quinta-feira, 1 de outubro de 2015

O ESPÍRITO DO SENHOR SANTIFICA A PESSOA POR DENTRO


Tenho colocado aqui estes textos para mostrar a distinção que Francisco de Assis faz entre Espírito do Senhor e o espírito carne. O Espírito é o Santo Espírito do Senhor e o seu santo modo de operar; carne é tudo o que tem o nível da materialidade sem a presença do Espírito do Senhor. Vejamos o que ele diz na Regra não Bulada:

 “Por isso, na caridade que é Deus, suplico a todos os meus irmãos que pregam, que rezam e que trabalham, tanto aos clérigos quanto aos leigos, que se esforcem por humilhar-se em tudo e por não se gloriar nem regozijar consigo mesmos nem se exaltar interiormente das boas palavras e obras e menos ainda, de nenhum bem que Deus muitas vezes faz ou diz e opera neles e por eles, segundo o que diz o Senhor: Não vos alegreis, no entanto, porque os espíritos se vos submetem (Lc10,20). E saibamos firmemente que não nos pertence, a não ser os vícios e pecados. E mais devemos alegrar-nos, quando suportarmos quaisquer angústias da alma ou do corpo ou tribulações neste mundo por causa da vida eterna.
Portanto, acautelemo-nos, irmãos todos, de toda soberba e vanglória; e guardemo-nos da sabedoria deste mundo e da prudência da carne (Rm 8,6); pois o espírito da carne quer e se esforça muito por ter as palavras, mas pouco por fazer as obras, e procura não a religião e a santidade interior do espírito, mas quer e deseja ter a religião e santidade que aparecem exteriormente aos homens. E estes são aqueles de quem diz o Senhor: E, em verdade vos digo, já receberam a sua recompensa. O Espírito do Senhor, porém, quer que a carne seja mortificada e desprezada, vil e abjeta. E procura a humildade, a paciência e a pura, simples e verdadeira paz do espírito. E deseja sempre e acima de tudo o divino temor, a divina sabedoria e o divino amor do Pai e do Filho e do Espírito Santo (cf. Mt 28,19).
E restituamos todos os bens ao Senhor Deus Altíssimo e Sumo e reconheçamos que todos os bens são dele e por tudo demos graças a ele, de quem procedem todos os bens. E o mesmo Altíssimo e Sumo, único Deus verdadeiro, os tenha, e lhe sejam restituídos; e ele receba todas as honras e reverências, todos os louvores e bênçãos, todas as graças e glória, Ele, de quem é todo o bem, o único que é bom.
E quando nós virmos ou ouvirmos dizer ou fazer mal ou blasfemar contra Deus, nós bendigamos, façamos o bem e louvemos a Deus, que é bendito pelos séculos!"  (Rnb 17).

Aqui, neste trecho da Regra, Francisco de Assis deixa claro o que é essencial. O espírito da carne, o egoísmo, busca à honra e à glória, busca à boa aparência, se esvanece em palavras solenes, para ser bem visto por todos. Este é o orgulho e a vã sabedoria do mundo da carne. Já receberam a sua recompensa, uma santidade aparente. Mas o Espírito do Senhor santifica a pessoa por dentro, em seu coração; é ali onde opera a humildade, a paciência no sofrimento, a simplicidade, a paz, e sobretudo, as virtudes divinas: a reverência, a sabedoria e o Amor. Esta é a participação na santidade do Senhor, sua Fonte Única, em louvor e ação de graças.

Continua

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