segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

PROFECIA DA FAMÍLIA FRANCISCANA DO BRASIL - XII


A Encíclica chama a atenção do uso técnico, científico e catastrófico dos recursos naturais. Destruir o natural é cultura de morte e gera uma insensibilidade cosmovital. Existe ética na técnica que explora? Destruir rios e florestas é sentir-se parte do cosmo? A Encíclica nos dá uma responsabilidade moral de defender a vida, de evitar a dessacralização da natureza. O Papa propõe mudança de vida, rever o modo de produção, a produção exagerada de lixo, a atenção urgente para com a radical mudança climática, as injustiças socioambientais, efeito estufa, e o controle destes modelos globais de desenvolvimento. Por que os países ricos defendem a natureza só de modo utilitário, isto é, defender para usar e produzir, o que gera uma relação viciada entre humanidade e ambiente?

A Encíclica fala de estilo novo de vida, de educação para respeitar o ambiente, fala de conversão ecológica, de colocar um freio no consumismo. O que seria tudo isto? É a proteção que deixa ser o natural, para que o natural possa se decompor e não virar pedreiras e montanhas sucateadas e inertes. É preciso dar tempo e cuidado ao natural. Ecologia não é mera militância de barulhentos ambientalistas, mas sim luta profética para melhorar a qualidade de vida. Tecnologia e progresso não devem ser processos de destruição. Estilo de vida não é gastar excessivamente os recursos de energia e suas fontes.

Que a nova Encíclica nos leve para uma comunhão de bens e não acúmulo. Que crie a consciência de que tecnologia criativa não causa danos, mas sim respeita a dignidade humana e o ciclo natural da nossa Mãe e Irmã Terra. Que cuidemos da evolução das espécies e da evolução do humano. Somos guardiães do habitat. Se cresce a densidade demográfica, que cresçam também os recursos e a melhor distribuição dos bens. Violência física contra a espécie humana e a violência contra a natureza povoam os noticiários, mas nós estamos mais preocupados com os quatro melhores colocados no campeonato. Precisamos de um desenvolvimento justo e conservação da vida, mas escolhemos políticos e partidos como se torce para times da série A e B. As pessoas e a natureza caíram para a série C. Brigamos por igrejas e liturgias e esquecemos de pregar uma democracia ecológica que respeite todas as formas no templo sagrado da vida. Todos os seres estão em relação uns com os outros, por que ficar então de fora? A vida é um valor por si só; ela é o presente de Deus e merece todos os louvores, toda proteção e todo respeito! Laudato Sí, mio Signore!

No próximo post, a conclusão

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