sexta-feira, 15 de junho de 2012

OS ÍCONES E AS IMAGENS - I I

Bizâncio (hoje Istambul), Alexandria, Antioquia e Éfeso são cidades que se tornaram grandes centros culturais e fizeram evoluir a arte cristã primitiva que usava a linguagem dos símbolos, a narrativa veterotestamentária e a reinterpretação de imagens pagãs. Há uma força espiritual gerada pelos grandes Concílios dos primeiros séculos que debateram e definiram diversos dogmas da fé cristã. O Concílio de Éfeso proclama a virgem Maria como Theotókos, Mãe de Deus.

Houve um excesso de veneração que fez surgir a grande controvérsia Iconoclasta que agitou o oriente de 725 a 843. O que era o Iconoclasmo ou os Iconoclastas. Os que quebravam imagens. Em 726, os imperadores Leão III e Leão V proibiram o uso de imagens e ordenaram que fossem retiradas de lugares públicos e que fossem destruídas. O motivo era que as imagens se transformavam em ídolos e qualquer representação de Cristo em particular separava sua humanidade e sua divindade.

É de São João Damasceno (625-749) em sua obra: “Primeira Apologia contra os que atacam as imagens divinas”, que vem a afirmação que os Ícones nos relatam em figuras o que os Evangelhos nos contam em palavras. É uma teologia visual ou as Sagradas Escrituras em quadros.

O Ícone nunca pode ser uma pintura subjetiva, pois deve identificar-se e estar ligado com uma tradição. Pintar é uma disciplina de dedicação e humildade. Os que o faziam jejuavam e faziam exercícios espirituais em preparação para o trabalho. Iconógrafo significa alguém que escreve, não pinta Ícones. A técnica do desenho assemelha-se à da caligrafia. A imagem precisa ser moldada por meio de configurações sutis e padrões geométricos.

Imagem: Ícone da Virgem de Vladimir - Séc. XII

CONTINUA

Um comentário:

Denise Pires disse...

Frei Vitório,

paz e bem!

maravilhosos ícones, importantes explicações e lindos textos. Imagine, hoje ao chegar em casa, antes de abrir a porta, pensava que preciso adquirir um ícone de Nossa Senhora, da mãe de Deus, tendo em vista que junto à minha porta de entrada estão alguns ícones já antigos e dois recentes (Pantocrator e Transfiguração), que vieram de um Mosteiro Beneditino. Bem, pensava que faltava a Virgem Maria (Tem apenas um muito pequenininho, lateralizado). Então, abro o PC e o que encontro no site Franciscanos, justamente uma chamada para esta série dos ícones com um ícone de Maria. Sabe, os Monges dizem mesmo que o ícone equivale a um sacramental e aqui acontece algo interessante. Sempre recebo na porta e despeço-me na porta das enfermeiras da minha mãe. Uma delas, não católica,de uma denominação cristã, fica, na saída, sempre olhando fixamente para o Pantocrator, sempre,sem desviar o olhar. Eu nada digo. Que o ícone fale por si.

Abraços fraternos.
Denise.