quinta-feira, 20 de março de 2014

FESTA DE SANTO: UMA ESPIRITUALIDADE BRASILEIRA - V

3. A RELIGIOSIDADE POPULAR BRASILEIRA COMO ARTESANATO DO ESPÍRITO

O povo grita pelo pão e pela Palavra e Deus põe no chão as respostas para a sua fome. Variam só as mediações e o jeito de buscar. O povo quer ver e tocar. Então cria seus altares e oratórios. Lá vai sempre. No mundo do artesanato a gente tem sempre vontade de voltar.

Artesanato é a transformação da matéria com as próprias mãos obedecendo aquilo que está no coração. É transmitir a paz e a fé com as mãos. É muito diferente de souvenir. Um souvenir é mais lembrancinha que utilidade. Tem muita religião hoje vendendo souvenir e vivendo só de lembrancinha.

O artesanato do espírito é uma atravessar de novo a história, dar um salto, construir a história com as próprias mãos, recuperar os pedaços da história e fazer uma bela e simples obra de arte. É transformar a fome em mesa.  Não é muito tranquilo criar ritos, mas é preciso torna-los suaves, abrir as janelas para os gritos que vem de fora e deixar sair alguns gritos de dentro. Algumas religiões ou igrejas continuam com alguns ritos desvinculados do sagrado. A Religiosidade Popular Brasileira diz que o destino do sagrado é ser mastigado. O que não é mastigado não é digerido.

A Religiosidade Popular Brasileira é sal da terra e luz do mundo. Ser sal da terra é ser algo mergulhado, misturado e transformado em gosto. Nunca o sal vai salgar se ficar no canto da travessa, longe do alimento. Mas porque o sal se perde no alimento e se espalha no meio de tudo, cria gosto! Assim também a religião não pode ficar só num cantinho de nossa vida. Daí veio a Religiosidade Popular Brasileira e misturou tudo!

Nas igrejas o ministério não pode ficar centrado em uma só pessoa que esqueceu o que é ser uma artesão do culto. Culto tem que misturar fé e realidade. Ministério muito personalizado não existe, é só bom para vender livros e cds. Mas com o tempo, cai em desuso... A Religiosidade Popular Brasileira reza e canta há muito tempo sem cair em desuso!

Continua

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