segunda-feira, 15 de agosto de 2016

Francesco di Bernardone, o Francisco de Assis


Quando viajamos pela Itália encontramos a imponência de muitas cidades e suas tradições etruscas, medievais, barrocas, modernas e todas muito adequadas dos tempos de então aos tempos atuais. Quando chegamos a Assis entramos numa cidade pequena, simples, harmoniosa, familiar, parecendo aquelas casinhas de nossos brinquedos infantis. Mas na sua pequenez, a força brota de seus muros, massa de pedra bruta, lava vulcânica!

Assis é talhada pedra sobre pedra, uma conjugação de formas protegendo mistérios. Em meio a paredes e muralhas, certas verdades nunca mais quiseram sair dali, protegem-se entre becos e ruas. Assis é muito simples, mas tem uma natural presença que se impõe. Colada na colina ensina a subir e olhar para um horizonte mais amplo. Cada caminho sai para algum lugar e no início e fim de cada um resplende a mesma beleza, a mesma descoberta, a mesma abertura para uma grande admiração. Há um espírito que ali habita e silenciosamente fala. Um ar puro, uma luz onipresente. Nas praças a vitalidade de uma humanidade que necessariamente tem que passar por entre as casas, fontes e um chão talhado para revelar a pureza de cada forma.



Assis não conhece o caos do mundo, e renasce depois de cada terremoto. Faz com que o olhar de peregrinos, turistas, e buscadores da verdade se perca em tantos detalhes de tamanha profundidade. O mistério precisa de um lugar para ser celebrado, e, em Assis ele encontrou o preciso espaço para transformar-se em rito. Andando em Assis, quem vem de longe ou de perto, sente que já esteve lá em algum momento, e faz uma imersão na saudade que se tem do Paraíso. É andar pelo infinito sem se perder. Foi exatamente neste lugar que nasceu Francisco, que nasceu Clara, e tantos outros que tiraram Assis dos contrafortes do Monte Subásio e a levaram para o mundo como cidade da Paz ou Espírito de Assis.

Assis tem energia física, uma arquitetura espiritual, a estética do belo e do bom. É um encontro da elevação da montanha com a profundidade da planície. Tem o som dos sinos que se expande em ondas sonoras que tocam e vibram no coração das pessoas, nos olivais, nos girassóis, nas catedrais, no casario, nos palácios, nos mosteiros, nas ruelas, nas lojas, nas tavernas, enfim nos caminhos que se entrecruzam dizendo para a humanidade toda: é daqui para o mundo! Assis existia antes de Francisco. Não foi ele que marcou Assis, mas Assis que o moldou. Por viver bem o seu lugar, aprendeu o universo das coisas e saiu extra-muros. Fez do seu espaço tão familiar de sua infância e juventude um território sagrado. Uma fusão de terra e céu. Um Santo que recriou uma unicidade com o lugar, e por isso é chamado para sempre de Francisco de Assis. Pai, Francisco, ensina-nos a dar nome e transformar os nossos cantinhos!

FREI VITÓRIO MAZZUCO


Um comentário:

Professora Vanessa disse...

Parabéns pelo texto Frei Vitório Mazzuco! Paz e Bem! Que Deus te abençoe mais e mais e Nossa Senhora te proteja sempre!
Salve São Francisco de Assis!