Começa a falar com a tranquilidade do Senhor. Vai mais para dentro de si, torna-se rigoroso na busca, mas muito cordial com tudo e todos. Encontra a nova medida do agradável. Experimenta o serviço abnegado ao desprezível.

Ser visitado pelo Senhor é a doçura do enamoramento, a medida exata do modo de amar, servir e trabalhar; é ter a coragem de ser diferente, de ser despertado por uma grande afeição. Ser visitado pelo Senhor traz para Francisco o sabor suave da vida. Atentos a esta experiência vamos também experimentá-la em nós.

FREI VITÓRIO MAZZUCO

segunda-feira, 3 de julho de 2017

FRANCISCO DE ASSIS E A ESMOLA



Na Vida Segunda de Tomás de Celano temos o relato: "Noutra ocasião, na Porciúncula, ao voltar um irmão de Assis com esmola, já próximo de cemitério, começou a prorromper em canto e a louvar o Senhor em alta voz. Tendo-o ouvido, o santo salta de repente, corre para fora e, tendo beijado o ombro do irmão, coloca o saco em seu próprio ombro e diz: 'Bendito seja meu irmão que vai com prontidão, pede com humildade e volta alegrando-se'” (2Cel 76).

No início da Ordem havia o frade esmoler. Saía pedindo esmolas para ter o que partilhar com a Fraternidade e com os pobres que batiam as portas das Fraternidades. A esmola, no período medieval, podia ser a ostentação de quem tem e podia dar, como a superação de todos os entraves daquele que ia pedir. Dar e receber comportam valores. O Evangelho é claro quando diz: "Recebeste de graça, de graça deveis dar” (10,8). Pedir era um exercício de extrema humildade. Dar era o exercício de colocar em comum. Francisco ao ver o irmão voltar cantando e louvando sabe que este está feliz pelo dever cumprido de pedir para suprir as necessidades dos que precisam. Sai em direção ao irmão num salto de acolhimento, gratidão e reconhecimento. Beija os ombros que suportaram o peso das coisas carregadas. Esmola é prontidão em perceber as necessidades; é a humilde receptividade do pedir e receber, é a alegria de ver o amor transformado em gestos concretos de comunhão de palavras, presença e de bens.

FREI VITÓRIO MAZZUCO

quarta-feira, 31 de maio de 2017

FRANCISCO, CAMINHO E SONHO


O autor desta obra diz: “São Francisco, quando eu escrevi as páginas deste livro, e mesmo agora, tantos anos depois, é para mim o homem que caminhou através da porta estreita de sua cidade, deixando para trás posses, mãe, pai, amigos e parentes, e começou a viver no meio de leprosos uma vida livre e desprendida que transformou o pântano fétido abaixo de Assis em um novo Éden, um paraíso de amor cristão. Esta imagem tem permanecido comigo, e esta imagem fez deste livro para mim uma alegria em escrevê-lo. (...).

    Hoje, quando você caminha pelo interior da Úmbria, a paz de São Francisco infiltra na sua alma, e você começa novamente a acreditar que a perfeita alegria é possível, mesmo para homens e mulheres modernos, nos mesmos termos em que São Francisco a conquistou.  A maior parte consideraria esses termos muito elevados: Francisco conquistou a alegria através do perfeito desapego. O que vem a seguir é o relato de um peregrino sobre o que o desapego envolveu. A história começa e termina com a morte de Francisco. Tudo nesse intervalo são lembranças e consequentemente, os incidentes são fragmentados e fora de linha contínua da narrativa. Sua unificação é, eu espero, o próprio Francisco”.
Tudo isto  está na simpática obra: FRANCISCO, A caminhada e o sonho, de Murray Bodo, CFFB, Petrópolis,2004. Leiam!

FREI VITÓRIO MAZZUCO

terça-feira, 16 de maio de 2017

Francisco e o irmão corpo


Frei Vitório Mazzuco

Conta Tomás de Celano: “Disse também uma vez o santo: ”Deve-se prover o irmão corpo com discernimento, para que ele não provoque a tempestade da tristeza. Seja-lhe tirada a ocasião de murmurar, para que ele não fique entediado de vigiar e de perseverar reverentemente em oração. Ele, pois diria: “Morro de fome”, não consigo carregar o peso de teu exercício. Depois de ter devorado suficiente ração, se ele resmungar tais coisas, sabei que o jumento preguiçoso precisa se esporas, e o burrinho indolente espera chicote” “ ( 2Cel 129 ).

Hoje muita gente quer moldar o corpo com exercícios e dietas. Nas academias os horários estão cheios com pontuais exercícios. Nos bosques e logradouros próprios para isso, caminhadas e corridas. Suplementos vitamínicos. A vida é fit, o alimento é fit, a mística é fitness. Para se chegar a medida certa acontecem acertos e exageros. Será que forçar o corpo além das suas possibilidades é sadio? Fazer dieta é não comer, ou saber comer? É preciso escutar o corpo que clama como no texto acima: ”não consigo carregar o peso de teu exercício!”.  Claro que o corpo tem que ser domado como o texto acentua: “o jumento preguiçoso precisa de esporas”. Mas atenção a medida certa! Nem demais, nem de menos. A fala de São Francisco, segundo Tomás de Celano é clara: “Deve-se prover o irmão corpo com discernimento para que ele não provoque a tempestade da tristeza”. 

Mas o texto acima, falando do corpo chama a atenção também para exercitar-se na oração. Quando o corpo está bem, a alma vem junto. 

Se existem programas para deixar um corpo sarado, por que não cuidar também da alma?

sexta-feira, 12 de maio de 2017

Feliz dia das mães


Mãe é uma identidade humana grudada em Deus, pois exerce a modo divino o jeito de criar, amar, cuidar. Mãe é uma vida, uma história, um nome que vive acordado dentro da gente.  Mãe oferece um amor gratuito feito bênção. Muitos vão dizer que celebrar o Dia das Mães é apelo comercial, porém as estradas estão cheias de gente indo, os almoços preparados, presentes escolhidos, casas reencantadas de presenças filiais, túmulos novamente floridos, músicas dedicadas, e muita gente reunindo histórias.

Mãe tem este inocente jeito de amar onde os sentimentos não são vagos, mas onde o amor é encarnado e incondicional. Desprendida, natural, paciente, silenciosa, chora e ri deste jeito filial de chegar partindo.  Mãe não representa o amor como numa novela, mas é o próprio amor em seu jeito mais natural na tela de nossa vida. Mãe tem este jeito onde o humano se transcende, uma energia interior onde o amor sempre está ali. Mãe é a nossa casa verdadeira, e quando ela se vai é como se andássemos pelo mundo buscando o lar perdido. E quando ela ainda está viva voltamos sempre à sua morada para descansar lá dentro, num imenso colo.

Mãe é aquela que revela o jeito de amar como um estado de ser, por isso não se cansa de fazer. Suas palavras soam em nós como um mantra repetitivo e necessário: Não se esqueça de levar agasalho! Tomou seu remédio? Arrumou sua cama?  O almoço tá na mesa! Fez o dever de casa? Não saia sem documentos! Colocou o relógio para despertar? Tomou banho? Não perca a hora de ir para a escola!  Vai quando visitar seus avós? Não seja malcriado! Deus te abençoe! Ah! Estas palavras soam como a batida de seu coração ao ritmo dos cuidados diários.

Mãe tem este jeito simples onde a santa simplicidade armou tenda numa experiência profunda: amar é dar-se. Mãe marca plantão na cozinha temperando com vida um alimento que não encontramos em lugar nenhum. Ela vive o que o Evangelho diz ser sal da terra e luz do mundo. O Dia das Mães não é para os que compram nas Casas Bahia, o Dia das Mães é para os que celebram!  Às Mães nossas preces, as nossas mais belas orações que brotam de corações agradecidos.

Feliz Dia das Mães!

Frei Vitório Mazzuco