quarta-feira, 22 de junho de 2016

Trovador, poeta, seresteiro e cantor



Francisco de Assis exerce há oito séculos um fascínio estranho e incrível ao mesmo tempo. Ele e sua espiritualidade são um caso de amor. Ele trouxe para a humanidade uma inspiração, um frescor espiritual, originalidade e energia criativa. Ele nasceu no século XIII, século do Amor Cortês, dos trovadores, dos bardos e menestréis, das Canções de Gesta, das Cantigas de Amigo. Nasceu num tempo onde valores eram cantados: alegria, cortesia, gentileza, o amor da Dama escondida num castelo. Para o medieval cantar era uma filosofia de vida. O trovador era aquele que inventava, criava, compunha, improvisava. Fazia da canção a sua profissão. O menestrel ou o giulare era um artista intérprete, um performático.

Dedicava-se aos temas de Amor e das estações do ano que influenciam o estado de alma. Cantavam a politica e a ética, louvavam vencedores ou choravam a morte em plangentes canções.

Francisco de Assis, como um seresteiro de seu tempo, nos ensinou a usar todos os elementos da vida para um novo respiro. E como um trovador glorificou detalhes da existência com o jeito dos jograis que não deixavam de ir para a Corte do Rei e ao palco das ruas para cantar a honra e a glória, a fidelidade incondicional, o respeito, a audácia heroica, a defesa dos fracos, o louvor a Dama feudal com sua beleza, fascínio, bondade e o encantamento da sua perfeição física e espiritual. Render homenagens e fazer soar louvores. Comunicar-se para dar qualidade a Amor. Diz a Legenda dos Três Companheiros: “Caminhando para a Marca, exultavam profundamente no Senhor, mas o santo homem, cantando em francês em voz alta e sonora os louvores do Senhor, bendizia e glorificava a bondade do Altíssimo” (LTC 33).

 Para os trovadores do tempo de Francisco, o Amor é uma força nobre que transforma o bom, o mau, o melhor, é uma fonte de virtudes. As canções de Amor colocam o humano no caminho de amar o bem. Difícil cantar hoje em terra verde e amarela, mas como Thiago de Mello, posso dizer: “Faz escuro, mas eu canto!”

FREI VITÓRIO MAZZUCO

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