sexta-feira, 24 de junho de 2016

Francisco de Assis e a vida como louvação


Leio Tomás de Celano e deparo com esta frase: “Abraçava todos os seres criados com um amor e uma devoção da qual exortava a louvar!” (2Cel 165). “Exulta em todas as obras das mãos do Senhor e intui, através dos espetáculos do encantamento, a razão e causa que tudo vivifica. Reconhece nas coisas belas Aquele que é o mais Belo; todas as coisas boas lhe clamam: "Quem nos fez é o Melhor! Por meio dos vestígios impressos nas coisas ele segue o Amado” (2Cel 165,4). A conversão de Francisco não é romper com nada; mas uma mudança visual, uma mudança de lugar. Isto dá um diferencial qualitativo em sua vida. Ver a vida de um modo diferente traz uma nova vida. Hoje vejo neo-convertidos rompendo com a vida não sabemos se o que está aí é santidade ou patologia. Francisco nos ensina que viver a vida de um modo santo é ter um referencial de Amor, Bondade e Convivência, mas dentro da realidade. Sem estar dentro da realidade somos completamente cegos.

Francisco nos ensina a exprimir e traduzir a vida com aspirações profundas, com uma presença e linguagem humana que comove e nos mostra o divino em cada detalhe da existência. Ele nos ensina a olhar a vida com olhar divino, com um ponto de vista simbólico, com um engajamento que celebra e reparte. Para ele, olhar o mundo de um modo mais espiritual é tornar-se mais humano. Ver bem a obra de Deus nos humaniza. A beleza da santidade é uma humanidade com os pés no chão e o olhar no céu. Ele não é uma baixa auto-estima, mas uma elevada auto-aceitação. Ele não é um pessimista que se esconde, mas um otimista que vê e celebra a vida. Viu tudo na união das singularidades. Amou não só as florestas, mas cada árvore. Amou as pessoas do jeito delas, de Antônio a Junípero, de Inocêncio III ao mendigo da esquina, do Sultão ao ladrão. Ele viu bem, conviveu e cuidou do que amou. Na sua humildade abraçou a verdade de tudo e de todos. Flexível, sensível, vivaz e atento, partilhou com imenso louvor a emoção, sentimentos, seus trapos, sua  fé!

FREI VITÓRIO MAZZUCO

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