terça-feira, 25 de outubro de 2016

Francisco de Assis e a minoridade


Neste mundo tão competitivo, como falar de Minoridade? Anda meio esquecido este tema, podemos até parodiar o samba do Raça Negra: “Que é que eu vou fazer com esta tal Minoridade...” Aliás, Minoridade não é apenas um termo, mas uma herança da forma de vida franciscana. Está nos escritos, na virtuosidade franciscana e na sigla da Ordem. Minoridade não está ligada a minoria, e não tem aqui a conotação de grupo étnico minoritário na sociedade.

Na verdade, Francisco nunca usou a expressão Minoridade, mas sim Menor, não no sentido daquele que ainda não atingiu a maioridade, mas sim como o mais humilde, o mais simples, o mais pequeno. Diz na Regra Não Bulada: “Do mesmo modo, nenhum dos irmãos tenha qualquer poder ou domínio, sobretudo entre si. Porquanto, como diz o Senhor no Evangelho, os príncipes das nações têm domínio sobre elas, e os que são maiores entre as gentes têm poder sobre elas. Entre os irmãos, porém, não há de ser assim; mas aquele que quiser ser o maior entre eles, seja deles o ministro e servo, e aquele que é o maior faça-se entre eles o menor” (RnB 5,9-12). Minoridade é uma conversão de mentalidade: estar em todas as relações como aquele que serve. Não se pode separar Minoridade e Serviço. É princípio da Boa Nova, prática de Jesus.

Tomás de Celano coloca a Minoridade como fundamento de todas as virtudes: “Foi ele, com efeito, quem fundou a Ordem dos Irmãos Menores e lhe conferiu esse nome nas circunstâncias que seguidamente se referem. Estavam para serem escritas na Regra as palavras “e sejam menores”, mas ao proferir estas palavras, naquela mesma hora, disse: “Quero que a nossa fraternidade se chame 'dos irmãos menores'”.

E eram realmente menores, porque se submetiam a todos, buscando sempre o último lugar e os ofícios a que estivesse ligada alguma humilhação, afim de merecerem, fundamentados em verdadeira humildade, erguer sobre ela o edifício espiritual de todas as virtudes” (1Cel 38).

Autoridade não é poder, mas é expressão do serviço fraterno. O modo de servir é na humildade e na simplicidade. O modo de servir é abaixar-se até a pessoa e lavar seus pés, como o Senhor fez: “Eu não vim para ser servido, mas para servir, diz o Senhor. Os que foram incumbidos acima dos outros, no ofício de prelado, tanto se gloriem desse ofício, quanto se gloriariam se fossem encarregados de lavar os pés aos irmãos” (Adm 4).

Minoridade é um modo forte de amar, é ajoelhar-se diante das criaturas como fez um Deus encarnado. É inverter o status, a hierarquia, o poder. A grandiosidade da pessoa não está nos seus títulos, mas na sua capacidade de servir. Minoridade é uma identidade crística. Servir como o Senhor serviu.

FREI VITÓRIO MAZZUCO

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