segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016

O ANO SANTO DA MISERICÓRDIA - Perspectivas Franciscanas - 3


Vejamos algumas aproximações bem afinadas do Ano Santo com a nossa espiritualidade. Para o modo franciscano, o Ano Santo deve ser um chamado às aproximações, ao estar junto, ao “em saída”, ao ir junto, estar junto, a itinerância de peregrinos e forasteiros que nos remete à intimidade da realidade. São Francisco fez duas visitas à Basílica de São Pedro, em Roma.  Uma quando era bastante jovem e procurava soluções para as suas crises interiores; outra, já convertido mas não deixando nunca o processo de conversão, queria deixar mais clara ainda a sua escolha pelo Evangelho.

Vamos reler a Legenda dos Três Companheiros: “Transformado assim pela graça divina, embora ainda estivesse no hábito secular, desejava estar em outra cidade onde, como desconhecido, pudesse despir-se de suas próprias roupas e vestir-se com as vestimentas de algum pobre, recebidas em troca, e fazer a experiência de pedir esmolas por amor de Deus. Naquela época, aconteceu que, por motivo de peregrinação, chegou a Roma. E, entrando na igreja de São Pedro, considerou como eram pequenas as ofertas de alguns e disse consigo mesmo: "Como o príncipe dos apóstolos deve ser magnificamente honrado, porque esses fazem ofertas tão pequeninas na igreja onde o corpo dele repousa?” E assim, com grande fervor, colocou a sua mão na bolsa e tirou-a cheia de moedas e, lançando-as pela janela do altar, fez tanto barulho que todos os presentes ficaram admirados com tão magnífica oferta.

Saindo, porém, para diante da porta da igreja, onde estavam presentes muitos pobres para pedir esmolas, sigilosamente recebeu em troca as roupas de um homem  pobrezinho e, depondo as suas, as vestiu. E, postando-se nos degraus da igreja com os outros pobres, pedia esmola em francês, porque de bom grado falava a língua francesa, embora não a soubesse falar corretamente.

Mas depois, despindo-se das ditas roupas e retomando as suas, retornou para Assis e começou a rezar ao Senhor para que dirigisse seu caminho. A ninguém revelava o seu segredo e, neste ponto, não se servia do conselho de ninguém, a não ser somente do de Deus, que começara a dirigir seu caminho e, de vez em quando, do conselho do bispo de Asssis, porque naquele tempo não se encontrava em ninguém a verdadeira pobreza que ele desejava acima de todas as coisas deste mundo, querendo nela viver e morrer”  Legenda dos Três Companheiros 3,10 )

São duas posturas que este relato nos propõe. Uma postura ir e fazer uma ressonante oferta na convicção de que para Deus se dá o melhor e o máximo; para o Apóstolo e sua Basílica dar o muito como reconhecimento e restituição. A outra postura é vestir a roupa do pobre não para chamar a atenção, como um autêntico ritual de investidura para assumir o espírito da misericórdia e da prodigalidade, vestir-se da humildade e da simplicidade para renunciar todas as pompas possíveis, saber pedir e saber oferecer.

Imagem: Estátua de São Francisco na praça em frente à Basílica de São João Latrão

Continua

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