terça-feira, 6 de outubro de 2015

OBEDIÊNCIA AMOROSA


Continuação do tema abordado no último dia 2 de outubro

Quem são estas pessoas que vivem religiosamente no mundo sem estarem ligadas a uma Instituição? São aquelas que querem viver os conselhos que brotam do Evangelho. Em obediência mútua formam fraternidades. Para as três Ordens, e aqui Francisco escreve para a Ordem Franciscana Secular, vale a obediência amorosa, os que recebem um encargo sejam os menores e servos de todos, que tratem os irmãos e irmãs com misericórdia.

Vejamos uns trechos da Carta aos Fiéis: “Sendo servo de todos, tenho por obrigação servir e ministrar a todos as odoríferas palavras de meu Senhor. Por isso, considerando em meu espírito que não posso visitar a cada um pessoalmente por causa da enfermidade e fraqueza de meu corpo, resolvi transmitir-vos por meio da presente carta e de mensageiros as palavras de Nosso Senhor Jesus Cristo, que é a Palavra do Pai, e as palavras do Espírito Santo, que são espírito e vida. Esta Palavra do Pai tão digna, tão santa e gloriosa, o altíssimo Pai a enviou do céu por meio de seu santo anjo Gabriel ao útero da santa e gloriosa Virgem Maria, de cujo útero recebeu a verdadeira carne da nossa humanidade e fragilidade. Ele, sendo rico acima de todas as coisas, quis neste mundo, com a beatíssima Virgem, sua Mãe, escolher a pobreza. (....) Tenhamos igualmente caridade e humidade; pratiquemos a esmola, porque ela lava as almas das imundícies dos pecados. Pois os homens perdem tudo o que deixam neste mundo; levam, porém consigo, o fruto da caridade e as esmolas que praticaram, pelas quais terão do Senhor o prêmio e a digna remuneração. (...) Àquele a quem foi confiada a obediência e que é tido como maior seja o menor e servo dos outros irmãos. E faça e tenha misericórdia para com cada um dos irmãos, como gostaria que se lhe fizesse, se estivesse em caso semelhante. Não se ire contra o irmão por causa do pecado dele, mas, com toda paciência e humildade, admoeste-o e benignamente o apoie. Não devemos ser sábios e prudentes segundo a cerne, mas antes devemos ser simples, humildes e puros. (...) Nunca devemos desejar estar acima dos outros, mas antes devemos ser servos e submissos a toda criatura humana por causa de Deus. E a medida que todos aqueles e aquelas fizerem tais coisas e perseverarem até o fim, pousará sobre eles o Espírito do Senhor e fará neles habitação e um lugar de repouso e serão filhos do Pai celestial, cujas obras realizam. E são esposos, irmãos e mães de Nosso Senhor Jesus Cristo. Somos esposos, quando a alma fiel se une pelo Espírito Santo a Jesus Cristo. Somos seus irmãos, quando fazemos a vontade do Pai que está nos céus; somos mães, quando o trazemos em nosso coração e nosso corpo através do amor e da consciência pura e sincera; damo-lo à luz por santa operação que deve brilhar como exemplo para os outros” (Carta aos Fiéis).

São trechos entusiasmantes desta Carta aos Fiéis que nos leva a colocar-se de um modo semelhante ao Pai, Esposo, Irmão e Filho. Este é o segredo de ser um irmão e uma irmã menor. Viver a pobreza, a humildade, a submissão, a disponibilidade, e receber assim o Espírito do Senhor, que nos faz participantes da vida íntima, extraordinária, beatificante de Deus, com as qualidades de filhos e filhas do Pai, esposos e esposas do Filho, irmãos, irmãs e mães no Espírito. Um caminho sagrado, assim na terra como no céu.

Imagem que ilustra este post: Jose Benlliure

Continua

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