terça-feira, 28 de outubro de 2014

Reflexões Franciscanas - 2



4. Bernardo de Quintavalle, Pedro de Catani, Egídio e alguns jovens de Assis e redondezas formam com Francisco uma fraternidade de penitentes. Vestem-se da mesma forma e esforçam-se por seguir de um modo encarnado o Santo Evangelho. Um dia vão à Roma pedir aprovação para o modo de vida. Levam uma Regra despojada de palavras, mas plena de conselhos do Santo Evangelho. Assustou o Papa e a Cúria com um novo jeito de viver religiosamente.  Ousadia de um leigo sempre causa hesitação em aprovações hierárquicas; mas Francisco e seus primitivos companheiros são compreendidos pelo Papa Inocêncio III.  Recebe abraço e bênção para autorizar a licença de viver e pregar o Evangelho. A primeira profissão da futura Ordem acontece ali, no ano de 1209.

5. Com a aprovação verbal do Papa, Francisco parte para concretizar a experiência daquela fraternidade de penitentes de Assis que a partir de 1210 se consolida como a Ordem dos Frades Menores. A primeira casa da Ordem é a restaurada capela de Santa Maria dos Anjos, a Porciúncula. Dali partiam, para ali voltavam numa prece contínua e pregação contínua levando a paz. Da Porciúncula para Assis, Perugia, Ímola, Cortona,  Bevagna,  Ascoli, Alviano, Arezzo, Firenze, Pisa, Siena, Sartiano, Bolonha... cidades da Itália que receberam as primeiras presenças dos frades. Depois o mundo!

6. Na Quaresma de 1212, recebe a jovem Clara de Favarone, a futura Santa Clara de Assis e com ela funda a Ordem das Damas Pobres, a segunda Ordem, as Clarissas. Neste ano de 1212, as Cruzadas agitam o mundo de então. Multidão transformada em exército partem para a guerra contra os muçulmanos. Há uma guerra santa no ar, sede de martírio e ambição em aumentar bens materiais, tudo isto aliado a um ideal de libertar a Terra Santa das mãos dos assim chamados infiéis. No meio disso tudo acende a vontade missionária, no meio do choque de religiões e civilizações, Oriente e Ocidente se dão a conhecer. A submissão pelas armas recebe o nome de conversão. Claro que ninguém converte ninguém pela violência. Francisco sonha um outro modo: dialogar no espírito. Faz um capítulo de sua Regra de Vida para “aqueles que quisessem ir entre os Sarracenos”, e dá o exemplo, embarca para a Síria para dialogar com o diferente. Uma tempestade impede a viagem e Francisco volta para a Porciúncula no inverno de 1213. Não deixa de realizar suas viagens apostólicas. Em 8 de maio de 1213, recebe do Conde Orlando a doação da montanha do Alverne. Em 1215 Francisco está em Roma, onde se realiza o IV Concílio de Latrão. Aí encontra-se com Domingos de Gusmão, São Domingos, que veio ao Concílio pedir a aprovação da Ordem dos Frades Pregadores, os Dominicanos. Na pauta do Concílio: preparativos de uma nova Cruzada, a união da Igreja grega e latina, condenação de novas heresias e autorização ou não para a fundação de novas ordens religiosas.

Continua
Frei Vitório

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