segunda-feira, 6 de agosto de 2007

O dinamismo sobrenatural do trabalho - 8ª parte


Os documentos de Medellín e Puebla têm a preocupação de mostrar a primazia da dignidade humana sobre o capital para que o ato de trabalhar seja mais do que uma atividade comum, mas tenha também o caráter celebrativo: “quem trabalha com reta consciência e amor da verdade e da justiça vê no seu trabalho uma doação de sua vida. Cristo nos torna capazes de vivificar pelo amor nossa atividade e transformar nosso trabalho e nossa história em gesto litúrgico”(Puebla, 213)

As Conferências Episcopais não passam indiferentes diante da importância deste assunto. Em seus documentos e declarações mostram que um dos conteúdos fortes do trabalho é ser iluminado a partir da fé e com isto atingir os setores mais humildes. Este é o núcleo da justiça social. É o que dá um novo valor à dimensão espiritual do trabalho: “Não há justiça social sem uma profunda concepção moral e espiritual do trabalho. Mediante o trabalho o Ser Humano muda a sociedade e melhora as relações sociais. É vocação e missão de mudança da situação.

Ilustremos com o que diz a Conferência Episcopal do Chile: “Deus não pode abençoar a realidade de que a pessoa humana vale menos do que o trabalho e que a dignidade humana seja pisoteada. Deus não pode abençoar o fato de uma família viver amontoada em dois cômodos. Deus não pode abençoar uma sociedade onde o dinheiro e o poder valem mais do que os homens. Buscar a ganância às custas da pobreza alheia vai contra toda lei divina, e serão malditos por Deus os que contribuem para criar condições humanas injustas” (9).

Amanhã, continuação deste subtítulo do artigo "A espiritualidade do trabalho"

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