sábado, 16 de janeiro de 2010

ZILDA ARNS


Hoje, a terra acolhe a fecunda semente da mulher cuidadora. No céu, a festa já começou há dias. Um encontro entre céu e terra de uma alma imortal e de uma obra que será perene. Hoje, em Curitiba, Zilda Arns, velada, amada, sepultada e eternizada. Uma mulher profundamente mãe, daquelas que o eu desaparece e só transparece a obra. Quem conhece a arte de amar, aprende a criar como o Criador. Assim foi Zilda, uma mulher que salvou e reconstruiu vidas.

Hoje, a subjetividade desta mulher é exaltada, pois sua vida foi fazer da objetividade uma missão. Ela, muitas vezes, ficou hospedada aqui em casa. Observei-a com reverente silêncio. Vinha aqui como irmã, alma franciscana, e bebia a presença e orientação de confrade, seu orientador espiritual. Sentava-se à mesa, rezava conosco e contava histórias. Era versada na ciência do Amor e familiarizada com as crianças do mundo inteiro. Passava uma confiança muito grande. Ganhava presentes e distribuía palavras e sorrisos.

Hoje, eu tenho que escrever sobre Zilda de quem só se fala bem. Conhecida pela solidariedade e pela força feminina aliada a empreendimentos e a coragem de fazer o que muitos poderes não fazem. Zilda valia mais que muitos governos!

Hoje , ao acompanhar o velório e o enterro de Zilda, eu tenho que perguntar: O que fazemos com a nossa capacidade de Amar? Ela, nos ensina que amar não basta, é preciso dar um sentido forte a este amor. Ela ensinou isto a todas as mulheres e homens da Pastoral da Criança. Zilda, a pastora incansável do Cuidado pela Vida. Ela deu às milhares e milhares de crianças a chance de viver, de brincar na infância, de alimentar-se, de sentir o banho sadio na água purificadora do asseio. Santo remédio!

Obrigado Zilda Arns! Você nos ensinou a verdade de Amar, a eternizar-se no tempo. Você ensinou que o grande objetivo da vida é a própria Vida. Você nos ensinou a constância, o desapego do status, a constância, a discrição, a habilidade para conversar, a ousadia, a conhecer as melhores intenções do que nos resta de cidadania, a ausência de complicação, a simplicidade da obra social, a compreensão rápida. O seu zelo fez sua estrada de imortalidade. Um terremoto a matou fisicamente, mas você criou em nós um abalo enorme de consciência! Descanse no Prêmio Nobel da Paz do seu Dever Realizado!

Um comentário:

Rivaldo R.Ribeiro disse...

Paz e Bem!

Frei no momento que soube da morte da Dra. Zilda, não sei o que houve comigo. Estava na sala junto com minha família: esposa e um casal de filhos. Logo notei que descia lagrimas pelo meu rosto, corri para o meu quarto e chorei muito...

Uma tristeza mista com indignação, porque um ser humano como Zilda Arns morreria daquela forma?

Naquele momento não encontrava o sentido daquela morte repentina e cruel.

No outro dia com todas as informações daquela grande tragédia que levou o mundo a ser mais humano, cai na realidade. Como eu poderia pensar dessa forma? Deus nos mostrou a todos Dra. Zilda, que por uma ignorância inexplicável alguns colegas meus de trabalho não a conhecia,e com certeza muitos pelo Brasil afora.

Assim quis Deus, agora todos a conhecem e a amam. E muitos com certeza irão seguir seu exemplo ingressando nas pastorais da nossa Igreja.

Lindo texto que o sr. postou em sua homenagem.

Deus esteja sempre contigo!