segunda-feira, 10 de outubro de 2011

ESPIRITUALIDADE PARA UMA VIDA VIRTUOSA – 16

Na passagem entre a era industrial e a época pós moderna, pessoa virtuosa era considerada aquela que tinha ares e práticas consideradas piedosas e beatas. Hoje, destina-se e molda pessoas de beatitude, isto é, pessoas realizadas, felizes, vigorosas, éticas, modelos vivos, engajados em causas nobres da contemporaneidade. Hoje, pessoa virtuosa é aquela que está no empenho e desempenho de superar-se. Diz Mestre Eckhardt (1260-1327): “O humano não deve achar sua obra boa, por melhor que ele a tenha executado, a tal ponto de se sentir nela à vontade e assegurado de si. Pois, se tal acontecer, a sua capacidade de captar, a sua razão se tornará preguiçosa e adormecerá. Antes, deve continuamente se levantar, erguer-se, com ambas as forças de seu ser, isto é, com razão e vontade, e neste alçar-se, agarrar o melhor de si, a sua identidade, no mais alto grau. E, com cuidado e ponderação, precaver-se, por dentro e por fora, contra toda e qualquer falha nessa ação. Se assim o fizer, ele jamais perderá o ser em nenhuma coisa; antes, crescerá sem cessar em alto grau” (Meister Eckhardt, “O Livro da Divina Consolação e Outros Textos Seletos”, Vozes, Petrópolis, 1991,110).


Voltemos ao tema das Virtudes tipicamente Franciscanas. O mundo de seguidores da vida franciscana tem como modelo São Francisco de Assis, um homem virtuoso. Ele mesmo personalizava as virtudes, por isso as chamamos tipicamente franciscanas. Diz o grande historiador Jacques Le Goff: “(Francisco) revela a profunda marca de um amor cortês que confere admirável expressão aos sentimentos do santo por sua dama, a Senhora Pobreza, e ao seu 'amor intenso e genuíno pelo próximo', sem falar da 'cortesia fraterna' em relação a toda criação, inclusive 'nossa irmã Morte corporal', dádiva graciosa de um senhor em quem se encarna um ideal feudal interiorizado em termos de família, pai, mãe, irmão, irmã...” (in Frugoni Chiara, “Vida de um Homem: Francisco de Assis”, Companhia das Letras, São Paulo,2011, 12.)

Continua

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