sexta-feira, 19 de julho de 2013

Francisco de Assis, modelo referencial do humano -XIV


Em Maria, a sua Mãe Divina, ele vive o encantamento de saber que ela é a primeira casa que hospedou o Senhor. Ele professa a fé em Maria como a primeira seguidora de Jesus Cristo, aquela que traz para sempre o Senhor para a história, a Esposa do Espírito Santo, a Virgem feita igreja, ela sozinha é a igreja em perfeição. O que ele escreve de melhor para a Mãe de Deus é esta Saudação: “Ave, Senhora Rainha santa, santa Maria mãe de Deus, virgem feita igreja e que do céu foste escolhida pelo santíssimo Pai, a quem ele consagrou com seu santíssimo e dileto Filho e com o Espírito Santo Paráclito, e em quem esteve e está toda a plenitude da graça e todo o bem! Ave, palácio do Senhor! Ave, tabernáculo do Senhor! Ave, casa do Senhor! Ave, vestimenta do Senhor! Ave, serva do Senhor! Ave, mãe do Senhor, e vós santas virtudes todas, que pela graça e iluminação do Espírito Santo sois infundidas nos corações dos fiéis para os tornardes de infiéis em fiéis a Deus!”.

Em Clara de Assis, a mãe cuidadosa do Mosteiro de São Damião, ele aprende que não basta seguir o Senhor, tem que se apaixonar por ele; seguimento é enamoramento. Clara recolhe-se contemplativa em seu mistério de esposa do Rei. No silêncio de São Damião, Clara escolhe o Único Amor para ser livre no Espírito. Assim como Maria, Clara se esconde na Eucaristia do Filho e vai ser a guardiã da Inspiração, vivendo para sempre aos pés do Crucifixo de São Damião. Uma escolha radical e total para viver a virgindade de Maria. No recolhido do claustro, o Verbo Encarnado é gerado cada dia e sua Palavra ressoa nas preces de quem guarda o Segredo. É um esconder-se para encontrar-se. Abandonar a sabedoria do mundo para se transformar na nova sabedoria do Evangelho. A identidade comum de Clara e Francisco é não perder jamais o sentido originário do Espirito. Não perder de vista o ponto de partida (20).

 Amar a vida até o fim, até a sua mais profunda raiz para reencontrá-la em sua Fonte. Clara jamais saiu de perto do Crucifixo e foi, exatamente ali, que Francisco não queria que se apagasse uma lâmpada. Francisco encontrou em Clara o seu coração esponsal e a certeza de sua escolha. Em corações abertos para o Absoluto, o Pai sempre deposita a semente do Sim! Em Clara, a mulher pode encontrar a razão sagrada de sua feminilidade; em Clara, Francisco encontrou a razão de sua alma de mãe e pai de uma imensa família espiritual.

Continua

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