quinta-feira, 30 de agosto de 2012

ITINERÁRIO A ASSIS - 4
















De trem, ônibus, van, carro, moto, a pé... Enfim, de tantos modos podemos chegar a Assis. Da estação de trem, ou vindo pela estrada de Perugia, podemos avistar a cidade, que do alto da colina, nos abraça. Há caminhos feitos, trilhas que levam de Santa Maria dos Anjos até Assis. Parecem um cordão franciscano lembrando votos, profissão e promessas! Um caminho feito de tijolos doados por gente de todo mundo une Porciúncula a São Damião para recordar que tudo foi reconstruído tijolo por tijolo. Caminhar ali é refazer o caminho dos penitentes tirando os excessos que nos privam da pureza de coração, do sem nada de próprio e da obediência. Em muitos cantos, nichos, oratórios e pórticos pode-se ler a onipresente bênção: “Il Signore ti benedica e ti custodisca. Ti mostri la sua faccia ed abbia misericórdia di te. Volga a te il suo sguardo e ti dia pace. Il Signore ti benedica!”. Como diz a minha amiga e irmã Mara Faustino: “É bênção, pura bênção!”

O mês de setembro, quando estaremos chegando lá, fez se outono na vida de Francisco; ele está enfermo e não tem mais, no corpo, a vigorosa e colorida primavera de Assis; mas sua alma é só Luz! Avizinha-se a Irmã Morte e ele percebe que ela vem com o leve vento de fora e o seu frágil respiro de dentro. Seu coração bate forte de Amor! Faz seu rito de passagem despedindo-se do lugar. Está pronto para voar como as cotovias. Os frades choram, mas as criaturas todas sorriem. Não é hora de lamento, mas de cântico. Pede que os frades o coloquem num lugar estratégico onde ele possa ver sua amada cidade e sussurra agradecido: “Bendita sejas do Senhor, cidade de Assis, porque muitas almas se salvarão por tua causa: pois dentro de ti habitarão muitos servos do Altíssimo e muitos de teus filhos serão escolhidos para o Reino do Céu. Seja contigo a paz!”



Há oito séculos, a Paz veio morar ali desde que aquele Poverello morreu para alguns projetos e criou o seu caminho impulsionado pelo Evangelho; morreu para a sua vaidade, ostentação, ambição, sonhos de acumular bens e terras, sonhos do poder das armas; e, agora, a Paz está ali, num momento culminante, permanecendo para sempre em Assis: pelo caminho, onde Francisco morreu, entramos na cidade. Morte que não é morte. Morte que abre as definitivas portas do Paraíso. Bendita morte, Irmã!

A cidade continua a sonhar com Francisco, com sua presença, com seus ideais que vão sendo revividos em toda parte. Entrar em Assis é como entrar nas Legendas de Francisco e Clara. Pé nos caminhos, olhos na inspiração que está marcada nas pedras e templos, bosques e praças; mente na prece; coração no Senhor! É assim que se entra em Assis.   Acompanhe a nossa viagem!

Um comentário:

Valéria Rodrigues*Lela disse...

Segundo Mara Faustino:
"BÊNÇÃO SOBRE BÊNÇÃO"...

Assim, me sinto:
-Mais uma vez, A B E N Ç O A D A, por Deus!
OBRIGADA, meu Deus e meu TUDO!