quinta-feira, 1 de setembro de 2011

ESPIRITUALIDADE PARA UMA VIDA VIRTUOSA - 5


Temos sempre saudades daquele momento bom que criou em nós a permanência na casa. A casa foi e é o fundamento da nossa cultura, da nossa fé, da nossa educação, das nossas vivências e convivências, lugar de onde partimos para a vida e para onde sempre retornamos. O que aprendemos ali colocou em ação a beleza da vida. Casa é dom. A palavra dom pode ser associada a domus. Os dons são valores naturais da nossa casa; nascemos e fomos naturalmente formados nestes valores. Dominus é o Senhor da casa. Donna, Domina, a Senhora da casa.... Duomo de Milão.... a imponente e gótica casa de Deus (foto ao lado).

Toda atividade que fazemos é a nossa concreta resposta ao Dom da Vida. O mundo da vida provoca e cria em nós os conceitos. Por isso chegou o momento de refletirmos sobre o Dom da Vida, os Dons e Frutos do Espírito. O que significa esta reflexão? Ela nos recorda que é preciso a valorização da experiência das profundezas e da plenitude da existência. A nossa existência é factual, isto é, uma real soma de acontecimentos, mas não se esgota nos fatos. Ela é, necessariamente, a experiência de alguém buscando os sentidos de existir. O dom da vida e os dons do Espírito são os arranjos mais belos da nossa casa. Vale lembrar aqui um texto budista que diz:

“Não crie sofrimento.
Pratique virtude!
Seja senhor de sua mente e de seu lugar.
Eis o ensinamento:
Que todos de sua casa
Possam se beneficiar!”

Dons e Frutos do Espírito precisam ser buscados e cultivados. Há sempre uma verdade ainda não realizada, uma virtude ainda não vivida em nós. Dons e Frutos propõem um elenco de virtudes que são como uma escada que precisamos para entrar e sair da casa. A nossa casa nos coloca no mundo, mas com qualidade. Quem pode formular os mais belos juízos, ter as mais pelas aproximações e os mais maduros relacionamentos? Quem esteve na escuta cuidadosa das virtudes, no observar a vida das pessoas virtuosas e na prática pessoal da virtuosidade. A nossa casa (o Dom) permite as virtudes. A nossa casa faz a festa do humano e nos leva para a festa da convivência humana com qualidade. Dons e Frutos nos preparam para sermos apóstolos do humano. O que caracteriza o estar em casa, o que dá sentido a cada momento da casa, é a virtude. Se não cultivar a virtude a casa não fica arrumada, a vivência se atrofia.

Temos sempre a tendência de rotular as pessoas como boas ou más. Isto não é correto. Pelo fato de pertencer a espécie humana e estar sob o domínio do Dominus (o Senhor da Casa), ela é sempre um valor. Em vez de julgarmos se alguém é bom ou mau, devemos cultivar um contato verdadeiro e ajudar a pessoa a buscar o Dominus (o Senhor da Casa e seus Dons), ajudar a pessoa a ter um Mestre. Ajudar alguém a cultivar a realização, a felicidade. Tirá-la do medo e do investimento no pouco e no limitado. O que muitos chamam de felicidade é apenas 5% do que é realmente a felicidade. Temos que perguntar: Você tem plena certeza de que o sentimento que coloca você perto de alguém é o caminho virtuoso de Amor, ou é o medo de ficar só? Você tem certeza de que a felicidade é só qualquer relação, ou apenas sexo, ou apenas bem-estar? Não podemos duvidar que as pessoas queiram amar, busquem o amor e saibam amar; porém, muitos amam com medo. Medo da solidão. Medo de não dar uma satisfação para a sociedade ou para grupos humanos, inclusive grupos religiosos; um medo que cria uma dependência: tenho que estar ali e justificar como e com quem estou. Medo de parceiros, amigos, familiares. Um medo que não cria naturalidade, mas transforma a pessoa numa sanguessuga, uma esponja de carências.

Continua amanhã

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