segunda-feira, 17 de novembro de 2014

Reflexões Franciscanas - 7


17. Ouvir ou ler as palavras do Evangelho para Francisco não era estar diante de um escrito. É Alguém falando! “Não leveis nem ouro, nem prata, nem moedas nos vossos cintos, nem bolsa, nem suas túnicas, nem sandálias, nem cajado...” (Mt 10,9). É entrega sem reservas à uma grande convocação. É descobrir o que vai orientar a sua vontade:  “É isto que procuro, é isto que desejo de todo o meu coração” (1Cel 2). Encontrou o seu ideal: Viver pobre por Amor como Jesus. É o Evangelho que determina a sua existência e a sua sabedoria. “Meus irmãos, dizia um frade dominicano, mestre em teologia: a teologia deste homem é uma águia voando sustentada pelas asas da pureza e da contemplação, enquanto a nossa ciência vai rastejando" (2Cel 103-104 ). Quando a graça divina é derramada num coração fecundo como o de Francisco, nasce daí uma forte espiritualidade. Ela não vem do nada. Vem de uma vida aberta ao Espírito. Uma escolha convicta, pessoal. Emoção, sentimento, ideias e práticas. Personalidade forte e virtuosidade. Uma fé simples, viva, luminosa, o conduz ao Senhor que ele quer seguir e imitar (1Cel 48).

18.  Olha o que dizem sobre o meu Pai Simpático: “Existe um nome que, quando percebido, sintoniza as vibrações da alma profunda, que, quando pronunciado, o timbre da voz arrebata: Francisco de Assis! Que seus filhos e filhas, que a Igreja, que mesmo todos os espíritos religiosos venerem e celebrem este Santo, não admira. Mas, que não-católicos, que todo o mundo culto, poetas e literatos, economistas e filósofos, políticos e até estadistas modernos, vivamente se interessem pelo Santo, é simplesmente estupendo!” (P. Lippert, SJ, início de seu artigo, “in Stimme der Zeit”, por ocasião  do 7º Centenário da Morte de São Francisco ) e “Mais que um mestre, Francisco é para mim e para minhas Irmãs um exemplo de dedicação total a Deus através de Cristo e de seus pobres. A lição de Francisco consiste em estar apaixonado de Jesus Cristo; o seu exemplo consiste em pôr incessantemente esta lição em ato. Sem dúvida, Francisco, se tivesse, por mera hipótese, de voltar, serviria os pobres sobretudo com impulso de todo o seu coração, com os atos que todos os dias o Espírito do Senhor lhe ditasse. Seu exemplo vale até hoje. O amor é sempre novo, como novos são os pobres, os leprosos, os marginalizados, os sem pão e os sem esperança. O exemplo de Francisco fascina e arrasta ainda hoje muita gente, ricos e pobres. Sempre me confortou e estimulou. Para escolher os pobres, minhas Irmãs e eu sempre fomos completamente livres: foi a mesma opção de liberdade de Francisco” (Madre Teresa de Calcutá,citada por Nazareno Fabretti,  “Francisco, evangelismo e comunidades populares, in Concilium 169/1981 -9,p. 46-47).

Imagem: cena do filme "Irmão Sol Irmã Lua", de Zeffirelli 

Frei Vitório

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