quarta-feira, 17 de outubro de 2007

A Compreensão Franciscana do Homem -9ª parte


Na diversidade da sociedade medieval, entre nobres, mendicantes, guerreiros, camponeses, monges, jograis, ricos e pobres, existe um modelo de Homem? A resposta é afirmativa. Poucas épocas da história tiveram, como este período, “a convicção da existência universal e eterna de um modelo humano” (11).

A busca deste modelo está presente na interrogação de Frei Masseo: “Por que a ti, por que a ti, por que a ti?”( I Fioretti, 10).

Neste mundo que se torna sempre mais o da exclusão, marcada pela legislação dos Concílios, decretos, do direito Canônico e pela prática, exclusão dos judeus, dos leprosos, dos hereges, dos homossexuais, onde a Escolástica exalta a natureza abstrata e ignora o universo concreto, Francisco proclama, sem o menor ranço de panteísmo, a presença divina em todas as criaturas. Entre o mundo monástico banhado em lágrimas e a massa dos despreocupados mergulhados em ilusória euforia, ele propõe o rosto alegre e sereno daquele que sabe o que é realmente uma serenidade existencial. “É o contemporâneo dos sorrisos góticos” (12).


(11) J. Le Goff, L’Uomo Medievale, Roma-Bari, Laterza, 1983, 3
(12) Id. Francisco de Assis entre as Inovações e a Morosidade do Mundo Feudal, Concilium 169 (1981) 14.

Um comentário:

Denise disse...

Prezado frei, muito interessante e tocante esta série de escritos. Recentemente, por ocasião da festa de São Francisco, transcrevi o "Cântico do Irmão Sol ou Louvores das Criaturas" e me questionei se as pessoas que não conhecem a vida dele, sua estreita ligação com o Cristo, entenderiam este poema/oração apenas como cósmico, desvinculado de Deus ou até mesmo como Panteísta ou esotérico. Gostei muito da seguinte frase do senhor: "Francisco proclama, sem o menor ranço de panteísmo, a presença divina em todas as criaturas". Resumidamente o senhor explicou o que tentei transmitir para as pessoas naquela ocasião.
Sua benção.
Denise.