quarta-feira, 17 de setembro de 2014

São Luís de França e os Franciscanos - XI

Frei Sandro Roberto da Costa, ofm
2.2.2 Um rei paciente no sofrimento
Luís é um rei que, como cristão exemplar, suporta pacientemente os sofrimentos. E não são poucos. Ainda jovem, aos 28 anos, após a guerra contra os ingleses, começa a sofrer de febre terçã (uma espécie de malária). Em 1244, sofre com uma diarreia tão grave, que chegam a considerá-lo morto. Nesta ocasião faz o voto de partir em cruzada[35]. As doenças o perseguem, sejam as crônicas, como a febre ocasionada pelo paludismo, sejam outras que surgem em várias ocasiões: erisipela, diarreia, escorbuto. Mas todos testemunham a paciência do rei frente aos sofrimentos. Joinville testemunhou os sofrimentos do rei durante a sétima cruzada. Segundo ele, o rei, quando prisioneiro dos muçulmanos, sofria de grave infecção intestinal. Estava muito pálido, “com os ossos da coluna todos tão pontudos e tão fraco que era preciso que um homem de sua criadagem o levasse para todas as suas necessidades... À noite desmaiou por várias vezes; e, por causa da forte disenteria que tinha, foi preciso cortar o fundilho de suas  ceroulas, tantas vezes ele descia para ir ao banheiro”[36]. Na partida para a oitava cruzada, o rei estava tão fraco que provocou a indignação de seu amigo Joinville, com aqueles que o deixaram partir naquele estado. O rei mal podia caminhar, pela fraqueza: “ele não podia aguentar ir nem de carroça nem a cavalo. Sua fraqueza era tão grande que ele se resignou que eu o carregasse...”[37]. Sua morte será causada pelo tifo. Mas Luís não é um rei triste. Le Goff afirma: “Talvez nisso também haja um traço de espiritualidade franciscana”[38].



[35] Stein, Henri, Pierre Lombard, médecin de Saint Louis In: Bibliothèque de l'école des Chartes. 1939, tome 100. pp. 63-71.doi : 10.3406/bec.1939.449186.  http://www.persee.fr/web/revues/home/prescript/article/bec_0373-6237_1939_num_100_1_449186.
[36] Le Goff, São Luís, oc., p. 175; p. 766, citando Joinville. 
[37] Idem, 768.
[38] “Graças a Joinville, vemos São Luís rir e às vezes rir às gargalhadas”. Le Goff, Jacques, São Luís, oc., p. 431.

Continua

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