sexta-feira, 20 de abril de 2018

REFLEXÕES SOBRE A DIMENSÃO POLÍTICA DO FRANCISCANISMO - 9


Libertação é dar um passo 
concreto à necessidade do outro 


A violação dos direitos das minorias não é casual, é permanente. Além de serem zeros econômicos e não serem contemplados em planejamentos oficiais, sofrem a violação da dignidade através das ridentes formas de estereótipos. Recebi um post muito pertinente que diz assim: “No dia 19 de Abril, por favor não cantem a música da Xuxa, não pintem seus alunos e nem façam cocar de papel. Não reforcem os estereótipos! Convidem um indígena para falar ou leve as crianças em uma aldeia. Nos ajude a desconstruir estereótipos, nos deixem falar!” É verdade! Chega de representar! É preciso sair do egoísmo, do comodismo, da alienação e ir conhecer a realidade. Estereótipo é falta de cultura e ausência completa de postura crítica. Adianta criticar mendigo vagabundo se não conhece os motivos dos moradores de rua?

Francisco de Assis largou o conforto da privilegiada classe dos novos ricos de Assis e foi viver entre os mendigos da cidade. Ele não apenas os viu, ele se inseriu. Libertação é dar um passo concreto à necessidade do outro e não ficar em análises vazias. Já vi gente vociferar contra Bolsa Família, mas não sabe onde está o mapa da fome deste país. Libertação não é ideologia, mas é conhecer mais para denunciar melhor a opressão e urgir um processo de quebrar aquilo que prende irmãos e irmãs na miséria. Já vi muita gente criticando a sopa dos pobres sentado à mesa do McDonald's empanturrando-se de três hambúrgueres com chedar. Libertação não é metáfora, mas processo histórico para superar uma história. Francisco de Assis fez a libertação da acomodação para uma participação junto aos necessitados de seu tempo. Fraternidade para ele é sair do eu-sozinho para a solução de muitos entre muitos.

Francisco de Assis é santo porque lutou para produzir mais humanidade. É o santo do espaço no qual os simples se reúnem e a partir da Palavra ajuízam a vida. Partilha fraterna, ajuda mútua faz a Palavra ser prece e prática. Ele é um convertido que não levantou paredes de uma capela na solidão de seu projeto, mas pediu que muitos trouxessem tijolos como uma bênção. Não pediu dinheiro, pediu bênção em forma de tijolo, mãos calejadas e a força de muitos.

CONTINUA

FREI VITORIO MAZZUCO

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