quinta-feira, 21 de março de 2013

Algumas ideias sobre a Teologia Franciscana - IV


Nas Fontes Franciscanas e em toda a tradição de estudos, que gira em torno destas Fontes, fala-se que Francisco tinha uma certa aversão aos estudos; podemos aceitar isto como verdade?  Como, então, falar sobre ou justificar a existência de uma Escola de Teologia Franciscana com forte cunho intelectual?  Francisco não é alguém contrário aos estudos, o que ele não queria era a sedução do status do poder de quem sabe; que o frade teólogo não se inchasse de orgulho e santa presunção, já que na Idade Média a teologia era considerada a ciência de todas as ciências; e o saber, na época, era portador de status e poder.

Ao exercitar a desapropriação, a vivência da pobreza, a minoridade, ele se dizia ignorante, idiota, iletrado, simples e totalmente despojado de qualquer domínio que possa vir da intelectualidade. Não queria estar acima de ninguém. Ser ignorante era o seu jeito convicto de ser Menor. Para a nossa compreensão, ignorante é analfabeto. Para o mundo medieval era comum o analfabetismo; 80% da população não sabiam ler, nem escrever. Saber ler e escrever era privilégio de uns poucos: nobres, monges e clero com suas instâncias hierárquicas. Como filho de um notável mercador de Assis, Pedro Bernardone, e participando da classe nos novos ricos de seu tempo, ele tem a oportunidade de estudar junto à Escola Episcopal (uma espécie de escola paroquial) que ficava na igreja de San Giorggio (hoje Basílica de Santa Clara). Lá, ele estudou os rudimentos de latim e gramática com monges beneditinos que prestavam este serviço aos filhos privilegiados da nobreza e da burguesia crescente. Os monges usavam como cartilha a Sagrada Escritura e os Hinos Litúrgicos, sobretudo as antífonas e os salmos. A repetição constante de textos bíblicos e litúrgicos era o método de alfabetização. Francisco aprendeu não mais que umas trezentas palavras em latim. Não era um analfabeto; tinha algum conhecimento de matemática pois ajudava nas contas dos negócios de seu pai; aprendeu com Bernardo de Quintavalle e Pedro Cattani algumas noções de Direito Comercial. Conhecia também rudimentos da língua francesa; sua mãe era da França e seu pai tinha verdadeira paixão pela França, para onde viajava frequentemente a negócios. Com a mãe aprendeu canções de gesta da cavalaria francesa, valores e costumes da corte, o “sprit de finesse”; e com o pai palavras precisas da comunicação formal em francês.

Continua

Nenhum comentário: