segunda-feira, 9 de abril de 2012

Bloco de ideias para compreensão de alguns conteúdos do Curso de Espiritualidade - 2

A UNIDADE (ou a UNIO MÍSTICA )


Holderlin fala da união com a Natura. Max Scheler fala da sensibilidade cosmovital. Os dois evidenciam a capacidade do ser humano de sentir-se parte do cosmo. A tradição judaica também insere o humano neste contexto, mas ele tem que executar mandatos bíblicos, abraçar o Deus da história e dominar o mundo. O conceito de Holderlin e Scheler não é apenas um estado de consciência ecológica moderna, mas é uma Qualidade Mística, isto é, um modo de estar em comunhão com o cosmo como consangüinidade e não uma mera consciência ambiental.

Existe uma Unidade entre céu e terra. Há um momento que acontece uma separação e uma ruptura e isto permitiu a multiplicidade de outras experiências, inclusive a multiplicidade de seres. O humano perdeu a unidade e vive com saudade de reencontrá-la. A mística e a espiritualidade permitem que o humano volte a abraçar o céu e a terra, que retorne ao Paraíso.

“Ser puro significa reencontrar aquele lar da alma onde sentimo-nos ligados a este mundo” (Albert Camus)

Tanto o Oriente como o Ocidente, sobretudo no período medieval, colocaram a Unio Mística no centro de seus pensamentos e experiências.

A Unio Mistica é o Misterium Tremendum = O humano entra em contato com o segredo da criação. Isto resulta em reações ou manifestações emocionais mais diversas como: espanto, admiração, temor, medo, pânico ou formas mais brandas de sentimento e reações, como por exemplo, o Silêncio. O segredo do encontro com o Sagrado tem a sua fala e não falatório, e leva para a quietude.

A Unio Mistica é a Majestas = a sensação de anulação da própria existência; o eu torna-se poeira e cinza diante da Grandeza, da Majestade de Deus; mas é aí que experimenta a força e a transcendência do humano.

A Unio Mística é a Orgé = vontade, força, movimento, agitação, energia, atividade, paixão pelo Numinoso (aquilo que foge ao alcance dos conceitos).

A Unio Mística é Fascinans = atração e aproximação. O humano aqui não é repelido, mas sim atraído. O Numinoso promete o sadio, acena com algo que É sempre mais ou ainda mais! Neste contato com o “ainda mais”, o humano sente a felicidade plena que transcende qualquer estado emocional comum. A impressão que o “fascinans” deixa na alma humana é indizível. A língua é incapaz de expressar o que a alma sente.

A Unio Mistica é o Augustus = o valor Numinoso. Mas o que é mesmo o Numinoso? O encontro entre o Invisível carnal com o Invisível espiritual. A fala audível do mistério e o silêncio inaudível. O fio que liga céu e terra, o olho do anjo no olho do humano. Um estado de alma, uma inteligência contemplativa. O Numinoso possui uma força que fundamenta qualquer valor ético. Sem o valor numinoso não existiria base para as exigências morais.

A Unio Mística é o Estranho = une os momentos do Misterium Tremendum, da Majestas, do Orgé e o Augusto. O estranho ultrapassa o nosso horizonte racional e faz mais do que nos assustar, nos coloca numa posição de humildade frente a dimensões tanto do universo como da nossa existência e de nossos feitos.

Continua

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