segunda-feira, 20 de maio de 2013

Francisco de Assis, modelo referencial do humano - II


FRANCISCO E O ARQUÉTIPO DA SÍNTESE
 
Francisco de Assis nasce em 1182, na atraente cidade de Assis, na região da Úmbria, Itália. É filho de Pedro Bernardone, rico comerciante, mercador, homem determinado, que sonhava para o filho as glórias da Cavalaria Medieval e o salto para o status da alta nobreza. De seu pai, Francisco herdou o nome, em homenagem à França, que era o centro cultural e econômico do século XII, e também o espírito de liderança, ambição e rigor consigo mesmo. Da mãe, Joana de Bourlemont, uma dama francesa da região da Picardie, norte da França, conhecida em Assis com o cognome de Dona Picà (a madame que veio da Picardie), Francisco recebeu esmerada educação, a nobreza de costumes, os rudimentos da fé e da língua francesa. Pelos anos 1201 a 1205, ele vai dando um salto em sua vida. Inicia um lento e gradual processo de conversão, não apenas a mudança de mentalidade, mas a radical mudança de lugar. Ele é um convertido e nisto se enquadra a sua forte personalidade, a sua conversão não é um ardor momentâneo, mas sua perene identidade de busca. Sai do espaço da casa e dos projetos de seu pai para ser um humano despojado que não queria ter nada de específico a não ser dispor-se a viver algo de grandioso, algo que fizesse dele um homem realizado. O pai, dono de uma loja de tecidos e uma tinturaria em Assis, queria que ele conhecesse o sucesso do mercado. Francisco não quer o sucesso, quer a realização. O sucesso é efêmero, a realização é para sempre.

Num determinado momento de sua vida, tira as suas roupas em praça pública e, sozinho, nu, livre e feliz com sua decisão empreende um caminho de ir à dimensão originária do verdadeiro humano: buscar o espírito do Senhor e o seu santo modo de operar; fazer valer os desejos, ter uma vida orientada por uma forte busca, dizendo para si mesmo e para quem quisesse ouvir: “É isto que eu quero, é isto que eu procuro, é isto que eu desejo de todo coração!” Despojou-se das vestes e vestiu-se da simplicidade, faz a medieval investidura: colocar na vida a adequação que a torna mais leve. Não mais a armadura de guerreiro que sonhava seu pai, mas a coragem e fortaleza, a fidelidade e lealdade, a obediência dos cavaleiros. Toma por vestimenta a túnica dos camponeses, dos mendigos e penitentes, tornando-se assim um mendicante de sentidos. Na cidade foi amado e incompreendido, abraçado e apedrejado, este limiar entre os que o consideram um santo ou um louco. Francisco é um louco apaixonado pela sua identidade: ser arauto do Grande Rei, fazer o Amor ser amado e ir onde ninguém queria estar.

Continua

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