sexta-feira, 26 de agosto de 2011

ESPIRITUALIDADE PARA UMA VIDA VIRTUOSA – 3


A pessoa humana vale não pelo que acumula de material, mas pelos princípios, valores e virtudes que possui, que cultiva e que deixa transparecer em sua vivência e práticas. A finalidade desta nossa reflexão, neste nosso percurso é despertar para a constante motivação em alcançar o desenvolvimento espiritual e humano; elevar a uma reta compreensão, uma reta aspiração, a um reto falar e o reto agir. A retidão é colocar novamente o humano em pé; torná-lo forte, convicto; espécie muito diferenciada; reencantar o “homo erectus”, aquele que não rasteja, não decai, e não perde a sua vitalidade. A pessoa virtuosa vive a reconstrução diária da sua vida e, por isso, a sua alma virtuosa está acima de tudo.


Como dizíamos na introdução desta reflexão, é preciso buscar uma original qualidade pessoal (ética), despertar cada momento a força divina que adormece em nós (espiritualidade) e viver uma transformação (a evolução do humano). Esta é a função da Virtuosidade: acordar, provocar, fazer crescer na busca incansável do bem. É transmitir vida intensamente! Gosto demais da fala do Mestre Hindu, Bhagwan Shree Rajneesh, quando diz: “Se você coloca uma rosa num aposento... aquele aposento nunca mais será o mesmo; porque a rosa tem a sua aura, o perfume, o seu vigor próprio, a forte presença”. Assim também é a permanência da pessoa virtuosa. A pessoa virtuosa é uma presença qualificada e especial; ela é uma resposta de que é possível o humano , ao buscar virtudes que elevam a sua vida, subir para o patamar mais elevado da sua existência, tornando mais potente a sua energia e mais intenso o seu brilho e o ensinamento que pode oferecer. A virtuosidade faz a pessoa florescer por dentro, e a sua beleza interior salta para fora mudando pessoas e o ambiente.

Quando você encontra e vive a virtude, ela aparece em todos os escritos, em todos os exemplos, em todos os ensinamentos e em todas as pessoas que marcam sua história. Quando você se mede com as virtudes, percebe que nem sempre esteve no melhor caminho; porém não existe virtude que não se reerga sem que tivesse havido um extravio, uma perambulação, um perder-se. É no perder-se que se dá uma forte experiência do encontro. O prefácio pascal tem seu brado: “Feliz culpa que mereceu um Salvador!” A busca virtuosa traz a beleza do reencontro com a experiência do melhor. Tudo é belo! As experiências são bem-vindas. Até o pecado tem a sua expressividade porque dá profundeza para voltar às trilhas da santidade. Grandes santos e santas sempre se julgaram grandes pecadores. Nos seus limites, buscaram a sabedoria do caminho virtuoso e tornaram-se mestres da pureza original e da beleza única. Não se detiveram na culpa, mas fizeram dela trampolim para um grande salto, o salto qualitativo, o mergulho no esvaziamento de si, para deixar que o Divino tomasse conta do ser. Não criaram barreiras para a qualidade da vida entrar no mais íntimo e saísse pelos poros onde suaram as boas obras. Para que a luz das virtudes e o conjunto delas, que cria a virtuosidade , se derrame no ser, é preciso exercício, esforço, persistência, busca incansável da constante atenção aos valores maiores. É a ascese de quem quer se superar. É a disciplina focada em moldar o melhor do humano. Este esforço traz um profundo conhecimento, e este modo de conhecer traz um modo de ser. A virtuosidade se encarna em pessoas reais. O humano é um espírito que se fez carne, como a Carne do Verbo que se fez carne na carne do humano. Por isso, só podemos conhecer verdades encarnadas, virtudes encarnadas em alguém. Há no ser humano uma representação concreta do Divino que trouxe para ele uma proposta de boa nova, de mudança das estruturas, da beleza do “Eu sou!”

Continua amanhã

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