quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

A propósito do Jubileu de Santa Clara - V

Um testamento é sempre um texto convergente, um escrito de quem chega ao ápice de uma vida, ao ápice de uma experiência. Um testamento escrito na hora de passar o bastão, de fazer correr a tocha da inspiração numa hereditariedade necessária, é muito importante para a caminhada segura dos que vem depois. Não estamos falando aqui de um testamento de bens materiais, que Santa Clara não os possuía, mas sim de um  Testamento Espiritual, sua única riqueza.

Assim como Francisco de Assis, Clara de Assis escreve um Testamento, tendo bem presente os traços da herança espiritual de Francisco. Porém, o Testamento de Clara tem a sua especificidade própria. Francisco, em seu Testamento, deixa aos frades uma recordação, uma admoestação, uma forte exortação para que sejam fiéis à Regra. Clara quer tornar bem evidente a sua vontade de que suas filhas não se afastem da Pobreza.

O Testamento de Clara, escrito em 1247, destaca o bem maior que é a vocação e a necessidade de corresponder generosamente a esta convocação  de viver nos caminhos do Senhor. Não é viver apenas segundo o modo regular da vida religiosa vigente, ou exigida pela regra de Inocêncio IV, mas sim  viver com todo empenho a Pobreza absoluta, a exigência de seguir um caminho de humildade, simplicidade, prece e bênção. Aliás, estes pontos determinam as linhas mestras deste Testamento.

Continua

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