quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

A propósito do Jubileu de Santa Clara - IV

Vocês podem imaginar Santa Clara diante destas Constituições e Regra? Ficou silenciosa? Indiferente? Aceitou passivamente? Francisco havia ensinado que não se pode obedecer o que é contrário à alma. Claro que Clara ama o Papa... mas não se pode aceitar o que é contrário  à pobreza. Os frades visitavam para partilhar presença, preces e esmolas. Pobreza é ter em comum. Como não  receber os frades? Como ter dinheiro e propriedades e viver a pobreza?
A resposta de Clara é sem nenhuma rebeldia. Jejum, oração, inspiração e a decisão de escrever  pessoalmente uma Regra própria para as Clarissas. A base desta Regra são as mesmas normas que fortificaram o caminho dos Frades Menores, o que ela recebeu de Francisco e a vida já experimentada em São Damião. A nova Regra é apresentada, no dia 06 de setembro de 1252,  ao cardeal Rinaldo, protetor das Clarissas, e este intercede junto ao Papa Inocêncio IV pela aprovação definitiva.

O Papa, numa Bula, a confirma e escreve: “Condescendente com as vossas piedosas súplicas, com  a autoridade do senhor Papa, confirmamos para sempre a vós todas e a todas que vos sucederem  em vosso mosteiro e com o apoio da presente Bula, avaliamos  a forma de vida e o modo da santa unidade e da altíssima pobreza, que o vosso beato pai São Francisco concedeu a vós por escrito para observar  e  aqui reproduzimos” (Bula do Papa Inocêncio IV,15-16).

No dia 9 de Agosto de 1253, dois dias antes de sua morte, Santa Clara recebe em mãos a sua Regra de Vida aprovada pelo Papa. O que ela perseguiu em vida recebe na hora da passagem para a vida eterna.  No  Processo de Canonização de Santa Clara, a Irmã Filipa nos relata: “E no fim de sua vida, tendo chamado todas as suas Irmãs, recomendou-lhes cuidadosamente o Privilégio da Pobreza. E como desejava enormemente que a Regra da Ordem fosse bulada, mesmo que tivesse que pôr essa bula na boca em um dia e morrer no dia seguinte, assim lhe aconteceu, pois veio um frade com a carta bulada, que ela tomou reverentemete e, embora estivesse à morte, colocou ela mesma aquela bula na boca para beijá-la.  E depois, no dia seguinte, a predita dona Clara passou desta vida para o Senhor, verdadeiramente Clara sem mácula, sem escuridão do pecado, foi para a claridade da luz eterna. Do que não têm dúvida nem a testemunha nem as Irmãs e nenhum dos outros todos que conheceram a sua santidade” (PC 32).

O texto original desta Regra foi encontrado em Assis, no Proto Mosteiro de Santa Clara, em 1893. Esta  Regra é muito importante para a Santa Unidade do carisma clariano.

Continua

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