quarta-feira, 6 de julho de 2016

Francisco, um caminho de sentidos



Tempo de Francisco de Assis, século XIII, tempo medieval. Nosso tempo, século XXI, pós-moderno. Duas épocas e suas aproximações. O diferente, o igual, as repetições, as rupturas. No tempo, a busca de caminhos e sentidos. Cada tempo com suas conquistas, mas cada momento na ânsia de buscar uma vivência mais autêntica. Francisco enfrentou a crise de sua vida e de seu tempo descobrindo que o Evangelho tinha respostas para suas indagações. Hoje, onde estariam as respostas? Muitos acham que ciência e técnica evidenciam um futuro de segurança, de funcionalidade vivencial, de bem-estar material e mais longevidade. Outros acham que a humanidade está estagnada, assim como todas as instituições portadoras de sentidos: família, Igreja, escola e governo. Francisco não esperou a fala de instituições.

Ele mesmo desabafa em seu Testamento: “(...) Ninguém me mostrou o que deveria fazer, mas o Altíssimo mesmo me revelou que eu deveria viver segundo a forma do Santo Evangelho” ( Test 14 ). No Evangelho, ele encontrou respostas para a sua crise pessoal, a crise de seu tempo e suas instituições. Teve a intuição de pegar a vida de então com seus conflitos, guerra santa, impérios, reinos e reis, ambição, avareza, poder e fastígio da glória que contaminavam tudo, inclusive a Igreja; e mostrar uma vida nova que vem da simplicidade. Isso não aconteceu no romper de facilidades, mas no abraçar uma tomada de posição, saída, coragem, aventura, contestação silenciosa, novo jeito de ser profundamente humano e respeito por todo ser criado.

Francisco de Assis torna-se um profeta de ontem e de hoje porque impulsiona mudanças radicais. Abala as estruturas do mundo propondo a paz, o bem e a fraternidade. Não quer privilégios, quer desapegos. Não quer status, quer sentidos para a vida sem precisar oprimir ninguém. Não quis mudar o mundo a partir do poder eclesiástico ou político, e sim a partir da fidelidade e da fé que abraça o que estava carente de cuidado.

 Muitos quiseram mudar o mundo e desapareceram na história, ele permanece até os dias de hoje como um Poverello amado, seguido e imitado. Viveu pobre para romper com ricas e pesadas estruturas. Não tem teorias, mas vive convicções. É um reformador de ruínas; é alguém que pergunta não aos conceitos e terapias, mas diretamente a Deus: “Senhor, que queres que eu faça?”. Foi lá e fez!

FREI VITÓRIO MAZZUCO

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