terça-feira, 18 de outubro de 2011

ESPIRITUALIDADE PARA UMA VIDA VIRTUOSA – 18

BELO, BOM, BONDADE: O grande mestre de Paris, o franciscano Alexandre de Halles, sintetiza esta força virtuosa criando a reflexão sobre o Belo e o Bom, a estética franciscana. O que é o belo e o bom? Ele mesmo, entra no hábito franciscano, vai para dentro da academia com os pés descalços e o máximo despojamento, na fluência da transparência do simples e natural. Ele diz que o belo e o bom revelam grande expressividade da mística da Encarnação: o Deus Humilde aparece na beleza da Criança, na tecitura da bondade. É a redescoberta do que a vida tem de melhor: convocação divina e convocação do amor! O Belo é o transparente e o transcendente, o Uno e o Vero. O Belo é sempre percepção, chamado, apelo, um grito para perceber o real, o palpável, o sensível. Não podemos estar no grito de abandono de todas as coisas, é preciso vê-las, percebê-las, senti-las. A forma do Belo (ver a Beleza de tudo o que é ), torna-se amada e imitada, cria o discipulado e arrasta. Não basta só um entusiasmo inicial, é preciso um dinamismo constante, um impulso de vida exercitado na convivência com o valor de todas as coisas. Quanto mais você entra neste dinamismo, mais se torna vivaz (percebe a vida que está dentro) e mais a vida floresce; então se descobre a arte da vida. O que é a Arte, ou melhor, a virtuosidade da Arte? É ser um artista da vida. O artista é aquele que vive imerso nas estruturas da vida e nelas coloca a sua profundidade, a sua interioridade, a sua sensibilidade. Neste sentido, é preciso, ser, ter, fazer e conhecer a arte para se ter um projeto de vida.


O franciscanismo é um modo místico, espiritual, existencial, cultural e sensível de estar na vida. Não é só aplicação técnica de uma filosofia de vida ou postura de vida, mas é saber que a vida é Arte Divina e Arte Humana, é Lógica de Amor, isto é, um grande encontro entre a inspiração, o sopro, o hálito que dá vida a tudo com o Humano, com o Divino e a Fraternidade. A partir daí, o belo não basta, é preciso ser bom.

O que faz a pessoa bonita é a Bondade. A bondade é uma virtude; e a virtuosidade, como um conjunto de virtudes, é a beleza maior e a mola propulsora de todos os gestos de amor e cuidado. O que faz o mundo bonito é a bondade esparramada de todas as coisas: “Louvado sejas, meu Senhor, pela Irmã Água que é mui útil, humilde, preciosa e casta”.

A fecundidade da vida vem deste movimento. A terra boa é o coração belo e bom. Esta é a síntese da perfeição. O belo é a expressão natural e perfeita do bem. O bom é a plenitude da caridade. Francisco viveu esta experiência. O mestre da Paris escreve e impulsiona esta reflexão. Alexandre de Halles descobre a filosofia franciscana da Beleza como difusão do Bem: esta é a verdadeira estética do Simples.

Continua

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