sexta-feira, 20 de março de 2015

ANO DA VIDA RELIGIOSA CONSAGRADA - Alguns Apontamentos - VIII



41. A partir desta convocação à uma mesma vocação cristã, todos os que seguem Jesus têm os melhores meios para reunir perfeição e santidade. Para isto é preciso ser coerente com o que propõe o Evangelho. Podem variar os modos, podem variar os estados de vida, mas não variam as exigências. Para cada cristão, a melhor vocação é a sua vocação concreta, escolhida segundo o projeto de Deus sobre si. A vocação cristã, a vocação à santidade é universal, mas cada um e cada uma, é um Projeto de Deus.

42. Jesus, convidando todos a segui-lo, propõe para todos uma mensagem ético-religiosa-radical de vida. Não oferece modelos existenciais diferentes, sociologicamente, dos modelos normais de vida daqueles que o seguiam ou estavam bem próximos, como eu falei antes Marta, Maria e Lázaro continuaram em sua casa. O que importa é, no lugar onde se está, empenhar-se na máxima realização cristã. Nenhuma estrutura de vida e vocação religiosa tem o monopólio do Evangelho.

43. Não podemos concluir que todas as vocações são iguais; mesmo os diversos Carismas têm unidade e diversidade, são diferentes, como diferentes são as pessoas que o seguem. Não existem vocações para escolher, existe a minha vocação que devo seguir! Devo seguir o projeto de Deus sobre mim!

44. Deus não chama apenas para um projeto de vida, mas sobretudo para um estado de vida! Ser religioso ou religiosa consagrados não é pertencer a uma elite ou primeira classe ou categoria de pessoas (isto não dá segurança para ninguém), mas é sobretudo entregar-se com fé a esta certeza: há um projeto de Deus sobre a minha pessoa! Hoje, mesmo na animação vocacional, faz-se um discurso abstrato  da qualidade da vocação e das atividades que ela comporta (confiram os folders vocacionais). Não existe uma vocação abstrata, existe uma vocação concreta encarnada na existência humana, encarnada numa pessoa.

45. Nunca se está totalmente pronto no campo deste estado de vida. No campo do Amor não se faz nunca o bastante ou suficiente. O Amor é sempre mais livre e criativo. Ele nos liberta de uma moral de defesa (do mínimo) para uma moral de entrega, de pacto, de aliança de compromisso (do máximo).

46. São Francisco de Assis viveu radicalmente o Sermão da Montanha e a partir daí viveu todo o Evangelho. Do Evangelho que era para todos, Francisco fez a Regra de Vida de seu grupo. No seu tempo pensava-se que o Evangelho era monopólio de monges, ele colocou o Evangelho na estrada. Francisco de Assis não se apropriou do Evangelho, mas codificou a vida de seus frades com o Evangelho. Era a sua concretude. Encarnar o Evangelho era o modo mais perfeito para chegar a ser cristão. Stefano de Muret  Grandmont diz: “ Para a casa do Pai se vai por várias estradas. Se deve escolher uma estrada para chegar melhor”. Ao escolher o Evangelho como Regra e Vida, Francisco faz da Regra a seta indicativa para o caminho que é o seguimento de Cristo. Ele é o imperativo categórico de toda vida cristã.

Continua

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