terça-feira, 18 de setembro de 2007

Encontro com o Leproso - Final

As Fontes Franciscanas falam do beijo. Beijar é passar o sopro de vida, o hálito que alenta, o toque que refaz. Mas quem beijou quem? Deixar-se beijar é mais do que beijar. Francisco recebe o toque de quem tem um último sopro de vida e esperança, um último fio de confiança. A confiança perdida é o paraíso perdido.
“E o Senhor mesmo me conduziu entre eles e eu tive misericórdia com eles” (Testamento, 2). Não disse “eu tive dó deles”, “que judiação!”, “que pena!”, mas disse “eu tive misericórdia com eles”. Ter misericórdia com! Ir lá junto do sofrimento, misturar-se com a paixão dos que padecem a falta de cuidado. Quem vai lá, pouco a pouco, traz de volta ao Paraíso. Reconduz o humano ao seu melhor lugar. É preciso ir com o coração nas mãos e nas palavras. É muito diferente ser tocado por alguém que tem o coração nas mãos. Foi assim que o leproso beijou Francisco.
Imagem do artista plástico Frei Pedro Pinheiro da Silva

Um comentário:

Denise disse...

Prezado Frei,
muito bonito e tocante todo o "Encontro com o Leproso". Refleti muito lendo isso. Especialmente hoje, nesta última parte. Tenho uma prima-irmã com câncer e estou vivendo momentos muito difíceis já há um ano. Hoje no círculo bíblico, a Lectio Divina foi sobre 1Cor 13, 1-13, e senti o quanto o meu amor/caridade é imperfeito e pedi muito a ajuda de Deus. Agora, lendo isto, já vi a situação por outro ângulo. Eu, que me achava doadora, estou na verdade recebendo vários beijos dela. Ela tem o coração na mão.
Denise.