sexta-feira, 8 de maio de 2015

ANO DA VIDA CONSAGRADA - Reflexão sobre os votos - VII



3. A POBREZA – O SEM NADA DE PRÓPRIO

Através da pobreza, Deus, Riqueza e Providência Maior, vem  aceito, seguido e amado como suprema segurança e suficiência nossa. Só Ele e seu amor nos bastam. Com o coração, evangelicamente livre e despojado, conscientes de tudo o que temos para nos levar a viver mais disponíveis aos outros e humildemente ordenados ao confronto consigo mesmo e com as exigências da vida. A pobreza não é um ideal a partir de si mesmo. Jesus nunca pregou a pobreza a partir de si  mesmo, mas é a nossa total dependência dos bens de Deus, somos administradores e administradoras de seus bens, e não patrões. Fazer crescer e multiplicar os bens de Deus, e não guardar sem vida.  É a total confiança em Deus que nos dá maior disponibilidade em fazer o Bem. O verdadeiro Pobre Evangélico se empobrece para realizar-se melhor no Amor. É amar a Deus e ao próximo mais do que a nós mesmos.

É viver a perspectiva franciscana de que Deus é o Único Bem, o Sumo Bem, o Bem Pleno, o Bem total. É vencer o excesso de apego para colocar a vida em vista do amor providente de Deus.
É viver sem nada de próprio, nu diante de Deus. Se  estamos apenas repletos de Deus nos tornamos naturalmente Pobres. Não se explica a pobreza a partir da materialidade, mas de um coração livre, cheio de Amor. O repartir com o outro  é a medida da nossa generosidade, da comunhão, da misericórdia. O próximo é a minha capacidade de dividir e doar o que sou e tenho, especialmente quando este próximo é mais pobre do que eu.

É viver a pobreza como desafio de uma abertura total do coração generoso para experimentar uma verdadeira comunhão fraterna. Pobreza é ser livre para dedicar-se mais e melhor a alguém ou a uma causa. É ir apenas com a retidão do coração, no exercício concreto do Amor que é a Caridade, com o coração leve e limpo, com muita sensibilidade para construir fraternidade. É fazer-se pobre para enriquecer o próximo.

É ser Pobre de si mesmo para ser inteiramente livre para os outros. Acumular torna insensato, um escravo sem liberdade interior. O verdadeiro pobre é livre na própria vontade de libertação. É ser como Jesus que foi: Pobre para deixar transparecer apenas a Glória do Pai.

No próximo post, "Algumas ideias sobre a Pobreza para uma reflexão pessoal e comunitária".

Imagem: "Núpcias místicas de São Francisco com a Senhora Pobreza", alegoria franciscana pintada por Giotto di Bondone, na Basílica inferior de São Francisco, em Assis.

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