quinta-feira, 22 de outubro de 2015

PROFECIA DA FAMÍLIA FRANCISCANA DO BRASIL



INTRODUÇÃO

Quando o mundo entra em transformações profundas que atingem as conjunturas, as  pessoas, as  estruturas, as  religiões e a diversidade de grupos humanos, é aí que a profecia tem muito que fazer. Quando em meio à crise e problemas, é aí que o jeito profético, franciscano e clariano de ser, afirma, confirma, provoca e desafia a partir dos valores do Evangelho, este modo de ser presença, grito, convivência e respostas para infindáveis perguntas.

Profeta não fala a partir de si, mas da inspiração, da força divina que o habita. Fala em nome de uma verdade maior que é inspiração, de um valor maior que torna-se seguimento apaixonado. Acredita que há um chamado, uma escolha sagrada que atravessa a sua pessoa. É obediente, fiel e leal. Obediente na escuta do valor maior, fiel ao projeto de vida pessoal e comum, leal a Alguém. Profeta ama a Deus incondicionalmente e assume um compromisso de com Ele mudar os rumos da história. Ele não tem bola de cristal, nem é um adivinho ou guru de plantão gerando consultas. Mas é um ser de total intimidade e sincronia com o Senhor da vida e portador da maior certeza: um Deus misericordioso e compassivo aproxima-se da história, humaniza-se, devolve dignidade ao humano e esperança aos pobres. Sabe que Deus precisa de sua presença, palavra e protagonismo.

Profecia não é um tratado teológico, mas um uma experiência de Deus. Sabe a força divina presente nos fatos do Antigo e Novo Testamento e torna-se um protagonista desta força de um Deus que age através dele. Sabe compreender um Deus terno, paterno, materno e fraterno que gerou, na Aliança, grupo humano forte, desde Abraão, Isaac e Jacó até a Encarnação do Verbo. Sabe continuar a atuação encarnada deste Deus na vinda de seu Filho que pisou fraternalmente o chão da terra dos humanos para falar da Boa Nova, do Reino, da justiça, da cura, da defesa dos fracos, da sorte do povo, e de toda uma história transformada a partir da Ressurreição

Francisco de Assis, Clara de Assis e sua comunidade primeira tiveram um modo diferenciado de viver em seu tempo e em sua terra porque, através de um modo terno, vigoroso, paterno, materno e fraterno souberam fazer do Evangelho a sua própria vida, históra e votos. O amor a Deus era a primazia absoluta de suas palavras e atos. A partir deste amor encontraram a riqueza de viver em fraternidade, pregar a paz em tempo de guerras, tensões entre classes sociais, injustiça e discriminação de doentes, pobres e leprosos. Francisco de Assis, Clara de Assis e seus primeiros irmãos e irmãs viveram natural e corajosamente pobres, desapropriados e desapegados num tempo de ostentação de poder de bens, armas, terras, cavalos, roupas, hierarquia, guerra de religião, e ambição de títulos de nobreza.

Imagem: Piero Casentini 

No próximo post, continua a introdução deste tema.

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