quinta-feira, 7 de março de 2013

Algumas ideias sobre a Teologia Franciscana


Estudar uma Teologia Franciscana presente a partir do século XIV tem valor porque é um passado que se atualiza através da busca da compreensão acadêmica atual. O passado tem valor na medida em que o trazemos para o presente com intensidade e curiosidade. Todos estamos vivendo num ausente que trazemos para o presente através de um conhecimento, de uma curiosidade, de uma compreensão e de uma interpretação. São as modalidades diversas de conhecimento do método teológico que me enviam à compreensão da vida. Se estudarmos bem a Escola Franciscana de Teologia, vamos entender todas as modalidades teológicas. Este é um modo que brinda a Riqueza Universal da Existência. Facilmente, nós passamos por cima das diferenças e vamos para o idêntico.

Nós precisamos da Teologia para clarear algum caminho de fé e conceitos referentes ao Divino. Só o Divino não precisa da Teologia para dizer quem Ele é. Como caminho teológico, entramos nas trilhas da Escola Franciscana. Ela nasceu de um olhar sobre como Francisco de Assis viveu a sua experiência do Sagrado. Francisco não criou e nem nos deu uma Teologia; ele quis apenas mostrar como viveu Deus em sua vida. Os pensadores franciscanos medievais é que elaboraram esta Escola Teológica. É um corpo de ensinamentos que apontam um caminho e não apenas uma doutrina. Teologia Franciscana não é doutrina, mas sim um modo teológico que nos ajuda a perceber a interioridade da vida. É olhar a fé e dizê-la: a fé é a experiência de cada instante.

Deus é a primeira causa da qual o Ser emana formando ideias teológicas e sonhos de eternidade. Ideias eternas são matrizes de tudo o que realmente é. Na compreensão natural e encarnada desta experiência surge Francisco de Assis (1181 – 1226).  Homem tipicamente medieval, carisma irresistível, atraiu grupos de admiradores. Construiu uma comunidade com características fraternas que vivia de esmolas e partilha; uma comunidade que cuidava de leprosos e ia onde ninguém queria ir. Orientava seus seguidores a não aceitar qualquer benefício em dinheiro ou bens materiais; nem armazenar para o futuro ou construir suntuosas moradias. Sua comunidade fraterna transformou-se em Ordem em 1223. Ganhou uma Regra de Vida e foi integrada no jeito eclesial de ser na época. Isto não deve ter deixado Francisco totalmente feliz, mas ele acatou a institucionalização de seu projeto para se proteger da psicose das heresias e de uma provável perseguição; afinal de contas, ele e seus primeiros companheiros estavam vivendo igualzinho o Evangelho. Ele queria apenas isto: ser e viver a Boa Nova!

Continua

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