terça-feira, 22 de março de 2016

O ANO SANTO DA MISERICÓRDIA - Perspectivas Franciscanas - 7


Um aspecto que precisamos dar destaque é a dimensão da Pobreza na caminha penitencial. A vocação de Francisco em assumir e casar com o Projeto de Vida, a Senhora Dama Pobreza, é abraçar a Pobreza e os pobres. Vimos nos relatos citados no início de nossas colocações que ele revestiu das vestes de um mendigo e se pôs a mendigar. É uma investidura, isto é, um sentir-se bem num outro jeito de ser, estar e viver. A vida e as escolhas da vida devem ser o que nos revestem.

Esposar-se com a Pobreza vai transformar-se em Regra de Vida: “Os irmãos não se apropriem de nada, nem de casa, nem de lugar, nem de coisa alguma. E como peregrinos e forasteiros neste mundo, servindo ao Senhor em pobreza e humildade, peçam esmola com confiança, e não devem envergonhar-se, porque o Senhor se fez pobre por nós neste mundo. Esta é aquela sublimidade da altíssima pobreza que vos constituiu, meus irmãos caríssimos, herdeiros e reis do reino dos céus, vos fez pobres de coisas, vos elevou em virtudes. Seja esta a vossa porção que conduz à terra dos vivos. Aderindo totalmente a ela, irmãos diletíssimos, nenhuma outra coisa jamais queirais ter debaixo do céu em nome de Nosso Senhor Jesus Cristo. E onde estão e onde quer que se encontrarem os irmãos, mostrem-se mutuamente familiares entre si. E com confiança um manifeste ao outro a sua necessidade, porque, se a mãe nutre e ama a seu filho carnal, quanto mais diligentemente não deve cada um amar e nutrir a seu irmão espiritual? E se algum deles cair enfermo, os outros irmãos devem servi-lo como gostariam de ser servidos” (Rb VI).

Viver a pobreza é para Francisco identidade e autenticidade de vida. É não ter nada por possuir um único tesouro. Amar a pobreza é amar os pobres e amar o irmão e a irmã, e amar a todos com um amor incondicional. Assim diz a Regra não Bulada: “Todos os irmãos se esforcem para seguir a humildade e a pobreza de Nosso Senhor Jesus Cristo e recordem-se de que nenhuma outra coisa nos convém ter de todo o mundo, a não ser, como diz o Apóstolo, tendo os alimentos e com que nos cobrirmos com estas coisas estejamos contentes. E devem alegrar-se, quando conviverem entre pessoas insignificantes e desprezadas, entre os pobres, fracos, enfermos, leprosos e os que mendigam pela rua. E quando for necessário, vão pedir esmola” (RnB 9, 1-3).

Imagem: Alegoria do casamento de Francisco com a Dama Pobreza, de Giotto

Continua

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