quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Morte e Vida Natalina


Mais um momento chega até os nossos olhos e agendas. Momento de viajar e gastar o corpo em ônibus, carros, enfim, em estradas e rumos. O mais interessante, nesta experiência de vai e vem, é que concluímos que o nosso verdadeiro e histórico lugar de apoio, origem e memória nunca é onde estamos (isto se evidencia na maioria das pessoas).

Estamos sempre fora de nosso início, daquilo que esperamos “visitar”, ou melhor, revisitar. Visitar a família ou a nossa casa de origem é uma maneira que encontramos, pedagogicamente, de nos tatearmos e nos acariciarmos. Já peguei tantos metrôs, aviões, destinos diversos, mas nenhum tem a lógica desta “viagem” de final de ano, um fenômeno que invade internamente feito enchente.
“Natal”, já falei tanto disso em artigos, palestras, textos e poesias, sempre tentando desvencilhar hábitos coletivizados, com uma pitada de criticidade frente ao valor singular desta época, porém, hoje aqui, diante destas palavras, calo como mãe diante de um leito do filho enfermo por uma doença misteriosa. Não sei o que dizer, não sei o que imaginar, apenas embalo-me no acontecimento, com um sentimento de cansaço. Tantas coisas fizemos, lutamos, brigamos, conseguimos, frustramo-nos, acreditamos, amamos e deletamos de nossas listas de prioridade neste período de 360 dias. O cenário da vida se equaciona num calendário? Não sei, pois estamos sempre muito ocupados para nisso pensar.
Sempre tive a imagem do natal como um grande enterro. Enterro de nossas vaidades – aquilo que tentamos sobrepor ao outro. Enterro de agendas e cronogramas, para que dali eu possa presenciar o broto autêntico da vida, sem jóias e relógios, apenas nua, medida sem vergonha, descaso de mentiras e domesticações. Enterro do que não vi, não degustei, não tateei e não cheirei. O natal para mim é ressurreição do eu mais primário, mas existente, escondido, fragilizado, anêmico, marginalizado, excluído, banido, subnutrido, esquecido.
Hoje galga em mim uma vontade de dormir na estrada, a caminho de algo que não encontrei e nem encontrarei. Quero fugir das luzes e buscar a escuridão da noite de natal. Talvez lá eu possa me encontrar, perdido num ventre de rotina que hoje se resume num plano universo (um só verso), por isso, bebida e comida, um estado de sobrevivência fatal e corriqueira.
Talvez o que chamam de "noite iluminada", seja no fundo o brilho que buscamos no silêncio contemplativo da escuridão, que é sinônimo de não-aparência, não-horizonte, apenas percepção de respeito e espreiteza. Neste sentimento iluminamos a nós mesmos, nossos eixos e centros, tão desbirutados pelas gigantescas demandas e estratégias sociais, profissionais, políticas, culturais e comportamentais em que nos deixamos reger diariamente.
A ética de nosso coração está no estômago de nossa faina histórica.
Neste ano vi tanta gente falar, planejar e contar carros, apartamentos, e-mails, maridos. Outros vi enlouquecer, dormir, enfartar, casar, fugir e romper com patrões e família. Natal é motivo de memória, é o parto do novo!

Esta memória faz-me voltar para a minha imagem. Confesso que envelheci, tenho fios brancos em minha barba, barba esta de tantos comentários e deslogios (falta de cuidado, assim dizem!), meu corpo a manjedoura das minhas angústias, medos, esperanças e projetos. Hoje me identifico com Jesus no horto e não aquela imagem do presépio: vivo, como folha verde na primavera. Talvez esta confusão de imagens e cenários, entrando num complexo quase que ilegível, seja o resultado da tão falada experiência religiosa - confundir imagens, rostos, anos e etapas. Hoje não sei se sou Filho envelhecido ou tornei-me Pai, terceira pessoa da trindade. Mas com inspiração nas cicatrrizes que carrego, descrevo balbuciando ao vento: quero ser Espírito para voar deste chão, quero vitalidade para percorrer desertos e jejuns, ou então, quero ser menino aquecido pelo bafo simples e real de um burro. Sem medo de bactérias, de compromissos, de nojeiras, de absurdos, de idiotices e/ou maluquices. Quero ser/estar entre o sono do sonho e o sonho do sono, aqueles de minha infância que eram levemente encerrados ao som profético e familiar de um passarinho a mergulhar no orvalho da manhã. Na cozinha nasce o cheiro do café e o som dos passos de minha vó, preparando o caixote de lenhas, frescas para o sacrifico do almoço. Doce abandono, curta viagem, enorme distância, parida memória.

De Fábio José Garcia Paes

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Paz, Bem e Feliz Natal, Irmãos!

Mensagem de meu amigo Paulo Palladini:



Sempre falo do Natal como a festa da família. Sagrada família. Mas, que família? Pai, mãe, filhos? Ou a grande família: pai, mãe, filhos, avós, tios, primos, netos. Ou ainda com a presença de amigos, vizinhos, colegas de trabalho, irmãos da igreja, companheiros de jornada. Há muitas conformações de famílias, que incluem madrastas e padrastos, e aquelas formadas por dois pais, duas mães. E as sem pai nem mãe. Enfim as combinações são quase infinitas. Há famílias e famílias. Nossa tendência é projetar a idéia da sagrada família para outras instâncias como um bairro, uma cidade. Jesus Cristo, motivo maior para estarmos falando de Natal e família, é o representante do Pai diante do qual todos somos irmãos: formamos uma grande família humana em Cristo. Alguns filósofos pensaram a humanidade como uma só família: diante da humanidade comum a todos, somos irmãos. A humanidade é uma grande família. São Francisco de Assis, mais radical, estendeu a irmandade para além dos humanos, aos seres vivos em geral, animais e vegetais, e também aos demais elementos da natureza: fenômenos físicos e químicos, os astros, o universo inteiro. Daí: irmão pássaro, irmão lobo, irmão sol, irmã lua, irmã árvore, irmã água. Enquanto que a idéia de família atualmente quase que se restringe ao núcleo formado por pai, mãe e filhos (ou filho único), há outros movimentos que abarcam o universo inteiro. Família remete a convivência, proximidade, intimidade, amor. Ora, tem pais que não amam seus filhos, mais freqüentemente não têm intimidade com eles, não conseguem conviver, nem estar próximo. Há filhos que não amam seus pais, ou não suportam conviver com eles. Possuem apenas deveres legais, formais uns para com os outros. No entanto, formam uma família. Pode um arranjo desses ser chamado, verdadeiramente, de família? Se não existe amor para sedimentar as relações entre seus membros, ainda assim isso é uma família? O filósofo Martin Buber considerava dois tipos de relações do ser humano com o mundo: a relação Eu-Tu e relação Eu-Isso. Um humano com outro humano é Eu-Tu, tudo o que exclui o humano é relação Eu-Isso. Contudo há relações entre pessoas que adquirem o caráter Eu-Isso: quando um é objeto para o outro. Pode acontecer dentro de uma família: filhos podem se tornar objetos dos pais e vice-versa. Se, sou tratado como um consumidor de produtos ou serviços, sou um objeto: Isso. As relações humanas podem degenerar para relações Eu-Isso. Para Francisco de Assis não, tudo é Eu-Tu, o outro um igual, um irmão. Seja pessoa, pássaro ou pedra. A reverência, que ele quer observar para todos os seres, queremos também entre nós humanos: através do resgate dos valores autênticos, da ética e da moral, do respeito e da aceitação. Tudo isso exige de nós o exercício cotidiano dessas atitudes, mais ação que falação. Exige a revalorização do caráter autenticamente humano do que somos e do que podemos ser. Um Natal não se faz só com vinhos e peru assado. Faz-se com reflexão sobre essa nossa humanidade combalida e com alegria no coração. Paz, Bem e Feliz Natal, Irmãos!

Paulo Palladini
Leia www. pc.palladini.zip.net

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

FRANCISCAS PALAVRAS - XI


84. Francisco vê a vida cristã através do prisma da pobreza material que é o dar e receber; e da Pobreza Interior que é ser naturalmente humilde.


85. Em Francisco, ser Pobre é abandonar a própria família, sua sobrevivência e sua segurança, para confiar-se à Fraternidade.

86. Francisco, como convertido, ao mudar de mentalidade, renunciou o modo de julgar, agir e impor. Porém, a sua verdadeira conversão foi mudar de lugar.

87. Em Francisco, a expressão maior da Pobreza Interior é a renúncia de si mesmo, a conquista da liberdade interior.

88. A Pobreza franciscana é restituição voluntária e não renúncia. A Pobreza franciscana não nasce do desapego dos bens, mas de uma devolução ao único Dono.

89. A Espiritualidade Franciscana nos ensina que viver a Minoridade já é ser Pobre.

90. A Fraternidade franciscana e dizer: “Estou bem entre vocês!” A disponibilidade é um grande sinal fraterno de pobreza.

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

FRANCISCANAS PALAVRAS – X


75. A penitência de Francisco não era fazer exageros, mas comer o que o povo come.

76. O mundo inteiro se iluminou da presença de Deus em Francisco de Assis.

77. No seu modo místico de orar, e isto podemos testemunhar em seus escritos, Francisco fala 32 vezes o “Tu” e quase nunca o “eu”.

78. Francisco nos ensina que entrar na palavra é entrar na imagem.

79. É a Palavra que coloca Francisco em movimento.

80. Francisco é o santo da Majestade Divina.

81. A oração de Francisco é, sobretudo, uma oração de escuta.

82. O princípio ecológico de Francisco é a capacidade de maravilhar-se da atuação do Divino em tudo.

83. O que é a Pobreza em Francisco? É afastar-se de todas as formas de egoísmo.

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

FRANCISCANAS PALAVRAS – IX


67. Para Francisco, Jesus Cristo é Deus, Homem, Senhor, Servo e a Encarnação da Humildade.


68. Francisco foi acolhendo Jesus Cristo, progressivamente, como um vivente. Impôs-se à uma prática de ser outro Cristo e tornou-se a arte de viver Cristo.


69. A visão de Cristo, em Francisco, é um itinerário vivo, uma encarnação; não é uma referência a um modelo que precisa imitar apenas exteriormente.


70. Francisco não criou uma escola teológica, mas sua teologia é uma descoberta prática dos divinos mistérios que acompanham o seu itinerário espiritual.


71. A Porciúncula é a casa típica da Ordem; a exteriorização do ideal interno de cada Irmão e Irmã.


72. Para Francisco, o dom da oração supera qualquer outra atividade.


73. Para Francisco de Assis, o Êremo não acentuava um isolamento, uma alienação, um individualismo, mas sim uma Fraternidade.


74. A prece franciscana é simples, não é complicada; é pobre, límpida, livre. A sua originalidade está na originalidade de quem a viveu.

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Franciscanas Palavras - VIII


57. O finito de Francisco evocou o Infinito.

58. Para Francisco de Assis, a Vida é um complexo de Amor ao Deus da Vida.

59. Francisco é uma ação humana ética, por isso continua sendo um provocador ainda hoje, quando vivemos uma falência do caráter.

60. Francisco nos ensina que Evangelizar é tornar nova a humanidade.

61. Com a mística franciscana aprendemos ter cortesia e delicadeza espiritual.

62. Ser franciscano é acordar de manhã e não desfazer-se dos sonhos.

63. A grande atuação do franciscanismo, há 800 anos, é que ele contribui para o nascimento de um novo tipo de ser humano.


64. Francisco é um Itinerário Espiritual, uma Evolução Mística, o Seguimento a que todos somos chamados.

65. Francisco é um convertido e nisto se enquadra a sua forte personalidade. A sua conversão não é um ardor momentâneo, mas a conquista da sua perene identidade.

66. Por acreditar nos sonhos, Francisco foi em frente e esteve sempre à frente.

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Desejo, vontade e busca


Há 800 anos dizia Francisco: "É isto que eu quero, é isto que eu procuro, é isto que eu desejo de todo coração" (1Cel 22). Foi esta paixão da vontade, o desejo que instaura a busca e a criação da Ordem que se atualiza hoje. O ano de 2009 é marco comemorativo de uma escuta, conversão, discernimento evangélico, obras santas, vida pessoal e fraterna segundo o Evangelho, espanto e gratidão, maravilhamento e provocação diante do dom da vocação, restituição ao povo e ao mundo, através de palavras e da vida, através de gestos concretos. Celebrar é devolver com alegria e ação de graças tudo o que recebemos. Neste ano de 2009, nós Frades Menores queremos com toda a Família Franciscana reencantar uma origem, vocação e missão que existe a oito séculos!


Folhinha do Sagrado Coração

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Palavra Franciscana



“Meu Deus e meu Tudo!“
Francisco assim exclama, admira, contempla, repete, invoca...assim adensa a sua experiência de saborear a presença do Sagrado.

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Palavra Franciscana



Viver franciscanamente é despojar-se de qualquer sofisticação.

É repetir continuamente gestos de generosidade e acreditar numa Novidade Originária.

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Irmã Morte



Francisco de Assis preparou o momento da sua morte como uma grande celebração. Não quis o véu da tristeza mas sim o sereno júbilo dos realizados. Convocou os frades para entoarem o Cântico das Criaturas onde um verso assim dizia:


"Louvado sejas, meu Senhor, por nossa Irmã, a morte corporal, da qual homem algum pode escapar!" E assim aconteceu o seu "transitus", isto é, sua passagem para a vida eterna, no entardecer do dia 03 de outubro de 1226. .

Assim, a palavra "trânsito" passa a ser uma tradição franciscana para lembrar a última e definitiva passagem do humano. É a viagem dos justos para a eternidade, a passagem desta vida para a vida eterna. A este trânsito alude o prefácio da Missa de Exéquias: "aos vossos fiéis, Senhor, a vida não lhes é arrancada, mas apenas transformada".

Que transformação é esta? A alma entra glorificada no Paraíso que construiu já aqui nesta vida. Constrói na força do instante bem-vivido, cada dia, para habitar na eternidade. O jeito franciscano de viver é abraçar a pureza evangélica; ser um amante da fraternidade; um apóstolo construtor da paz; cultor da pobreza, alegre e pequeno servidor; denunciar com o testemunho de vida a vaidade e o poder; ser uma criatura livre nas asas do espaço e do tempo; cantar sem cessar a alegria de viver! Quem vive assim, permanece!

A morte não marca o fim da existência do humano que crê, mas abre as portas para a verdadeira imortalidade. Quem vive imerso na Grandeza do Amor celebra, com os irmãos e irmãs, a vida de tudo e de todos, imprimindo certeza e alegria de quem sabe que, vivendo uma vida fiel aos valores do Evangelho, vai participar da Ressurreição. .

A morte dá um acabamento final a uma vida de empenho, ascese, entrega e penitência. É um happy end. Uma apoteose final. Ser penitente é limpar dentro de si e na vida aquilo que não é bom para se chegar a uma retidão de vida. Não adianta lutar por uma ordem externa, se o interior não tiver conquistado a própria harmonia. Superar dificuldades, doenças, sofrimentos, limitações pertence também ao caminho da perfeição.

A boa tradição franciscana acolhe serenamente a morte, cantando, porque a vê como o momento culminante da vida. É a porta para a Vida Eterna! "É morrendo que se vive para a Vida Eterna!" Hóspede bem-recebida é abraçada por um divino nobre e não por um humano amargo. A morte é consumação da existência e a entrega de uma vida vivida em plenitude. A consciência da morte é que dá sentido à vida, pois esta é compreendida como mera transitoriedade. Através da morte podemos contemplar a presença do Grande Pai acolhendo, recebendo o filho ou a filha amada. A entrega final e reconciliadora com quem nos deu a origem. Louvado sejas, meu Senhor, pela Irmã Morte! Morte que abre as portas para ti! Morte que chegou na hora devida, preparada, amada, intensa. Morte na Paz, morte no Bem, morte para a Vida, morte sem morte, morte Irmã!

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Palavra Franciscana


Este é o modo de ser natural de Francisco: pródigo, nobre, jovial, cordial, magnânimo, generoso, simples e amigo.

terça-feira, 20 de outubro de 2009

O Caminho na Espiritualidade Franciscana


No 5º Congresso Franciscano de Espiritualidade, realizado em Curitiba, organizado pela USF, Bom Jesus, FAE e IFAN, abordei o tema do caminho na espiritualidade franciscana, tendo como mote a palavra Caminho. Confira no site www.franciscanos.org.br a palestra na íntegra.

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

terça-feira, 6 de outubro de 2009

ABERTURA DO MÊS FRANCISCANO NA USF

VIII Centenário da Fundação da Ordem
“Compreender Francisco e compreender a nós mesmos.”
 

Com essa divisa, iniciou-se a celebração do Mês Franciscano na USF, campus Bragança Paulista, no dia 1º de outubro/2009, às 19h30 no salão nobre. Participaram Alunos e Professores de turmas de Administração, Ciências Contábeis, Direito, Educação Física, Processos Gerenciais, Logística e convidados.

Preparado com carinho pela Pró-Reitoria Comunitária, o programa cumpriu os seguintes números:

1. Saudações do Vice-Reitor no exercício da Reitoria Frei José Antonio Cruz Duarte; do Prof. Evandro Luis Amaral Ribeiro, Pró-Reitor Comunitário e do Prof. Joel Alves de Souza Jr., Diretor do Campus. Realçaram todos o dom do tempo presente na busca de parâmetros educacionais , espelhos de vida, sob a inspiração da transcendência e da fraternidade do Patrono São Francisco de Assis.

2. Apresentação da Orquestra Experimental Mirim “Arte e Vida”, da ONG “Viva Vila”, de Bragança Paulista. Sob a regência do Maestro Roberto Marin, as crianças e adolescentes executaram com muita originalidade a conhecida melodia da Oração da Paz, do jesuíta paraguaio Pe. Irala; em seguida, peças simplificadas, estilo “clássicas populares” – como se comentou – , de Schubert, Bach e Beethoven. Muito aplaudidos pela graça e pelo toque pedagógico, em se tratando, sobretudo, de crianças e pré-adolescentes.

3. Frei Vitório Mazzuco, Moderador da Formação Permanente, Vice-Provincial e
Vice-Presidente da Mantenedora, brindou os atentíssimos presentes com a palestra “A Graça do Carisma”. Desdobrou, em power-point, esse subsídio nº 6 da Formação Permanente da Província da Imaculada, mais o nº 7: “800 Anos do Movimento Franciscano”. Expôs como revitalizar a Espiritualidade, o Carisma Franciscano mediante o itinerário de revitalização proposto no triênio da celebração do VIII Centenário da Ordem, na aprovação da Regra de Vida pelo Papa Inocêncio III: a escuta, a conversão e o discernimento evangélico – mediante as obras, traduzir hoje a capacidade de projetar a vida pessoal fraterna segundo o Evangelho – restituir o dom da vocação através de palavras e da vida.

Encarnando o tema, exortou a comunidade universitária, as famílias e a cada um/a dos presentes, que é preciso “reviver o sonho, reacender a chama do carisma, o sopro do Espírito, que um dia irrompeu em Francisco e Clara”, para sermos “presenças evangélicas, fraternas, densamente humanas”, recriando hoje uma história parecida com o que eles viveram nos distantes primórdios”.

A noite franciscana continuou, no Espaço Cultural, na abertura da Exposição “Abstrações da Poética Franciscana nas Esculturas da Artista Ana Magalhães. Segundo Frei Pedro Pinheiro, “assim como um dos temas mais abordados na história da arte, é o santo de Assis, aqui também, ele é o mote da exposição onde, cada trabalho nos impressiona pela delicadeza conferida ao material bruto, construído com habilidade feminina de força misteriosa, admirável pelos caminhos da abstração que transita e pelos quais nos convida a percorrer através desta importante mostra, de mãos dadas com São Francisco”.

Profa. Dalva Leme
Pró-Reitoria Comunitária








quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Que luzes o jovem de Assis
reflete para os jovens de hoje


Num mundo consumista e descartável, um verdadeiro shopping center de modas e manias, efêmero em gosto e costumes, Francisco de Assis é um personagem cristão e santo que faz comemorar, neste ano de 2009, oito séculos de aprovação de sua Forma de Vida. São 800 anos da garantia de um encontro leve e simples da experiência franciscana com os sonhos secretos de uma época de ontem e de hoje, que aspira viver um humanismo e fé com muita coerência; são 800 anos de presença sempre nova da Boa Nova e não um “shoptime” de histeria de novidades. Após oito séculos continua sendo um fato novo!

Num mundo que exclui a partir do status social, da opção sexual, do credo, e cada vez mais vai se fechando em condomínios; Francisco de Assis realiza a inclusão e não a exclusão. No seu tempo acata valores e vivências de leprosos, hereges, camponeses, muçulmanos, pobres, jovens, mulheres, capela em ruína e abre as portas da sua fraternidade para todos; nobres, plebeus, leigos, casais, letrados, cavaleiros e gente da terra, e vai viver pelas estradas do mundo. Compreendeu a história dos vencedores, todavia deu voz ao silêncio dos vencidos.

Sem ranço de panteísmo, ele vê a graça e a providência divina em todos os seres, convocando-nos para o sensível e o natural, sem o uso das coisas mas à convivência com elas. É o santo das aves, dos vermes, dos peixes, das plantas, do lobo, das pedras, dos bosques, da ecologia, enfim uma eterna primavera da vida! É o personagem da alegria, da jovialidade, da felicidade dos realizados; ele é a abertura otimista de todas as ações em oposição ao depressivo fechamento pessimista dos que nada fazem e só reclamam. É a força interior contra a anemia espiritual.

Em vez de currículo exuberante e técnico ele revela que da simplicidade e do concreto pode fazer nascer um competente modo de conceber e melhorar a vida. Ele não é barulhento como um hard-rock, mas lírico como um festival de música popular. Não fala muito como um midiático pregador, mas é a própria Bíblia vivente, uma encarnação do Evangelho. Na sua cidade de Assis, crentes de tantas religiões, vão reverenciá-lo, à procura de uma fonte interior, e lá não se sentem ofendidos e nem prosélitos. Sua fala de Paz e Bem, seu modo de vida solidário ensina que a única causa que pode unir toda a humanidade é a diminuição do sofrimento humano. Ele não precisa ser admirado como um ganhador do Oscar, porém precisa ser compreendido em nossas academias, escolas e famílias.

Foi um penitente e não um fanático por jejuns. Um homem light, diet, magro e despojado, não porque fez uso exagerado de drogas endócrinas, mas porque comeu o que o povo come na mesa dos comuns. Vestiu roupa confortável da estética dos livres e não dos prisioneiros das grifes e etiquetas. Ele é um herói que se bateu pela fé e pelos fracos, deste heroísmo que não faz um ato heróico de um dia, mas permanece no meio de todos como um serviço persistente. Este jovem de Assis é tão bom e atual que sua vida é uma Legenda.

Este texto foi publicado na Agenda 2009 do Grupo das Escolas Franciscanas de São Paulo

terça-feira, 29 de setembro de 2009

SÃO FRANCISCO DE ASSIS: TERNURA E VIGOR


Francisco de Assis atravessa séculos com sua vida inspirando vidas. Leonardo Boff, com sua alma franciscana, capta o melhor do Pobre de Assis e o aproxima de nós na ternura e no vigor. Este é um livro que transmite um conhecimento especial: a espiritualidade e afetividade, a profecia e o compromisso em qualificar que a vida e o humano não se separam! Mundo, convivialidade, amor, sensibilidade, cuidado, compaixão, humanidade, desejo, irmandade, estar junto com os pobres, integração, experiência do Sagrado, encarnação, masculino e feminino, eros e ágape, democracia cósmica, o universo interior reconciliado com o cosmo exterior, virtude, ascese, fraternidade, libertação que gera o belo e o bom, o justo e o livre, a fé, uma Igreja próxima e popular, seriedade evangélica e leveza de encanto, o dizer sejam bem-vindas todas as coisas, a irmã morte e as negatividades, a vida que se qualifica por uma resposta clara ao Amor. Tudo isto jorra, nesta obra, como uma cristalina fonte. Um encontro com a verdade feita na história, no coração paterno e materno de Francisco e no jeito irmão e mestre, simples e luminoso, poético e terapêutico, teológico, terno e vigoroso de Leonardo Boff.

A Editora Vozes está relançando a Coleção de livros sobre Espiritualidade de Leonardo Boff. Este  é um deles, que tive a honra de escrever o comentário na contra-capa.  

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Reconstruir a casa!


O tempo não pode ser datado com precisão, mas talvez seja durante o ano de 1205 que Francisco escutou a fala de uma inspiração: "Francisco, vai e restaura minha casa que, como vês, está toda em ruínas" (2Cel 10,4). Ruína é aquilo que perdeu o cuidado, a vitalidade, a história, o sentido. Francisco vive num momento onde o humano, a eclesiologia, a sociedade, os valores estão em ruínas. Escuta uma convocação, arregaça as mangas, e vai cuidar de si mesmo, do leproso, da fraternidade. Daí sai para dentro da estrutura eclesial, para a sociedade medieval, e para a reconstrução dos valores. A casa é a moradia do ser e do cosmo. O que está dentro e o que está fora tem que ser restaurado. Quem cuida bem da sua interioridade, cuida do humano e do mundo.
"Folhinha do Sagrado Coração de Jesus" , setembro de 2009

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

POR OCASIÃO DA PRIMAVERA

Com o mês de setembro entra em nossa vida a primavera. Quando percebemos e convivemos com o verde, flores, plantas, cores e explosão de sementes, a nossa vida não é a mesma. A primavera tem uma aura própria, mostra este jeito da vida de ser desprendida e natural. Quando aprendemos com a vida a sermos naturais, não mais pensaremos em coisas ruins, e quem sabe nem precisaremos mais de tantos remédios.

A natureza nem precisa ser pensada, praticada ou virar bandeira de militâncias ambientais... Ela, por si só, já existe, tem que ser notada e entrar em nosso modo vivente como parte de nosso ser criatural. Ela nos ensina que tudo é bom, tudo é sagrado, tudo é belo e tem este jeito espontâneo de acontecer.

Na Primavera é tempo de celebrar um Despertar! Que ela nos ensine, cada dia, a sentirmos que a vida, na sua inteireza, acorda, faz de si uma oferenda e cuida. A terra espera vigilante o sol. As árvores, flores e pássaros manifestam uma vida nova e única cada manhã, como se fosse uma nova celebração. As coisas, antes de desabrocharem, alçarem voo, deslizarem entre sulcos e leitos, florescem primeiro por dentro; e assim iniciam seu caminho de entrega.

Gosto demais das palavras de Bhagwan Shree Rajneesh, Osho, que diz: “O Todo existe como um todo orgânico. Tudo está relacionado com tudo o mais. Diz se que, mesmo que só uma gota d’água faltasse, toda a existência teria sede. Você colhe uma flor no jardim, e colheu alguma coisa de toda a existência. Maltrata uma flor e maltratou milhões de estrelas, porque tudo é inter-relacionado. O verdadeiro ateu é aquele que está sempre dizendo não à Vida!”

Que a Primavera nos desperte, crie consciência e nos renasça! E, mais uma vez, com Francisco de Assis clamemos: “Louvado sejas, meu Senhor, por todas as tuas criaturas!” FELIZ PRIMAVERA!

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

VIRTUDES A PARTIR
DA ESPIRITUALIDADE FRANCISCANA - Final


Mudar conceitos para mudar a nossa maneira de ver as coisas

CUIDADO: A essência do humano está no Cuidado; se não cuidar a vida não subsiste. Sanar, curar, cuidar...a única forma de cura é cuidar. A crise maior da civilização hoje é a falta de cuidado. Se começarmos cuidar tudo começa a dar certo. É uma nova ética no pensar, amar e fazer. Fazer surgir um novo ser humano.

MINORIDADE: Renúncia do status de quem tem, pode e sabe. É não apropriar-se do próprio poder, mas conviver com a força de tudo e todos. Não se apegar ao sistema utilitarista. É renúncia da superioridade. Se o mar não tivesse a coragem de morrer mansamente na praia, não haveria o espetáculo das ondas.

SIMPLICIDADE: É a transparência do humilde. A simplicidade é a revelação visível do húmus; isto é, a emergência do simples. A simplicidade se apóia numa experiência profunda. O simples é natural.

ESPERANÇA: É dar tempo para o desejo; ter uma expectativa, alimentar sonhos. Colocar-se nas mãos de algo que acredito com muita fé e confiança.

TEMPERANÇA: A virtude que auxilia na arte de controlar e moderar apetites e paixões. Ser sóbrio.

ITINERÂNCIA: Vem do latim Iter, isto é, caminho, via, percurso. Fazer estrada, dar um passo. Para a mística e para a espiritualidade tudo começa por um passo. “O caminho se faz a andar”.

BELO, BOM, BONDADE: A grandiosidade da vida, a grandiosidade do mundo e das pessoas só é dada para quem tem olhos para a beleza. É o brilho das coisas e das pessoas. O transparente e o transcendente. O que faz a pessoa bonita é a bondade. A virtuosidade é a beleza maior e a mola propulsora de todos os gestos de amor. O que faz o mundo bonito e é a bondade esparramada de todas as coisas. (cfr. O texto O Belo e o Bom). A Beleza diz respeito ao verdadeiro. A beleza pertence à verdade, à autenticidade. A bondade é quadro de mãe amamentando o filho. Quem age segundo o princípio do melhor é eticamente bom!

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

VIRTUDES A PARTIR
DA ESPIRITUALIDADE FRANCISCANA - VIII


Mudar conceitos para mudar a nossa maneira de ver as coisas


FÉ: É o princípio esperança, o devir, o já é do ainda não, é a dinâmica de acreditar: no Divino, na Vida e nas pessoas. A fé é ter uma saudade infinita de Deus, uma aproximação rara com o Divino.

MODÉSTIA: É a ausência de qualquer tipo de vaidade, de narcisismo, de exaltação da pessoalidade ou culto da personalidade. É desambição, despretensão, é uma simplicidade pura.

PUREZA DE CORAÇÃO: É o nome que Francisco de Assis dava à castidade. Puritas vem de fonte. A transparência cristalina do ser. O que jorra naturalmente do coração. O que está no esplendor do natural, a essência da naturalidade (virgindade).

DISCIPULADO: Deriva da palavra latina Discere que significa aprender. O aprendizado aqui não simplesmente como um conhecimento técnico, mas um encontro com aquele que ensina. Nesse encontro somos como que atingidos por um chamamento por causa de uma predileção que precedeu toda nossa iniciativa. É buscar, aprender, saber, ver o que é, experimentar, caminhar, exercitar. Identificação com um modo de ser. É receptividade!

GENEROSIDADE: É a ação baseada em valores já trabalhados a partir do nascivo, isto é, da boa educação recebida desde o berço e que continua gerando muita disponibilidade. É estar bem preparado para fazer o que deve ser feito com qualidade. Este preparo vem da terra da própria formação pessoal. Com iniciativa faz com muita naturalidade e segurança.

Continua amanhã

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

VIRTUDES A PARTIR
DA ESPIRITUALIDADE FRANCISCANA - VII

Mudar conceitos para mudar a nossa maneira de ver as coisas

BRANDURA: Maleabilidade, mansidão, suavidade, doçura, flexibilidade, maciez, afabilidade. A vida se aninha mais no brando, no flexível. É evitar a rigidez. No relaxamento, na serenidade, do distensionamento, na soltura é que habita a saúde. O muito rígido, o indevassável, tem a patologia, tem a tensão e contensão, tem uma vida cheia de nãos. Quando você levanta com brandura acorda para a vida com muita disposição; todas as coisas estão mais claras, estão mais leves. É preciso estar dentro deste sentimento de leveza, a leveza é o tom do ser.

PACIÊNCIA: É encontrar o ritmo próprio do respeito. Estar no domínio da própria ansiedade. Descobrir uma sabedoria implícita na hora, no instante. Ser tolerante. É a capacidade de suportar conflitos sem sair dos lugares dos desafios. Não é submissão, mas a coragem de dialogar com situações adversas.

BENIGNIDADE: Vem do latim medieval bene + ígneo: estar bem no fogo. A bebignidade significa estar no fogo das experiências. Incendiar, acender, iluminar. É viver entusiasmado.

LONGANIMIDADE (ou magnanimidade): Grandeza de alma. “Tudo vale a pena se a alma não é pequena” ( Fernando Pessoa). A alma é a força que comanda as emoções do corpo. FÉ: É o princípio esperança, o devir, o já é do ainda não, é a dinâmica de acreditar: no Divino, na Vida e nas pessoas. A fé é ter uma saudade infinita de Deus, uma aproximação rara com o Divino.

MODÉSTIA: É a ausência de qualquer tipo de vaidade, de narcisismo, de exaltação da pessoalidade ou culta da personalidade. É desambição, despretensão, é uma simplicidade pura.

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terça-feira, 15 de setembro de 2009

VIRTUDES A PARTIR
DA ESPIRITUALIDADE FRANCISCANA - VI

Mudar conceitos para mudar a nossa maneira de ver as coisas


CORAGEM: Vem do latim COR+AGERE, aquele que age com o coração. Sua ação vem de um impulso da segurança interna. Tem o medo dominado e não precisa de subterfúgios (como armas, por exemplo) para fazer valer o seu poder e seu domínio. É aquele que está no domínio do próprio poder.

GENTILEZA: Vem de gen, isto é, que tem um bom gen, bem nascido, bem educado, bem criado. Gentil. Que tem boa verve.

HEROÍSMO: Pessoa que por seu conjunto de valores e virtudes é protagonista de atos que transformam para o melhor vencedor (a) pelas qualidades. Herói é aquele que está dentro do limite e o carrega. É a mística da resistência. Para o herói não há indecisão. A indecisão é o espírito não madurecido para dialogar com a vida.

SEGREDO: Não é contar ou não contar; mas é apreço; isto é, esperar a pessoa certa para revelar. Segredo é comunhão de vida,alma e palavras.

CARIDADE: Conceito cristão para a prática do Amor. É o Amor feito obras, gestos concretos de atuação.

PRAZEROSIDADE: É fazer valer o desejo; a orientação íntima do querer. É escutar mais os desejos. Se escuto os meus desejos atravesso os medos e atinjo uma identidade pessoal mais tranqüila. Desatar nós para que as energias da vida possam circular. O que passa pelo coração se transforma em amor.

PRUDÊNCIA: É a pessoa que age com muita moderação, sem precipitação. Pessoa cautelosa, comedida, atenta e que evita ocasiões de erro. Sensatez.

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segunda-feira, 14 de setembro de 2009

VIRTUDES A PARTIR
DA ESPIRITUALIDADE FRANCISCANA - V

Mudar conceitos para mudar a nossa maneira de ver as coisas


SENSIBILIDADE: É o “sprit de finesse”, isto é, o espírito de plena atenção e cuidado. Colocar todos os sentidos para perceber a vida. Não deixar nada passar despercebido. Afinar o espírito para ver, sentir e exercitar a atenção. O franciscanismo nos ajuda a criar uma estética da sensibilidade, isto é, ter gestos de leveza, delicadeza, sutileza nas atitudes e relações.

SERVIÇAL (a Vassalidade): É servir por Amor. Não é qualquer atividade feita simplesmente por fazer, mas é contribuir com o Criador e seus atos de Cuidado pela vida. É uma ação bem produtiva, bem atenta às necessidades dos outros. Não é uma ação que se faz visando o lucro; mas é estar gratuitamente voltado(a) para as pessoas e para a vida. Não fazer simplesmente por dinheiro, mas por uma causa nobre. Para Francisco de Assis, isto o moveu a servir leprosos, trabalhar com camponeses. Para ele o serviço faz parte da conversão. O estar junto com determina o lugar social que se quer abraçar e morar. Toda a ação que você faz está na dependência de servir. Você é servo e se faz naturalmente servo. A sua autonomia, liberdade e realização está em servir o Maior. É um modo concreto de viver a Minoridade.

CORTESIA: Maneira como o outro(a) deve ser amado(a) verdadeiramente. Um relacionamento de respeito, retidão e sinceridade. É a acolher o outro(a) na sua grandeza. É colocar a pessoa num acolhimento de bondade, num clima de bondade para que se sinta boa. Deixar transparecer uma serenidade existencial. Um tratamento seguro e amável que eleva a pessoa. É o cuidado com as palavras. Uma palavra dita de um modo sereno e humano motiva e recupera o humano. A cortesia reluz através de gestos de fraternidade, mansidão, gentileza, paciência, afabilidade e serenidade. Ser cortês é um modo de comportar-se diante do ser humano; às vezes é a forma de enfrentar o lado sombrio do ser humano, sabendo tratar o outro(a) nas suas diferenças.

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sexta-feira, 11 de setembro de 2009

VIRTUDES A PARTIR
DA ESPIRITUALIDADE FRANCISCANA - IV

Mudar conceitos para mudar a nossa maneira de ver as coisas

PERSEVERANÇA: É a tenacidade dos que não desistem nunca. É manter o ritmo da persistência na busca para atingir uma meta. Não entregar-se jamais. O heroísmo é feito da persistência daqueles que não param à beira do caminho. É permanecer no sonho. Somente os que acreditam nos sonhos é que chegam à vitória.

FIDELIDADE: É servir a um valor maior. É fiel porque acredita na grandeza da escolha. Quem se entrega a algo muito grande não tem dificuldade em ser fiel.

LEALDADE: É aquele que não se afasta do que realmente vale a pena. É a virtude que traz o companheirismo, dos que caminham juntos na mesma causa.

OBEDIÊNCIA: Vem do latim medieval: ob + audire. Ob significa abertura, acolhida do espírito, abrir todos os sentidos. Audire é auscultar, isto é, ouvir o que vem de dentro. Escutar um Valor Maior. Quem escuta a plenitude dos sentidos não tem dificuldade em obedecer. Obediência, portanto, é escutar uma grande convocação, uma grande inspiração.

JUSTIÇA: É a virtude que induz a cumprir o que é devido como exigência de ordem e harmonia. É fazer conscientemente o dever, o cumprimento, é retidão. É a disposição permanente e dinâmica ao bem-valor. É uma retidão em consonância com a verdade.

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quinta-feira, 10 de setembro de 2009

VIRTUDES A PARTIR DA
ESPIRITUALIDADE FRANCISCANA - III

Mudar conceitos para mudar a nossa maneira de ver as coisas

FRATERNIDADE: Criar laços consangüíneos com uma família espiritual. É a qualidade das nossas relações. A pessoa se define pelas relações qualificadas. A fraternidade ajuda a abrir mão de interesses puramente egoístas.

CONFIANÇA: Con - fiar. Fiar com. Isto é: tecer os fios da mesma trama. É abandonar-se à criatividade. A confiança é criativa; ela permite. O paraíso perdido é a confiança perdida. Acreditar na força da vida capaz de desfazer um nó.

SOLIDARIEDADE: É a fecundidade social da capacidade de amar. O amor que sai de si e vai de imediato para a necessidade emergente da situação (de algo ou alguém). É não amar por dever, amar pela naturalidade da entrega. Não dar só pão, dar a humanidade junto com o pão. Libertar-se do ideal para trabalhar com o real.

DIÁLOGO: Através da palavra, através da comunicação, através da fala e da escuta, entrar no mundo das idéias num intercâmbio de compreensão. Recuperar uma fala e uma escuta terapêutica: é a fala e a escuta que permite atravessar os nossos medos. É saber silenciar. O falar e o pensar correto tem muito a ver com o silenciar.

DISCIPLINA: Escutar o valor maior na hora de exercitar-se. Impor uma conduta para vencer o apego apenas ao agradável e fácil integrando à vida grandes desafios.

HUMILDADE: Vem de Húmus. A fecundidade que está no subsolo da vitalidade. A força escondida que faz tudo desabrochar. A capacidade de assumir o próprio tamanho sem aparentar ser maior e nem menor do que se é: é a arte de ser o que se é! É a consistência interna que dá tempo para que tudo fecunde, floresça, desabroche. O humilde se submete a qualquer condição. Tem coragem. A humildade está muito ligada ao mistério de cada um.

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quarta-feira, 9 de setembro de 2009

VIRTUDES A PARTIR DA
ESPIRITUALIDADE FRANCISCANA - II

Mudar conceitos para mudar a nossa maneira de ver as coisas

REVERÊNCIA (Ou TEMOR de DEUS): É reconhecer a nossa pequenez diante da grandeza do Criador. Evitar a presunção e o orgulho reconhecendo a grandeza e a bondade de Deus. Esta virtude torna a alma delicada, fiel, respeitosa (cfr Eclo 2, 7-13 ). É admiração, encantamento, caminho de reconhecimento da conquista da verdade do Ser e de todos os seres.

PAZ: Busca da Inteireza. Vem de Shalom (judaísmo) ou Namastê (hinduísmo). A Inteireza do ser é sempre passar o melhor do divino e o melhor do humano que está dentro de si para o outro(a). É a mesma coisa que dizer: “Sê inteiro!”, “Sê inteira!”; deixar-se moldar pelo sagrado e transformar-se em protagonista desta força divina que age dentro: “Senhor, fazei-me instrumento de tua Paz!”

RESPEITO: Sensibilidade para perceber a verdade do outro (a), sua qualidade, sua tradição, sua bagagem, sua capacidade. Valorizar tudo e a todos. A beleza que você encontra no diferente de você mesmo é sua. É dizer: “A minha alma agradece por ter encontrado você!”. Ser sal da terra: respeitar e ressaltar no outro o gosto do outro.

GRATIDÃO: Capacidade de maravilhar-se diante de tudo que se recebe. Agradecer é reconhecer.

UNIÃO: É a arte de unir pedaços e moldar um mosaico de unidade. A virtude da união é reunir o múnus, isto é, o papel de cada um(a). Unir as diferenças para criar um todo. A diferença é condição para criar a união. Se não houver o diferente, como unir? Se pensarmos tudo igual...não precisamos pensar mais.
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terça-feira, 8 de setembro de 2009

VIRTUDES A PARTIR DA
ESPIRITUALIDADE FRANCISCANA - I

Mudar conceitos para mudar a nossa maneira de ver as coisas

SABEDORIA: Vem de sabor. O sábio é aquele que sente o gosto de todas as experiências. Vai com sede e fome na busca intensa do que quer. É a arte de saborear a experiência da Vida. Oferece um conhecimento mais saboroso da verdade. É um afinidade. A via é o paladar (no plano sutil). É ver com os olhos do Bem Amado. É o conhecimento saboroso da verdade. Como diz o Mestre Eckart: “Deus degusta-se nos meus sentidos”.

INTELIGÊNCIA: Fazer valer o intelecto como lugar do aprendizado, do conhecimento, do ensinamento. Fazer evoluir a mente. Inter-leggere é ler dentro, penetrar fundo na ordem natural. É ter intuição do significado profundo.

CONSELHO: A palavra precisa na hora oportuna. A direção espiritual, moral, ética, virtuosa. A troca de experiências como testemunho de vida e apoio. Faz parte da prudência. Tomar decisões oportunas sem insegurança. Sugere o que fazer nas dificuldades da vida, ensina como falar, a quem falar e quando falar.

FORTALEZA: Vigor. Buscar a segurança e a estabilidade emocional. Trabalhar o físico, o espiritual e o psíquico para não de desconsertar em qualquer situação. É tenacidade. Unir as forças humanas com as forças divinas. Uma força que pode transformar obstáculos em meios; assegura tranqüilidade e paz mesmo nas horas mais atormentadas. Torna-nos capazes dos mais generosos sacrifícios.

CIÊNCIA: Ciente do ser e dos seres. Conhecer. Buscar para compreender. Sonda o universo e seus fenômenos. É entrar na realidade de tudo sob a luz de Deus. Vê cada criatura como reflexo da sabedoria e bondade do Criador. Dar o devido valor à todas as coisas, às pessoas, aos fatos e as realidades da vida e do mundo.

PIEDADE: É o modo de ser sensível na arte de relacionar-se. Procurar um relacionamento reto e justo e ser reto e justo em ter soluções para as dores do outro (a). É uma orientação das relações. É um interesse fraterno que visa o melhor. Nos capacita a enxergar e não camuflar a essência do outro (a).

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quarta-feira, 2 de setembro de 2009

O lugar da Mística da Resistência

O Centro Franciscano de Luta contra a Aids faz 15 anos amanhã (03/8).

A Mística, para muitos, é o último recurso para resistir numa situação de limite, de abandono, de sofrimento, de incertezas. Nesta hora é preciso encontrar lugar e pessoas que se encontram par ajudar a deixar transparecer a esperança, e se houver dor, achar o lugar da superação da dor. É o resgate do sentido heróico da existência. A mística traz o heróico e o heróico é a persistência na resistência. É assim que a ordem surge no meio de quase um caos. A Mística da Resistência aproxima pessoas. Na ecologia é resistir qualquer destruição da natureza; nas relações humanas é resistir a qualquer abandono e falta de cuidado pela vida. O Cefran, nestes 15 anos é o lugar desta Mística da Resistência. Ele tem força histórica moral e argumentação moral suficiente para dizer do verdadeiro lugar fraterno.

Ali transborda a energia do Amor. Ali está um manancial de cuidados que geram esta misteriosa capacidade de ser gente vencedora. Como é bom unir pessoas sensíveis às dores dos outros. É o lugar privilegiado do mais valioso encontro, o lugar da irmandade e da fraternidade. Este lugar é pura transparência de uma verdade: na dor da criatura humana, abraçada e curada, transparece algo muito grande, essencial; transparece ali uma finitude abraçada pelo Infinito. A fragilidade amparada pela potente energia do Amor gera um humano novo e forte! Parabéns Cefran! Parabéns pelos seus 15 anos em ser fonte de calor humano, proteção, companhia nas horas importantes, ação coletiva, jeito raro de ser partilha, dedicação, doação, generosidade, simplicidade, alegria, serviço, solidariedade, comunhão, lágrimas, festa, voluntariado, máximo cuidado.

Parabéns por concretizar de um modo tão evidente aquela mensagem inspirada no jeito franciscano de viver: “Pois é dando que se recebe!"

terça-feira, 1 de setembro de 2009

Palavra Franciscana


Usar um hábito, cortar cabelos à moda da antiga tonsura, jejuar, vestir-se de pobre só porque São Francisco apresentava-se assim não é interessante para nós modernos. O mais importante é entender a Força Originária que está aí.

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Palavra Franciscana


Francisco permaneceu porque tinha consciência historial.
A pertença historial gera força, coerência, pertença a uma grande família.

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Palavra Franciscana


São Francisco é a Poesia do humano.
É o humano no movimento do caminho percebendo
o ritmo e o verso do próprio passo.

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

Palavra Franciscana

Para Francisco, ser pobre não é estar sempre necessitado, mas estar sempre num movimento de busca.

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Palavra Franciscana

Francisco, ao dispor-se à vida, ao buscar o que ele mesmo não sabia, deixou-se conduzir por um real confronto com o Evangelho e assim foi conduzido ao que procurava.

terça-feira, 18 de agosto de 2009

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Palavra Franciscana


São Francisco nos ensinou que servir
é algo divino. Para ele, o próprio Deus
é o Grande Servo do Universo.

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Franciscanas palavras


Não diria São Francisco:
_ “Como Deus pode permitir uma coisa dessa?!”

Mas ele diria:
_ “O que Ele está querendo dizer com isto?”.

quarta-feira, 12 de agosto de 2009