sexta-feira, 29 de junho de 2007

A CONTEMPLAÇÃO DA NATUREZA - 2ª parte


A Visão Otimista do Mundo


A prece na tradição cristã antiga passa também pela contemplação da natureza, não apenas como um sentimento romântico, mas trata-se de fato de uma paixão. É saber ver! Diz São Basílio: “O Senhor não se serve de olhos para contemplar a Beleza da sua Obra, mas nós precisamos de olhos para admirá-la. A Beleza é a base da obra criadora.”.

Para os Padres Gregos a criação é Deus ornando o caos. O cosmos é o encontro da Ordem, Ornamento e Harmonia. Deus cria dando forma ao informe. O mundo é um resultado de alguém que olha segundo um modelo de Ser. O Senhor cria, cuida e conduz. Idolatria seria afastar-se de Deus, seria esquecer o mundo em sua multiplicidade, ordem e ritmo. O mundo deve ser a recordação constante desse contato com o Divino. As coisas criadas são feitas para evocar isto. Elas são um intercâmbio: Humano-Natureza-Comunhão com o Sagrado. O ser humano se torna pessoa enquanto é relação com a totalidade, e se possui relação com as coisas deve ter também uma íntima relação com o Absoluto.

Esta relação Humano-Mundo e Humano-Deus é bastante nutrida pela natureza, porque o mundo representa um espetáculo, um convite do Senhor para colocar o Humano em comunhão com Ele ao VER sua obra. Aqui está o ponto central da Espiritualidade Antiga no que se refere ao criado: a Sacralidade do Mundo, a contemplação religiosa da criação! A natureza é um livro aberto para conhecer Deus e o seu plano de Amor.

O ato criativo de Deus é contínuo, mas o ponto forte é que Deus cria Encarnando-se! O Verbo se fez carne e impregnou a paisagem humana da Boa Nova. É preciso ver com alegria o Verbo em todas as coisas, pois Ele completa o plano salvífico global do Pai, por isso é preciso Reconhecer e Agradecer. O Verbo é o sentido eucarístico do mundo.

Na Espiritualidade Patrística a visão otimista do mundo tem uma justificação soteriológica: a matéria toda é assumida pelo Verbo para operar de um modo completo a nossa salvação: “Não cessarei de levar a minha veneração à Matéria através da qual se operou a minha salvação”, escreve São João Damasceno. [1]
[1] DISCURSO APOLOGÉTICO – I: PG 94, 1245 AB.

Na sequência, a Visão Sacramental do Mundo

Um comentário:

Anônimo disse...

"A natureza é um livro aberto para conhecer Deus e o seu plano de Amor." É urgente e necessário que sejamos capazes de abrir os olhos e o coração, não só para contemnplar a natureza, mas o criador...autor de toda essa beleza.
Thereza Cristina