segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

A TEOLOGIA DA LIBERTAÇÃO E AS ROSAS


Publico um texto de Eduardo Soares, militante da Pastoral da Juventude de Belém/Pa (edulogia@hotmail.com), que ele dedica "em solidariedade a Jon Sobrino".

Descobri que a vida precisa de rosas. Num mundo em que muitos acabam com as pétalas e deixam sobressaírem os espinhos, as rosas precisam de mais carinho. Sem seu cheiro a “razão” toma conta. Não que ela seja imatura, mas pelo fato de ser muito séria, culta.

Com seria o Senado ou o Pentágono se pelos seus arredores tivéssemos rosas e margaridas? Talvez não se resolveria todas as problemáticas nacionais e mundiais, mas suas respostas teriam outro cheiro: a redução da maioridade penal, a criminalização da homofobia, o aquecimento global e o empobrecimento social quem sabe não seriam tratados com o mesmo cuidado que as rosas merecem?

Conheci uma rosa chamada Teologia da Libertação e como as outras rosas não está somente na Igreja, mas também no jardim dos menos favorecidos. Plantada não somente por teólogos/as, mas principalmente pelos pobres, vem sendo regada por homens, mulheres, quilombolas, indígenas, crianças, jovens, idosos dentre outros/as, com o suor de sua luta e o sangue de muitos/as mártires.

Ela tem sua importância ecológica, mas busca sempre sintonizar-se a outras. Feminina de nome e de valor; mística de perfume e de natureza transcendente; política, por dar espaço a cada pétala revolucionária, pequena ou grande, tem seu destaque na beleza desta flor.

Para alguns que só vêem espinhos, ela é uma ameaça, entretanto, para muitos, a certeza de que nesta terra onde encontrar-se plantada, está sendo gerada vida. Exala seu cheiro pela vizinhança e sua fragrância anima para a militância.

Não é colocada na decoração de um casamento, simplesmente para enfeitar, mas para fortalecer o compromisso que ali está sendo firmado. Não está na berlinda simplesmente para embelezar a imagem, mas para mostrar que o caminhar ainda é necessário. Não está no funeral para cobrir outros odores, mas para ratificar que a morte já não mata mais.

“Desce da cruz os pobres” e os teólogos condenados (direito ou indiretamente), para que possam sentir o doce cheiro da libertação. Dá forças para aqueles/as que no caminho do Calvário, a cada estação, plantam rosas de esperança e sonho, para que um dia ressuscitem no jardim das rosas.

7 comentários:

Viviane disse...

Adorei o texto! A Paroquias bem que poderiam comecar a olhar um pouco mais pra essa linha de trabalho!

Rosicléia disse...

Olá querido e estimado Vitório Mazzuco!

paz e Bem!

Andei dando umas olhadinhas em seus belissimos textos. De verdade és uma pessoa maravilhosas e sensivel para entender os toques de Deus. Quanta coisa bela e profunda! Alguns eu copie e imprimi para mim!

Continue assim, levando a aboa nova do Reino através de suas lindas reflexóes e de outras maneiras também!
Obrigada por tudo! pela pessoa maravilhosa, simples e alegre que és! Amei te conhecer e conviver contigo, numa partilha de pão, afeto e fé! Valeu!

Com todo o carinho aqui do meu coração, muito a axé!
Sua Irmãs em Cristo: Rosicléia

João Lellis disse...

Da teologia dos homens pobres, sim mesmo que se apague de todos os muros ela viverá, mesmo que todas as vozes se calem, as rosas falaram e contarão a historia dos homens de bem, homens que em nome de Deus se entregam, não como um buque de rosas, mas como o fio que as une, homens que conhecem a alegria de se entregar aos outros, fazer a vontade de Deus plenamente, descer em direção aos irmãos e guia-los, não com o coração de um motorista de ônibus, mas com o coração de Moisés.
Paz e Bem, frei Vitório, lindo este texto, peço permissão para publica-lo em meu blog:
www.perfeitalegria.blogspot.com

Anônimo disse...

" Jesus então, cheio da força do Espírito, voltou para a Galiléia. E sua fama divulgou-se por toda a região. Ele ensinava nas sinagogas e era aclamado por todos.
Dirigiu-se a Nazaré, onde se havia criado. Entrou na sinagoga em dia de sábado, segundo seu costume, e levantou-se para ler. Foi-lhe dado o livro do Profeta Isaías. Desenrolando o livro, escolheu a passagem onde estava escrito: O Espírito do Senhor está sobre mim, pelo que me ungiu; e enviou-me para anunciar a boa nova aos pobres; enviou-me para proclamar a libertação aos presos e aos cegos a recuperação da vista; para libertar os oprimidos, e para proclamar um ano da graça do Senhor".(Lc 4,14-19).
Esse deve ser o sentido da verdadeira teologia! nao vi nesse texto postado pelo nosso irmao Vitorio, nenhuma alusão ao que realmente importa, que a salvaçao da alma, alias, nao entendo como um franciscano pode fazer qualquer tipo de apologia a esse movimento condenado pelo Papa.Como dizia o Papa Joao Paulo II: ...Agora que o comunismo acabou, nao se fala mais em teologia da libertaçao.

Paz e Bem

Eduardo disse...

AO ANÔNIMO E A QUEM INTERESSAR...
Bem, sou o autor deste texto e fico feliz ao vê-lo publicado neste Blog.
Agora peço permissão para deixar um comentário a cerca do supracitado:
O texto faz quase que uma releitura de Lc. 4,14-19. Agora quanto a salvação de alma, concordo desde que não pensemos em dualismo entre alma e corpo, pois corpo sem alma é defunto e corpo sem alma é "visagem". A questão de franciscanos simpatizarem a TdL, quem pode responder melhor, acho que Frei Vitório, mas sugiro que ao menos acompanhe a questão relacionada a transposição do Rio São Francisco e vai entender isto através do profetismo de D. Luiz Cappio.
Por falar em Papa João Paulo II, gostaria de externar uma felicidade pela ação dele em pedir desculpas a um monte de coisas que a Igreja condenava e que depois "descobriu" que o erro era da Igreja (Vaticano).
E por falar em comunismo, gostaria de socializar uma frase de D. Hélder Câmara: "Quando eu dava pão aos pobres, era chamado Santo.Quando perguntei porque os pobres, não têm pão, fui chamado de comunista”.

Eduardo Soares.
www.eduardo.k6.com.br

Nara disse...

Simplesmente perfeito e santo!!

Anônimo disse...

Teologia da Libertação não é Igreja Católica.