sábado, 22 de outubro de 2011

ESPIRITUALIDADE PARA UMA VIDA VIRTUOSA – 22

O que precisamos cuidar? Em primeiro lugar precisamos parar de trabalhar exageradamente com a nossa negatividade. Parar com este discurso de jornal televisivo de que tudo está ruim: a vida, a conjuntura, as relações, o mundo, as coisas, as pessoas, a rua, a cidade, a qualidade de vida, a política, a família e a comida. Precisamos vibrar mais com a positividade, cuidar da positividade, este lado sadio da existência. Investir mais na integridade, na inteireza do ser, respirar e transpirar mais o belo e o bom (confira a reflexão anterior), deixar a boa energia passar. Evitar esta carga pesada de excesso de preocupações, doenças, anfetaminas, ritalina, receitas e queixas. Evitar as preocupações econômico-financeiras que nos levam, cada dia, às peregrinações aos caixas eletrônicos, lugar de consulta, aplicações, reservas e poupanças. É bom e necessário que isto exista, mas vamos aprender com São Francisco, ele nos ensinou que dinheiro não é para acumular, mas sim para cuidar da vida.


Precisamos cuidar do afeto. Não reprimir o afeto, o amor, a ternura. Muito cuidado com discursos religiosos que reprimem o afeto! Religião que diz muito não é sadia. Condenar o afeto é reprimir o Amor. Precisamos ter o cuidado de não impedir o desejo de ser melhor, o desejo de plenitude, o desejo das bem-aventuranças. Estar sempre ao lado da vida para vencer o medo da morte. Vencer os medos é escutar mais os desejos do coração. É preciso cuidar do sentimento. Cuidar de fazer fluir o amor que se direciona para algo, para alguém, para um grande projeto de vida. O que passa pelo coração, naturalmente e necessariamente, se transforma em amor. Isto nos leva prioritariamente a cuidar de alguém. Cuidar do que é humano, são e santo. Não separe o humano aquilo que Deus uniu. E o que Deus uniu? Humano e divino, espírito e matéria, efetividade e afetividade.

É preciso cuidar do emotivo e do afetivo; mergulhar na sensibilidade. Não pode faltar o Bem Amado, a Bem Amada como razão da existência. “Só o Bem Amado dá sentido à vida. É melhor viver no inferno com Ele, do que no céu sem Ele. Ele é o Bem, todo o Bem, o Bem Universal, a plenitude do Bem. Ele é a força propulsora, a atração enamorante, o êxtase transfigurante e mortal. Ele é a vida e a morte, a dor que vale a pena ser abraçada, o caminho que tem que ser seguido. Ele é a palavra que sustenta a fé, o móvel que nos descentra, a voz que nos chama. Por causa d’Ele, a lepra é doçura e o deserto um desafio que esconde uma terra prometida. Ele é tudo!, como diz Ângelus Silesius: “Ele é verdade e palavra, luz e vida, alimento e bebida, caminho e peregrino, porta e repouso, bastão, luz, brinquedo, pai, irmão e filho, mãe e namorada, esposa e filha. Ele é genuflexório, onde nos ajoelhamos para adorá-lo. Ele é a familiaridade que buscamos e a identidade mais profunda que temos e somos. Ele só é atingido quando não somos mais nós que vivemos, mas quando Ele vive em nós. O nosso eu é Ele e Ele toma o lugar do nosso Eu, marcando-nos com as chagas de seu intenso Amor”.
 
Continua

Um comentário:

Rodrigo disse...

Gostei muito do seu blog Frei Vitório. Suas palavras são leves e profundas.

Abraço fraterno.