quarta-feira, 16 de maio de 2018

REFLEXÕES SOBRE A DIMENSÃO POLÍTICA DO FRANCISCANISMO – 14


Políticos são como espantalhos

Continuação do sermão de São Bernardino de Sena 

A TIRANIA – São Bernardino de Sena marca sarcasticamente alguns vícios que os eleitores devem reparar em certos candidatos, para não se deixar enganar com falsas promessas: “O primeiro é a tirania. Quem tem este vício apresenta-se sempre como um benfeitor, mas na realidade é um estripador e um tirano. Existem, infelizmente, os tira-anos, os tira-meses, os tira-semanas, os tira-dias, os tira-manhãs, os tira-tardes, os tira-noites e até os tira-horas. Sabe quem é o tira-ano? É aquele que tira uma vez por ano. O tira-meses é pior, porque tira todo mês. Pior ainda é o tira-semana, porque tira toda semana. E o tira-dias é ainda pior, porque furta tirando cada dia. E o tira-manhã é pior, porque toda manhã vai ao palácio do governo e sempre tira. Assim também o tira-noites. E o que diremos do tira-horas? Podemos dizer que ele sempre tira, furta e estripa qualquer um que esteja ao seu alcance. E tais políticos querem ser chamados governadores do povo? A eles bem convém um só nome: ladrões!”

A INCOMPETÊNCIA – Outro veneno que deve ser evitado na escolha dos homens públicos é a ignorância e a incompetência. São Bernardino para mostrar ao povo o quanto eles são desprezíveis, usa um exemplo que pode parecer indigno de um sermão sagrado: “Vocês devem ter reparado como age o camponês que quer defender o seu campo depois da semeadura. Para afugentar os pássaros ele pega um saco, e enche de palha, coloca em cima uma abóbora como cabeça, arma os braços com um pau e bota na mão do espantalho uma vara como se pudesse bater nos pássaros...Mas os pássaros não são bobos. No primeiro dia eles olham de longe. No segundo dia aproximam-se devagar e notam que o espantalho está sempre parado. Já no terceiro dia entram no campo e começam a comer a semente., mas ficam de olho... Se o vento move um pouco o espantalho eles fogem logo, para reaproximar-se lentamente, perdendo sempre mais o medo. Às vezes um deles, mais corajoso, se aproxima e fica esvoaçando ao redor do espantalho; observando que não tem vida, pousa em cima da vara; vendo que nada acontece, perde completamente qualquer medo, para em cima do espantalho e mija na cabeça dele”.

A esta altura imaginem as risadas sonoras dos ouvintes! E São Bernardino, dirigindo-se a essas nulidades que pretendem governar o povo, concluía: “Sabe o que lhes digo? Vocês são as excelências zeros. Podem ser temidas por um certo tempo, mas nunca serão respeitadas, aliás chegará o dia em que o povo zombará de vocês e mijará sobre suas cabeças”.

Bem, este Sermão é do século XIV, e vale a pergunta: até que ponto suas palavras são atuais entre nós? Julgue a sua consciência.

FREI VITORIO MAZZUCO

CONTINUA...

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