segunda-feira, 22 de agosto de 2016

Francisco de Assis, vivências e convivências


Francisco de Assis soube circundar-se de pessoas que tinham muita energia humana, dos amigos aos familiares era como se todos tivessem o mesmo sangue. Pedro Bernardone, seu pai, mercador assisense, amava muito a vida da cidade e as estradas que o levavam a França. Tinha a energia dos que sabem conquistar posses com muita justiça e direito. Não era apenas um duro e impenetrável negociante, frio e calculista, apenas centrado em seu patrimônio e lucros. Era um pai que sonhava ganhos para seu filho, títulos para o seu filho, queria que seu filho brilhasse e tivesse uma vida elevada conduzida por nobres ideias cavalheirescos. Jeanne de Bourlemont, sua mãe, era francesa conhecida em Assis como Dona Pica, porque nasceu na Picardia e viveu na região da Provença, era uma mulher extremamente bondosa, culta, delicada. Deu a Francisco uma educação fina, ensinou-lhe a língua francesa, canções de gestas, mas sobretudo compreendia como ninguém as aspirações do filho.

Francisco soube circundar-se de amigos, companheiros que viveram intensamente o seu tempo, sua juventude, seus anseios. Serenatas, momentos nas tabernas, a caça, os jogos, a alegria, a vivacidade, a violência presente da guerra chegando às portas da muralha. Seus amigos eram ricos e Francisco também era rico. Tinha influência dos mercadores que traziam prestígio, o uso de bens comerciais, a expansão da cultura, notícias, novas ideias, novos impulsos, vestes coloridas, aspirar a grandeza que vinha da nobreza de costumes. Francisco soube sonhar e seguir aspirações indomáveis do ethos cavaleiresco  que buscava a honra e conquistas; seguir Gualtiero di Brenne, combater e ter palácio, riqueza e armas, pertencer a Corte, a primeira expressão da cortesia, e depois as aproximações mais nobres.

Tudo isto vai moldar em Francisco de Assis uma personalidade única, um caráter determinado. Segurança e leveza, força e ternura. Trovador e penitente, que busca a única riqueza que pode fazer feliz o coração em meio a pobreza mais despojada, mais livre, mais solta, mais generosa. Quem viveu os mais belos relacionamentos pode perceber o pobre que chega e pede em nome de algo maior, em nome de Deus!

FREI VITÓRIO MAZZUCO

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