quarta-feira, 22 de julho de 2015

GARIMPANDO ALGUMAS ANOTAÇÕES SOBRE FRANCISCO DE ASSIS

É preciso colocar o afetivo na fé. Em Francisco afeto e espírito não se separam. Experiência religiosa que não aceita o afeto, reprime o Amor. Em Francisco, o afeto é empenhar toda força amorosa do humano, fazer tudo com sentimento, emoção e coração, que traz uma fibra consistente à alma e aos sentidos. Francisco é um gênio do Amor no sentido mais divino e humano da palavra; dele emana uma força amorosa, um carisma maravilhoso de quem põe o coração nas mãos.

Ele encarna o verdadeiro amor materno que se entrega sem cálculos e limites, denso de fecundidade e liberdade. Ele se sente pai e mãe, irmão e irmã, isto não é apenas uma afirmação, é Regra de Vida: “E onde estão e onde quer que se encontrarem os irmãos, mostrem-se mutuamente familiares entre si. E com confiança um manifeste ao outro a sua necessidade, porque, se a mãe nutre e ama seu filho carnal, quanto mais diligentemente não deve cada um amar e nutrir a seu irmão espiritual. E se algum deles cair enfermo, os outros irmãos devem servi-lo como gostariam de ser servidos” (Rb 6).

Scheler, por sua vez, descobre em Francisco um talento amoroso insuperável em que o mais profundo do amor natural humano, marcado pelo desejo, pelo eros, se eleva ao mais puro ágape, ao amor cristão feito cáritas que se entrega a si mesmo, animado pelo Espírito. A profunda e terna amizade com Santa Clara é a mais bela adequação e coroamento do Amor Espiritual, a união do amor humano e do amor divino no seu modo mais pleno.

Continua

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