sábado, 2 de janeiro de 2016

PROFECIA DA FAMÍLIA FRANCISCANA DO BRASIL - XI


CONTINUAMOS A REFLEXÃO NO ITEM 3:  A FAMÍLIA FRANCISCANA E SEU MODO PROFÉTICO DE SER RESPONSÁVEL

Surpreendeu o mundo a Encíclica do Papa! Profecia e Ecologia! Eco-teologia, eco-espiritualidade. Com esta Encíclica sentimos uma grande alegria por causa de dois olhares: o olhar franciscano sobre a realidade e o olhar do Papa Francisco na amplidão do olhar de Francisco de Assis, que antecipou há oito séculos um modo peculiar e comprometido de ver a Irmã e Mãe Terra, de querer ser colocado nu sobre a terra nua no momento de seu Transitus, para sentir bem a intimidade da casa. Diz a Encíclica:  “Nós somos terra. Todo o nosso corpo é constituído de elementos do planeta, se ar é aquele que respiramos, sua água vivifica e restaura” (n.2)

Devemos ler esta Encíclica sob o olhar da poética e da mística, para argumentar comprometimentos. Olhar poético enquanto emoção, admiração, gratidão, encantamento, consanguinidade criatural e o ver e fazer perfeitos. Olhar místico enquanto desvelamento da verdade de todas as coisas;  a vida movida por uma Força Maior que tudo sustenta e tudo governa. É maravilhoso que um Papa conclame o dom de existir e estar casa comum. Conviver e não usar. Estar no mundo, fazer do mundo um itinerário, ir para a criação como quem escreveu o Gênesis. Em nosso planeta Terra, tudo é um caminho que sai e retorna para seu único lugar: o lugar sagrado! É a metafísica de São Boaventura que nos diz que tudo sai do Todo, revela a sua face e retorna ao Sagrado. A origem de Deus como causa eficiente, manifestando suas imagens e vestígios, Deus como causa exemplar e causa final. Oprimir e devastar a terra, é fazê-la gemer em dores de parto (Rm 8), é matar o Sagrado que nela habita e a irmanação universal de todas as criaturas, de todos os homens e mulheres que preenchem esta casa.

Que esta Encíclica nos ajude a pensar um modo singular de estar na existência; que ela faça uma ponte entre o mundo vivencial, a realidade conjuntural e a fala. A Encíclica provoca uma mística das relações, uma espiritualidade ecológica ( 6, 202). Viver na terra é presença, unidade, vida, morte, amor e tempo. É a união de todos os seres, não na passividade, mas na profecia do cuidado, e ir contra todos os mecanismos de morte que geram uma cultura de morte que já regou com sangue de Josimo, Chico Mendes, Ezequiel e Doroty, a sonhada justiça deste chão.

Continua

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