quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

A MÍSTICA DE SÃO FRANCISCO DE ASSIS - 23


A MÍSTICA DA UNIÃO CÓSMICA – O Cântico das Criaturas

12. O Cântico das Criaturas é o hino que celebra a reconciliação paradisíaca do humano com a totalidade de suas relações, com Deus, o Inefável, com o cosmos, com seu irmão e irmã, com os outros na paz fraterna e com a morte aceita como irmã. Há no hino um apelo total à confraternização.

O que aparece no Hino é o problema humano, sempre antigo e sempre atual do humano buscando a unidade de todas as coisas, mesmo com as realidades mais dramáticas como a morte. E se entoa então o hino de louvor. O humano de hoje dificilmente canta as coisas. Ele canta a si mesmo a propósito das coisas. Não deixa as coisas serem coisas. Faz delas um prolongamento do humano e de sua subjetividade que procura conquistar e poder.

O Cântico das Criaturas mostra que a unidade não pode ser constituída sem uma comunhão cósmica, sem uma comunhão com as raízes cósmicas de nossa vida interior e exterior. Tudo deve ser um crescimento total, porque tudo deve desabrochar no louvor de Deus.

O humano moderno está condenado – e isso funda sua fatalidade – a dominar a natureza. Deve combater as doenças e organizar a satisfação de suas necessidades fundamentais. Mas deve ter o cuidado, porque, uma coisa é cultivar a terra e experimentar como ela é mãe generosa e outra é a destruição do solo sem respeito e veneração.

A visão franciscana procura respeitar as coisas sem deixar que elas fiquem outra coisa que coisas. Mas procura ouvir a canção essencial que cada coisa entoa para Deus. E tenta, bem ou mal, unir-se nessa Canção perene ao Criador!

Imagem acima: Segrelles

Continua

Na próxima série, dentro da Mística de São Francisco, o tema SEM ENCARNAÇÃO NÃO HÁ COMUNICAÇÃO.

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