segunda-feira, 30 de maio de 2016

Obedecer não é fraqueza subserviente



O último Capítulo Provincial pediu que eu saísse de Petrópolis e viesse a Bragança Paulista. No fundo do meu eu doeu dizer sim; mas na cruz da entrega disse que faria a vontade do que era melhor para a Província. Recebi muitas críticas por aceitar; li algumas reações e chorei escutando meu eu que tinha forte motivo para não ir. Ajuntei minhas coisas e fiz a estrada da mudança. A vida não é uma continuidade, mas uma explosão de possibilidades. Mudar é aceitar rupturas não como derrotas, mas como crescimento.

Abri meus ouvidos para uma convocação e fiquei medindo qual o Valor Maior. Meu coração dizia que era para ficar; a Obediência dizia que era para levar o coração e refazer uma grande virtude franciscana chamada Minoridade. A renúncia do “eu quero” para o desafio do “eu posso”. Por que não posso recomeçar em outro lugar sem perder nada do que conquistei até aqui? Fui levando todas as riquezas que conquistei, exercitando a Pobreza no dizer um sim. Se queremos saber o que é desapego é preciso dizer um sim!

Abri meus ouvidos para escutar um lugar que talvez precisasse mais de mim, ou eu precisasse mais do lugar para ser melhor para o eu mesmo e para os outros. Francisco de Assis obedeceu para ser livre e entrou em todas as estruturas sangrando suas escolhas. Hoje posso voltar tão forte quanto saí. Renunciar a projetos pessoais para mergulhar nas coisas de Deus dói, mas amadurece. No Evangelho, Francisco escutava a Vontade Maior. Na transferência fui desafiado a escutar a Palavra e meu Pai Fundador, que me chamou à Ordem, em meio a desordens pessoais e comuns.

Obedecer é acolher o diferente e o desafiador. É aprender a servir do modo como Deus serve através de seu Filho Jesus Cristo. É misturar a nossa pequena vontade a Vontade de Deus. Obedecer à convocação do Amor é ir e regressar dizendo que Deus é gratuidade, entrega e cordialidade. Quem obedece põe o coração no coração de Deus e não deixa nunca de ser fonte de Amor onde estiver e com quem estiver.

Frei Vitório Mazzuco, OFM

Um comentário:

Alessandro Couto disse...

PAZ E BEM, FREI!SÓ POSSO CONCLUIR COM ESTE GESTO, QUE FOI MANISFESTADO O MAIS PURO, SIMPLES E CRISTALINO FRANCISCANISMO E EM TODA SUA ESSÊNCIA - A MEU VER ESTA É PRÁTICA DIUTURNA EM SUA VIDA E O ADMIRO MUITO TAMBÉM POR ISTO - OITOCENTOS E POUCOS ANOS DEPOIS DO EXEMPLO DEIXADO PELO SERÁFICO PAI. SERÁ QUE ALGUÉM TEM DÚVIDAS DE QUE O FRANCISCANISMO NÃO POSSA SER PRATICADO NOS DIAS DE HOJE? QUISERA EU TER A MESMO ESSÊNCIA, MAS COMO O SR MESMO DIZ - "A VIDA NÃO É UMA CONTINUIDADE, MAS SIM UMA EXPLOSÃO DE OPORTUNIDADES". QUE SAIBAMOS APROVEITÁ-LAS, PORTANTO, OU MELHOR, QUE NOS PERMITAMOS SER SURPREENDIDOS POR ELAS ESTANDO SEMPRE COMO O CORAÇÃO ABERTO E NO CORAÇÃO DEUS. NOSSO ABRAÇO FRATERNO, SEMPRE! ALESSANDRO, MAIRA, OTÁVIO E HEITOR - AGUDOS/SP