segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Paz, Bem e Feliz Natal, Irmãos!

Mensagem de meu amigo Paulo Palladini:



Sempre falo do Natal como a festa da família. Sagrada família. Mas, que família? Pai, mãe, filhos? Ou a grande família: pai, mãe, filhos, avós, tios, primos, netos. Ou ainda com a presença de amigos, vizinhos, colegas de trabalho, irmãos da igreja, companheiros de jornada. Há muitas conformações de famílias, que incluem madrastas e padrastos, e aquelas formadas por dois pais, duas mães. E as sem pai nem mãe. Enfim as combinações são quase infinitas. Há famílias e famílias. Nossa tendência é projetar a idéia da sagrada família para outras instâncias como um bairro, uma cidade. Jesus Cristo, motivo maior para estarmos falando de Natal e família, é o representante do Pai diante do qual todos somos irmãos: formamos uma grande família humana em Cristo. Alguns filósofos pensaram a humanidade como uma só família: diante da humanidade comum a todos, somos irmãos. A humanidade é uma grande família. São Francisco de Assis, mais radical, estendeu a irmandade para além dos humanos, aos seres vivos em geral, animais e vegetais, e também aos demais elementos da natureza: fenômenos físicos e químicos, os astros, o universo inteiro. Daí: irmão pássaro, irmão lobo, irmão sol, irmã lua, irmã árvore, irmã água. Enquanto que a idéia de família atualmente quase que se restringe ao núcleo formado por pai, mãe e filhos (ou filho único), há outros movimentos que abarcam o universo inteiro. Família remete a convivência, proximidade, intimidade, amor. Ora, tem pais que não amam seus filhos, mais freqüentemente não têm intimidade com eles, não conseguem conviver, nem estar próximo. Há filhos que não amam seus pais, ou não suportam conviver com eles. Possuem apenas deveres legais, formais uns para com os outros. No entanto, formam uma família. Pode um arranjo desses ser chamado, verdadeiramente, de família? Se não existe amor para sedimentar as relações entre seus membros, ainda assim isso é uma família? O filósofo Martin Buber considerava dois tipos de relações do ser humano com o mundo: a relação Eu-Tu e relação Eu-Isso. Um humano com outro humano é Eu-Tu, tudo o que exclui o humano é relação Eu-Isso. Contudo há relações entre pessoas que adquirem o caráter Eu-Isso: quando um é objeto para o outro. Pode acontecer dentro de uma família: filhos podem se tornar objetos dos pais e vice-versa. Se, sou tratado como um consumidor de produtos ou serviços, sou um objeto: Isso. As relações humanas podem degenerar para relações Eu-Isso. Para Francisco de Assis não, tudo é Eu-Tu, o outro um igual, um irmão. Seja pessoa, pássaro ou pedra. A reverência, que ele quer observar para todos os seres, queremos também entre nós humanos: através do resgate dos valores autênticos, da ética e da moral, do respeito e da aceitação. Tudo isso exige de nós o exercício cotidiano dessas atitudes, mais ação que falação. Exige a revalorização do caráter autenticamente humano do que somos e do que podemos ser. Um Natal não se faz só com vinhos e peru assado. Faz-se com reflexão sobre essa nossa humanidade combalida e com alegria no coração. Paz, Bem e Feliz Natal, Irmãos!

Paulo Palladini
Leia www. pc.palladini.zip.net

Nenhum comentário: