segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

Francisco de Assis, terapeuta da humanidade - III

Francisco de Assis retoma a inocência primordial, o “homo matinalis”, o ser matinal da primeira manhã da criação. O humano ecológico, o irmão universal que se confraterniza com tudo, que religa todas as coisas, religa as mais distantes às mais próximas. Francisco casa os céus com os abismos, as estrelas com as formigas e faz uma síntese, das mais fascinantes e das mais generosas da humanidade, a partir de dentro. Une a ecologia interior com a ecologia exterior.

Ele é arquétipo da humanidade reconciliada. Através dele nós temos a esperança de nos reconstruir, de nos reconciliar com todas as coisas e antecipar a utopia do Reino de Deus dentro de nós que rompe para fora como utopia e como realização histórica. Por isso, Francisco de Assis é alguém que fala à subjetividade profunda dos seres humanos de todos aqueles que estão buscando. Por isso, ele é sempre atual.

Viveu há 800 anos e é mais jovem do que nós. Misturou o seu eu profundo com a natureza. Busca uma identificação total com o próprio Deus. E fez isso com tanta leveza, tanta ternura e tanto cuidado que nós nos sentimos envolvidos em uma aura de benevolência e de benquerença.

Assim, Francisco entrou no mundo dos Terapeutas, isto é, das pessoas que observam o vivente, o ser humano no melhor de si mesmo. Um homem que ficou cego no final de sua vida, mas sua alma foi capaz de enxergar longe.

Ele continua penetrando no mais profundo do inconsciente cultural, ocidental, global e humano. Ele entra na dimensão do símbolo. Quando uma pessoa vira símbolo, ela se eterniza.


Ele é uma fonte inspiradora, uma figura seminal. Como uma semente nos coloca em crise, nos dá evocações, inspirações e intuições e funciona como uma luz. Ele não está diante de nós ocultando a realidade. Ele está dentro de nossas cabeças, atrás de nós, iluminando a nossa realidade.

Continua

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