terça-feira, 27 de outubro de 2015

PROFECIA DA FAMÍLIA FRANCISCANA DO BRASIL - II



Continuação da Introdução

Nos primórdios das primeiras comunidades, Francisco querendo animar os Irmãos a refazerem a experiência dos Apóstolos no mundo, fala de uma visão profética, conforme relata Tomás de Celano: “O bem-aventurado Francisco enchia-se a cada dia da consolação e da graça do Espírito Santo e com toda vigilância e preocupação formava os novos filhos com novas instituições, ensinando-os a andar com passo indeclinável no caminho da santa pobreza e da bem-aventurada simplicidade. E, num certo dia, ao admirar-se da misericórdia do Senhor com relação aos benefícios a ele concedidos e ao desejar que lhe fosse indicado pelo Senhor o processo de sua conversão e dos seus, dirigiu-se a um lugar de oração, como ele fazia tantas vezes. (...) Em seguida, foi arrebatado em êxtase e totalmente absorvido por uma luz e, tendo-se-lhe dilatado as fronteiras do coração, viu claramente as coisas que haveriam de acontecer. Retirando-se finalmente aquela suavidade e luz, renovado no espírito, ele parecia transformado em um outro homem.

E assim, voltando-se alegremente, disse aos irmãos: “Confortai-vos, caríssimos e alegrai-vos e não fiqueis tristes por parecerdes poucos, nem vos amedronte a minha ou a vossa simplicidade, porque como me foi mostrado pelo Senhor na verdade, Deus nos fará crescer transformando-nos na maior multidão e nos dilatará de maneira múltipla até os confins da terra. Também para vosso proveito, sou obrigado a dizer o que vi, o que eu certamente preferiria calar, se a caridade não me obrigasse a relatar-vos: “Vi  grande multidão de homens que vinham até nós e queriam conviver conosco no hábito, no santo modo de vida e na regra da bem-aventurada Religião. E eis que ainda está nos meus ouvidos o ruído daqueles que vão e voltam segundo o mandato da santa obediência. Vi os caminhos como que cheios da multidão deles a se reunirem de quase todas as nações nestas regiões. Vem franceses, apressam-se espanhóis, correm alemães e ingleses, e avança a maior multidão de outras línguas diversas. Quando os irmãos ouviram isto, encheram-se de salutar alegria tanto por causa da graça que o Senhor Deus conferia a seu santo quanto porque tinham sede ardente da conquista de outros que eles desejavam fossem acrescentados a cada dia ao seu número.

E disse-lhes o santo: "Irmãos, para rendermos graças fiel e devotamente ao Senhor nosso Deus por todos os seus dons e para que saibais de que maneira se deve conviver com os irmãos presentes e futuros, compreendei a verdade dos processos que hão acontecer. Agora, no início de nosso modo de vida, encontraremos frutos muito doces e suaves para comer, mas, pouco depois, ser-nos-ão oferecidos alguns de menor suavidade e doçura; e no fim, ser-nos-ão dados alguns cheios de amargor, os quais não podemos comer, porque devido a sua acidez, serão incomestíveis a todos, embora apresentem algum perfume e beleza exterior. E, como eu vos disse, o Senhor verdadeiramente nos aumentará em povo numeroso. Mas por último acontecerá como quando um homem lança suas redes ao mar ou em algum lago e apanha copioso cardume de peixes e, depois de ter jogado todos em seu barco, não querendo por causa da grande quantidade levar todos, escolhe os maiores e os que lhe agradam em seus vasos e atira fora os demais. Aos que consideram com espírito de verdade ficaram bastante manifestas a verdade com que refulgem e a clareza com que se manifestam todas estas coisas que o santo de Deus predisse. Eis como o espírito de profecia repousou sobre São Francisco” (1Cel 26-28).

Continua. No próximo post, o capítulo: A FAMÍLIA FRANCISCANA DO BRASIL E A IDENTIDADE COMO PROFECIA.
 

Um comentário:

Shirley Calaça disse...

Apaixonante tão grande intimidade de São Francisco com Deus.